“Multibanco + Perto” arranca em 30 freguesias e quer chegar a 700 mil pessoas

  • Joana Abrantes Gomes
  • 6 Julho 2026

O projeto-piloto teve início esta segunda-feira numa freguesia de Bragança, o distrito mais afetado pela falta de serviços bancários: apenas 25 das suas 236 freguesias têm multibanco nas proximidades.

O projeto-piloto de um “multibanco social” arrancou esta segunda-feira com o objetivo de garantir o acesso a serviços bancários essenciais às populações que vivem em localidades sem qualquer ponto de atendimento bancário próximo.

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O Ministério da Economia e da Coesão Territorial adianta, em comunicado, que o projeto ‘Multibanco + Perto’ vai disponibilizar terminais de pagamento automático digitais (SmartPOS) que “permitem a realização de 90% das operações disponíveis nas caixas Multibanco e que são as mais utilizadas pela população em geral”, nomeadamente a disponibilização de dinheiro em numerário, pagamento de serviços (como por exemplo pagar contas da luz ou da água) ou ao Estado, carregamento de telemóveis e de títulos de transporte, e ainda consultas de saldo e movimentos.

O primeiro protocolo para uma destas máquinas foi assinado esta segunda-feira na freguesia de Tó, no concelho de Mogadouro. As cerca de duas centenas de habitantes desta localidade do distrito de Bragança tinham de fazer 18 quilómetros até à sede do município para poderem levantar dinheiro, mas, com este projeto, basta agora deslocarem-se à sede da Junta de Freguesia para fazerem essa operação.

Outro detalhe desta solução tecnológica – uma parceria do Governo com o Banco de Portugal, a SIBS e a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) – é a possibilidade de se deslocar ao encontro de pessoas com restrições de mobilidade, que podem, assim, aceder a estes serviços sem sair de casa.

Ainda esta semana, os terminais ficam disponíveis em várias freguesias do concelho de Mértola (Beja), nomeadamente em São Miguel do Pinheiro, São Pedro de Solis e São Sebastião dos Carros, Espírito Santo e Santana de Cambas, e, depois, também na Coriscada, em Mêda (distrito da Guarda).

Estas são algumas das freguesias identificadas pelo Banco de Portugal, num relatório divulgado em 2022, com uma cobertura crítica da rede de caixas automáticos. Bragança é, na verdade, o distrito mais afetado pela falta de serviços bancários: das suas 236 freguesias, apenas 25 dispõem de serviços bancários e de pagamento nas proximidades.

A fase piloto do projeto, que abrange até 30 freguesias, servirá para avaliar a potencial expansão e a forma como será levada a cabo em muitas outras que posteriormente queiram aderir ao projeto. Ao todo, são 1.276 as freguesias (41% do total) que não têm disponíveis serviços bancários a menos de 5, 10 ou 15 quilómetros, afetando cerca de 740 mil pessoas.

“O ‘Multibanco + Perto’ responde diretamente a este desafio, permitindo uma cobertura nacional que visa assegurar o acesso a serviços financeiros à quase totalidade da população portuguesa, garantindo que praticamente todos os residentes em Portugal possam vir a dispor de meios seguros, modernos e acessíveis para realizar operações bancárias essenciais”, lê-se no comunicado do ministério tutelado por Manuel Castro Almeida.

De acordo com a tutela, as juntas de freguesia serão responsáveis pela gestão da utilização destes terminais, bem como pela disponibilização da liquidez necessária para assegurar o levantamento de dinheiro pelas populações que pretendam recorrer a este serviço.

“Este projeto é uma solução inovadora que leva às populações do interior do país a tecnologia que lhes permite ter acesso a um serviço que lhes estava distante, o que fortalece a coesão social e territorial”, afirma o ministro Manuel Castro Almeida.

No entanto, conforme já foi veiculado pelo próprio Governo, há freguesias cuja solução poderá passar pela disponibilização de um caixa automático à população, mas tal resultará da avaliação feita a partir do projeto-piloto agora implementado.

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