Unbabel segue para liquidação com voto unânime dos credores
Os credores da Unbabel aprovaram esta quinta-feira, por unanimidade, o encerramento e liquidação da startup de tradução por IA, declarada insolvente em março e com dívidas de 15,5 milhões de euros.
O encerramento e liquidação da tecnológica Unbabel foi esta quinta-feira aprovado por unanimidade dos credores presentes na assembleia que decorreu no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.
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De acordo com a juíza titular do processo de insolvência, nenhum plano de recuperação foi apresentado para tentar salvar a Unbabel, cujas dívidas a três dezenas de credores ascendem a cerca de 15,5 milhões de euros.
A startup portuguesa Unbabel, especializada na área da tradução automática através de IA, foi declarada insolvente em 10 de março, após ter recebido 14,1 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para o desenvolvimento de um projeto.
Segundo o Jornal de Negócios, a empresa cumpriu com a totalidade dos compromissos assumidos no âmbito do PRR, mas a despesa realizada e certificada ficou abaixo do contratualizado, obrigando à devolução do valor em excesso, contabilizado em cerca de 1,3 milhões de euros.
O IAPMEI – Agência para a Competitividade e Inovação, responsável pela gestão de parte dos fundos europeus, surge na lista de 31 credores com o estatuto de credor privilegiado, mas esse crédito foi objeto de impugnação pela Wuessen, uma sociedade financeira com sede no Luxemburgo e uma das principais investidoras na Unbabel.
A Wuessen é detentora de um crédito de 2,4 milhões de euros e de um penhor sobre uma conta bancária da Unbabel, o que à partida coloca a recuperação do seu crédito à frente do dos restantes credores. A composição da comissão de credores da Unbabel, votada durante a assembleia, foi também objeto de impugnação pelos representantes da Wuessen.
Por proposta dos maiores credores – os fundos de capital de risco Iberis Bluetech Fund II e Iberis Bluetech Fund III, com créditos de 4,2 milhões de euros e 7,2 milhões de euros respetivamente –, a comissão de credores será presidida por um representante da própria Iberis, pelo Instituto da Segurança Social e pelo fundo Buenavista Equity Partner Portugal.
Apesar de a proposta ter sido aprovada por maioria na assembleia de credores, a Wuessen impugnou a decisão, alegando que o facto de o fundo Buenavista não ser credora da Unbabel faz com que os seus interesses “não estejam alinhados com os dos restantes credores”, segundo alegaram os representantes.
Com efeito, os créditos do Buenavista não foram reconhecidos pelo administrador judicial, Pedro Pidwell.
Meses antes da insolvência, o fundo Buenavista Equity Partners interpôs um processo judicial em Portugal, no valor de 12,75 milhões de euros, para tentar anular a venda os ativos da Unbabel Inc. (empresa mãe da Unbabel portuguesa) à norte-americana TransPerfect, ocorrida em agosto do ano passado.
O fundo tem alegado que a operação, realizada por um valor que considerou como sendo muito baixo, inviabilizou o retorno dos montantes investidos na empresa. A Unbabel começou a perder clientes à medida que os seus produtos iam sendo substituídos por soluções de IA generativa mais baratas, tendo avançado no início do ano com o pedido de insolvência no Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa.
Durante muito tempo apontada como uma das mais promissoras startups tecnológicas nacionais, era líder de uma das agendas mobilizadoras do PRR – a “Center for Responsible AI” -, tendo sido substituída pela Sword Health depois da venda à TransPerfect.
No final da assembleia de credores, após a decisão de liquidar a empresa (que já se encontrava sem atividade e sem trabalhadores), o fundador, Vasco Pedro, dirigiu-se ao tribunal para agradecer aos investidores que durante 12 anos acreditaram no potencial da Unbabel. Lamentou ainda o desfecho “difícil” do processo, declarando-se “vencido pela Inteligência Artificial”.
(Notícia atualizada às 17h35 com mais informação)
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