Exclusivo Bhout corta “número significativo” de empregos devido à IA. Clubes de boxe mantêm-se “lucrativos”
Fundador e CEO, Mauro Frota, afirma ao ECO que os ginásios “não perdem dinheiro”, mas a reestruturação deve-se a uma “nova fase” para ter fluxo de caixa positivo.
A empresa portuguesa Bhout, conhecida pelos treinos de boxe com luvas tecnológicas, tem em curso uma reestruturação para “limpar a tesouraria” e ficar com fluxo de caixa (cash flow) positivo. O plano envolve o corte de um “número significativo” de postos de trabalho nos escritórios, especialmente funções que estão a ser substituídas por inteligência artificial.
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O ECO sabe que vários trabalhadores receberam a informação da rescisão, mas o número final de saídas ainda não está definido. “Está tudo no início. Não estamos a encarar isto como algo negativo, mas sim a limpar a tesouraria para outra fase da empresa. Não alterámos em nada a estratégia”, explicou o fundador e CEO, Mauro Frota.
Mauro Frota esclareceu que a reestruturação do negócio se tornou necessária após um período de contratações para desenvolvimento de produto, que ficou concluído.
“Precisávamos de investir no desenvolvimento e agora a fábrica ficou montada e o produto encontra-se maduro. Então, libertámos parte da equipa para nos focarmos noutras áreas, ter cash flow positivo e atrair novos investimentos. Fomos obrigados a libertar pessoas que nos eram particularmente próximas”, afirmou o empreendedor, garantindo que os atuais acionistas mantêm total confiança na empresa e colocando de parte uma situação de insolvência.
"Não temos nenhum clube a perder dinheiro nem preciso de levantar mais capital – só se quiser. A empresa vai-se tornar cash flow positive.”
Aliás, a Bhout prepara-se para iniciar as vendas internacionais. A partir de setembro, arrancará as entregas na América Latina e prevê duplicar a faturação com esses contratos no estrangeiro. Em Portugal, existem seis clubes de boxe da marca — em Lisboa na Avenida de Roma, Miraflores, Odivelas, Almada, Laranjeiras e no Estádio do Bessa no Porto — com uma média de 500 clientes ativos por espaço. A próxima abertura está prevista para a zona do Oriente, na capital.

A startup portuguesa que criou um saco de boxe inteligente foi distinguida pela revista Time como uma das 200 melhores invenções do ano 2023 e foi também responsável por levantar o maior investimento seed (inicial) em Portugal, no valor de dez milhões de euros, por causa dos seus “Bhout Bags” produzidos em Portugal.
Lançada no mercado no verão de 2021, esta startup integrou conhecimentos de psicologia, gamificação, nudging (Teoria da Arquitetura da Escolha) e tecnologia de vanguarda para criar um produto que está na fronteira entre um equipamento de fitness e uma consola de jogo. Atualmente, tem seis clubes desportivos para a prática de boxe, em Lisboa e no Porto.
A sociedade BHT, Unipessoal Lda. foi constituída ainda no final de 2019, data em que a equipa fundadora começou os testes ao produto a partir de uma garagem, mas a pandemia atrasou o desenrolar do negócio até 2021.
Em entrevista ao ECO, no ano passado, Mauro Frota falou sobre a expansão internacional, nomeadamente em Espanha, nos Emirados Árabes Unidos, no Reino Unido e nos Estados Unidos.
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