⛽ Governo aumenta apoios no ISP com subida dos combustíveis

Pela primeira vez o Brent para entrega imediata foi negociado a um preço inferior ao dos contratos com entrega prevista até seis meses no futuro, um sinal de excesso de oferta no curto prazo.

O Governo vai voltar a alterar o desconto do Imposto sobre os Produtos Petrolíferos e Energéticos (ISP), tendo em conta a esperada subida dos preços do gasóleo e da gasolina na próxima semana. O apoio sobre o gasóleo sobe 0,54 cêntimos e sobre a gasolina 0,39 cêntimos.

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Na portaria publicada em Diário da República esta sexta-feira à tarde, o Governo explica que a partir de segunda-feira passam a vigorar descontos para o gasóleo rodoviário e gasolina que são de “30,34 euros e de 35,13 euros por 1.000 litros, respetivamente”. Há duas semanas que o apoio em vigor é de 24,86 euros para o gasóleo e 31,21 euros para a gasolina por cada mil litros.

Esta decisão resulta da “perspetiva de que na próxima semana se irá registar uma subida do preço do gasóleo rodoviário e da gasolina sem chumbo”, explica a portaria. De acordo com os dados do ACP, na próxima semana o diesel deverá subir três cêntimos e a gasolina dois.

O Executivo estabeleceu o limiar nos dez cêntimos de subida, para apoiar os combustíveis. O aumento de dez cêntimos é contabilizado a partir da semana de 2 a 6 de março, antes do ataque concertado dos Estado Unidos e de Israel ao Irão, que levou à disseminação do conflito pelo Médio Oriente e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Desde então, o diesel regista um aumento acumulado de 13,7 cêntimos e a gasolina de 17,3 cêntimos, sem ter em conta as previsões para a próxima semana.

Esta semana, o gasóleo desceu 1,2 cêntimos e a gasolina desceu 0,6 cêntimos, um comportamento ligeiramente diferente do antecipado pelo mercado, que apontava para uma estagnação dos preços. Um comportamento estranhado pela tutela e pelos consumidores, tendo em conta a descida dos preços da matéria-prima. O Executivo pediu à Entidade Nacional para o Setor Energético que analisasse os movimentos dos preços por não ver justificação para que os preços dos combustíveis demorem mais a descer do que a subir.

A ENSE apontou os custos fixos da refinação e a escassez de armazenagem na Europa como fatores para explicar uma redução mais lenta dos preços dos combustíveis face à descida da matéria-prima. Já a associação que representa as petrolíferas, a Epcol, rejeita a ideia de que os preços dos combustíveis subam mais rapidamente do que descem – é apenas de uma “perceção”, diz a associação ao ECO, frisando que está confiante de que não será encontrada “nenhuma irregularidade”.

Os contratos futuros do Brent, que servem de referência para o mercado europeu, estão esta sexta-feira a subir 0,44%, para 72,11 dólares por barril, e caminham para um ganho semanal de 0,08% — depois da descida de 10,65% na semana anterior. O mercado não está a mexer muito tendo em conta que estão fechados nos Estados unidos, em véspera do feriado nacional do 4 de julho, mas pela primeira vez o Brent para entrega imediata foi negociado esta semana a um preço inferior ao dos contratos com entrega prevista até seis meses no futuro, um sinal de que o aumento dos embarques através do Estreito de Ormuz provocou um excesso de oferta a curto prazo.

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