Emprego na banca atinge máximos desde a queda do BES
Bancos eliminaram 25% da força de trabalho em 15 anos, mas reverteram o processo e estão agora a contratar para áreas da tecnologia e para fazer face ao crescimento do negócio.
Depois de um longo período em reestruturação, o setor bancário está novamente numa fase de reforço dos seus quadros, num esforço para responder ao rápido crescimento do negócio, mas sobretudo para fazer face à necessidade de atrair talento na área das novas tecnologias.
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No final do ano passado, os bancos nacionais empregavam 51.636 trabalhadores, o que corresponde ao valor mais elevado desde o ano da resolução do BES, em 2014, de acordo com os dados divulgados recentemente pelo Banco Central Europeu (BCE).
Foi o terceiro ano seguido de aumento do número de empregos no setor, mas esta evolução não esconde a destruição massiva de postos de trabalho que ocorreu na década e meia anterior, no período mais turbulento da banca portuguesa, marcada por falências de bancos e milhões e milhões de euros em prejuízos.
Entre 2008 e 2022, foram eliminados 15 mil trabalhos, o equivalente a um quarto da força de trabalho que os bancos tinham antes da crise financeira global. A situação inverteu-se nos últimos três anos.
No ano passado, a banca doméstica adicionou 782 empregos em termos líquidos de saídas — muitos bancos mantêm programas de saídas voluntárias e reformas antecipadas. Portugal foi o quinto país onde o emprego no setor mais cresceu em 2025 – apenas Alemanha, Espanha, Polónia e Finlândia criaram mais do que Portugal, segundo os dados do supervisor europeu.
E isto num ano em que desapareceram mais de 13 mil empregos no setor a nível da Zona Euro — embora os grandes responsáveis por este decréscimo na região da moeda única sejam os bancos franceses, que apagaram quase 20 mil postos ao longo de 2025.
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Metade dos balcões desapareceu em 15 anos
Embora o emprego na banca doméstica tenha aumentado, o número de balcões continuou a cair no ano passado. No final de 2025 existiam 3.339 agências, menos 126 em relação ao ano anterior – em linha com que se verificou a nível do euro, onde encerraram 2096 agências.
Estes dados reforçam a tendência de redimensionado da rede comercial que se verifica há 15 anos de forma ininterrupta. Desde 2010 mais de 3.200 balcões fecharam as portas em Portugal, o que significa que metade dos balcões desapareceu em década e meia, afetando sobretudo as regiões do interior e com menos população.
Também significa que, se os bancos estão a contratar mais, não o estão a fazer para a frente do balcão, mas para outras áreas, sobretudo ligadas à tecnologia, e também para fazer face ao aumento do negócio bancário.
Foi justamente isto que levou o BPI a reforçar os seus quadros com mais 269 trabalhadores no ano passado, com o CEO João Pedro Oliveira e Costa a justificar essas contratações com o “processo de crescimento” do banco e a necessidade de “investimento em novas tecnologias”.
IA pode eliminar 200 mil empregos até 2030
As notícias são boas a nível do aumento do nível de emprego nos bancos, mas não disfarçam as perspetivas mais sombrias em relação ao impacto que a Inteligência Artificial poderá ter no setor financeiro.
Uma dessas previsões veio do Morgan Stanley: a aceleração significativa da adoção de ferramentas de IA pelos bancos e uma maior oferta de serviços online poderão provocar o desaparecimento de até 200 mil postos de trabalho no setor bancário europeu, cerca de 10% da força de trabalho.
O banco americano apontou mesmo as áreas mais sensíveis e onde os cortes são mais prováveis: serviços centrais, back office, funções administrativas, risco e compliance.
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