Petrolíferas recusam “irregularidade” nos preços dos combustíveis. Descida mais lenta que subidas é “perceção” errada
As petrolíferas afirmam que a ideia de que as subidas nos combustíveis são mais rápidas que as descidas é uma "perceção que não corresponde à realidade", e que não existe "nenhuma irregularidade".
A associação que representa as petrolíferas, a Epcol, recusa que os preços dos combustíveis subam mais rapidamente do que descem, afirmando que isto se trata apenas de uma “perceção”. Na sequência da análise que o Ministério do Ambiente e Energia pediu à ENSE para avaliar esta questão, a associação está confiante que não será encontrada “nenhuma irregularidade”.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“Quanto às subidas serem mais rápidas do que as descidas, trata-se de facto de uma perceção que não corresponde à realidade“, afirma João Reis, porta-voz da Epcol, na sequência de declarações da ministra do Ambiente e Energia. Maria da Graça Carvalho informou, esta quarta-feira, que pediu à Entidade Nacional dos Serviços Energéticos (ENSE) para “olhar” para “o facto de os preços do combustível agora não estarem a descer com a mesma velocidade com que subiram“.
Sobre a análise em específico, a Epcol antecipa que a ENSE “só poderá chegar à conclusão de que não há nenhuma irregularidade”, tendo em conta os dados de que dispõe. Os postos de abastecimento são obrigados a reportar diariamente numa plataforma chamada Balcão Único da Energia, os preços que estão a praticar.
A Epcol sublinha que a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) publica um relatório semanal com a análise da evolução dos preços anunciados e dos preços com descontos (publicados pela DGEG) com um preço teórico, denominado “preço eficiente”. Este último é calculado com base em todos os componentes do preço de venda ao público, incluindo as cotações dos produtos refinados. “Até à data não se verificou qualquer situação que indicie qualquer anormalidade no funcionamento do mercado”, recorda.
Não é esse o barril, é o outro
A Epcol afirma que a cotação do barril, com o qual se está a comparar a evolução dos preços dos combustíveis, não é a cotação do barril certo. “O preço do petróleo bruto não implica diretamente a formação dos preços nos postos de combustíveis”, explica a Epcol, para depois clarificar: os preços dos combustíveis são, antes, diretamente relacionados com o preço dos produtos refinados e “não há uma relação imediata e direta, nem nas subidas, nem nas descidas, do crude com os produtos refinados”.
A Epcol ilustra, através de gráficos o “quase total paralelismo” entre a linha que representa o preço dos produtos refinados (gasolina e gasóleo) e a linha que representa o preço de venda ao público, e que o mesmo não acontece com a linha que representa o preço do barril de Brent, o crude que serve de referência a nível europeu.

O “Mid Brent” é o preço de referência para o petróleo bruto negociado na Europa. Já para os produtos refinados, como a gasolina, o gasóleo, o jet fuel (para aviação), o GPL e produtos para a indústria petroquímica, a referência são os preços do CIF NWE – Cost, Insurance, and Freight, que significa “Custo, Seguro e Frete”, e o NWE (North-West Europe), referente à região do “Noroeste da Europa”, que inclui os portos principais de países como Holanda (Amsterdão, Roterdão), Bélgica (Antuérpia) e Alemanha.

Em declarações à Lusa, esta quinta-feira, a ENSE apontou os custos fixos da refinação e a escassez de armazenagem na Europa como fatores para explicar uma redução mais lenta dos preços dos combustíveis face à descida da matéria-prima.
“A redução de preços na cadeia de valor, com especial destaque na área da refinação, é por definição mais lenta que as reduções de preços de matéria-prima (Crude/Brent), pois refletem duas componentes menos voláteis, que são os elevados custos fixos de produção e a escassez de armazenagem na Europa”, sustentou a entidade.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Petrolíferas recusam “irregularidade” nos preços dos combustíveis. Descida mais lenta que subidas é “perceção” errada
{{ noCommentsLabel }}