Projeto para terrenos da refinaria de Matosinhos promete criar 100 mil empregos

Estudo encomendado pela Galp estima o impacto económico do projeto que ocupará o espaço da antiga refinaria de Matosinhos. Deve aproximar-se dos dois mil milhões de euros por ano, em três décadas.

A Galp conta que o projeto que tem para o espaço da antiga refinaria de Matosinhos, o chamado Innovation District, tenha um impacto de cerca de dois mil milhões de euros, por ano, na economia portuguesa, ao longo de 30 anos e a partir do momento em que se inicie a construção. No mesmo espaço de tempo, a expectativa é que sejam criados 100 mil empregos.

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Estes números resultam de um estudo desenvolvido pela PwC sobre o potencial da reconversão da antiga refinaria de Matosinhos, o Innovation District, que a petrolífera pretende instalar no espaço onde outrora operou a refinaria, cujo fecho foi anunciado no final de 2020. Esta informação, à qual o ECO/Capital Verde teve acesso, vai ser divulgada esta quinta-feira no âmbito da QSP Summit, que decorre esta quinta-feira, na cidade que servirá de berço ao futuro ‘distrito de inovação’.

De acordo com o estudo, o projeto poderá gerar cerca de 65 mil milhões de euros de impacto acumulado no Produto Interno Bruto nacional e criar mais de 100 mil postos de trabalho em Portugal ao longo de 30 anos. Este período começa a contar a partir do momento que se inicie a construção, a qual deverá demorar cerca de quatro anos a estar concluída. Ao nível do emprego, o projeto poderá gerar cerca de 100 mil postos de trabalho em Portugal. O impacto fiscal acumulado poderá atingir nove mil milhões de euros, a nível nacional, e 400 milhões a nível local, na mesma janela temporal.

Olhando à cidade de Matosinhos em particular, o impacto acumulado no valor acrescentado bruto poderá ascender a 43 mil milhões de euros, com um impacto anual estimado superior a três mil milhões quando o projeto atingir a sua maturidade. Quanto ao emprego gerado, 65 mil dos 100 mil esperados deverão concentrar-se no concelho de Matosinhos. O estudo identifica ainda outros ganhos para Matosinhos, como um aumento de 25% nos investimentos em Inovação e Desenvolvimento (I&D), um crescimento superior a 50% na produção de setores de alto valor acrescentado e um aumento de 38% nas exportações.

O estudo baseia-se na modelização de diferentes cenários de desenvolvimento do projeto, mas o ECO/Capital Verde apenas teve acesso às perspetivas para um deles, aqui apresentado. Este trabalho foi desenvolvido pela PwC, com a participação do CITTA — Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente, da OPT — Optimização e Planeamento de Transportes, da ImoEconometrics e de Ricardo Reis, Economista e professor da London School of Economics.

O Innovation District pretende combinar habitação “diversificada e inclusiva”, atividade económica, ensino e investigação — com a criação de um polo universitário –, lazer e espaços verdes, “reforçando a posição da região entre os hubs tecnológicos e sustentáveis mais relevantes a nível internacional”, acredita a Galp. Num cenário de desenvolvimento equilibrado entre usos residenciais e atividades económicas, o projeto poderá acolher cerca de 19 mil residentes e 30 mil estudantes. A ideia é criar um conceito de “cidade de proximidade” e sustentável.

Foi em fevereiro de 2022 que foi celebrado um protocolo entre a Galp, Município de Matosinhos e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) para ser desenvolvida “uma solução integrada tendente à criação de um Innovation District que renovará a zona onde esteve instalada a refinaria”, lê-se no comunicado que anuncia o projeto. Meses depois, a holandesa MVRDV foi selecionada para o desenvolvimento do projeto de regeneração urbana.

O início da demolição do complexo industrial da refinaria de Matosinhos arrancou em 2023, desdobrando-se em duas fases. A primeira é a demolição e remoção dos 26 tanques de armazenagem de petróleo bruto, e a segunda a demolição das estruturas das antigas unidades de produção. Em 2024, a primeira fase foi concluída. A segunda fase, de acordo com a Galp, decorre dentro do prazo previsto e antecipa-se que a conclusão decorra até dezembro de 2026. Só a partir deste ano poderá ser dada a luz verde para erguer o novo complexo.

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