Quente demais para trabalhar? Ondas de calor baixam produtividade
Estudo da Allianz Research estima que produtividade por hora trabalhada reduz-se cerca de 1,3 dólares, por cada grau entre 30°C e 35º. França, Eslovénia, Austrália e Itália são os mais afetados.
A produtividade por hora trabalhada diminui cerca de 1,3 dólares, em paridade de poder de compra constante, por cada grau de temperatura entre os 30°C e os 35°C. A estimativa é da Allianz Research, que num estudo sobre o impacto económico das ondas de calor, aponta França, Eslovénia, Austrália e Itália como os países mais expostos.
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Na análise intitulada “Too hot to grow: The economic costs of extreme heat”, os economistas da Allianz Research explicam que o impacto do stress térmico, que ocorre quando o corpo não consegue manter a temperatura entre 36 e 37 graus°C, não é linear, existindo um limiar crítico em torno dos 30°C, acima do qual as perdas de produtividade se agravam acentuadamente.
“Abaixo deste nível, o aumento da temperatura reduz os custos de aquecimento e está associado a ganhos modestos de produtividade. Acima dos 30°C, esta relação inverte-se e ambos os efeitos se deterioram com cada grau adicional“, pode ler-se no relatório.
Entre os principais efeitos afeta o trabalho. “A produção por hora diminui cerca de 1,3 dólares (em PPC constante, o equivalente a aproximadamente 3% da produção horária média na nossa amostra de 2014–2024) por cada grau de temperatura entre os 30°C e os 35°C”, aponta o estudo, alertando como o stress térmico reduz a produtividade do trabalho através de mecanismos fisiológicos, cognitivos e relacionados com a qualidade do sono.
Segundo os economistas, França, Eslovénia, Austrália e Itália são os países mais afetados, com reduções da produção por hora que podem atingir entre um e três dólares nos casos de maior exposição, enquanto Reino Unido, Finlândia, Irlanda, Nova Zelândia e Canadá, cujas temperaturas permanecem abaixo do limiar dos 30°C, registam ganhos modestos de produtividade.
França, Eslovénia, Austrália e Itália são os países mais afetados, com reduções da produção por hora que podem atingir entre um e três dólares nos casos de maior exposição, estima a Allianz Research. Reino Unido, Finlândia, Irlanda, Nova Zelândia e Canadá, cujas temperaturas permanecem abaixo do limiar dos 30°C, registam ganhos modestos de produtividade.
Os economistas assinalam que os ajustamentos salariais acompanham a produtividade com algum desfasamento temporal, pelo que, no curto prazo, a rentabilidade das empresas tende a ser especialmente afetada.
De acordo com as estimativas da Allianz Research, a percentagem de horas de trabalho perdidas devido ao stress térmico aumentou de 1,4% em 1995 para 2,2% em 2030, com impactos muito mais expressivos nas regiões já sujeitas a temperaturas elevadas — 5,3% no Sul da Ásia e 4,8% na África Ocidental — e praticamente o dobro das perdas mesmo em regiões tradicionalmente menos expostas.
Em muitas regiões, as temperaturas noturnas estão a aumentar mais rapidamente do que as diurnas, o que levou a um aumento de cerca de 6% no tempo de sono perdido entre 2020 e 2024, face à média de 1986–2005, atingindo um máximo histórico de 8,7% em 2024. Nas zonas mais afetadas, este fenómeno traduz-se em até 12 horas adicionais de perda de sono por pessoa e por ano.
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