Ligação elétrica entre Portugal e Marrocos está “em cima da mesa”, diz ministra
Portugal e Espanha defenderam ainda um reforço do orçamento europeu para a energia e pediram "especial atenção" às interligações elétricas com França.
Portugal e Espanha defenderam esta segunda-feira um reforço do orçamento europeu para a energia, e pediram “especial atenção” às interligações elétricas com França, devido ao baixo nível de ligação da Península Ibérica ao mercado europeu. Em paralelo, a ministra portuguesa com a pasta da Energia afirmou que Portugal vai analisar a viabilidade de uma ligação elétrica a Marrocos, à semelhança da que Espanha já tem.
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A posição foi transmitida em Paris pela ministra do Ambiente e Energia, no final da reunião ministerial sobre o programa de interligações energéticas para o sudoeste da Europa, que juntou representantes de Portugal, Espanha, França, Comissão Europeia e uma delegação alemã.
No final do encontro, Maria da Graça Carvalho disse aos jornalistas que a reunião “correu bem”, tendo ficado acordada uma nova reunião técnica em setembro, com o mesmo grupo de trabalho. A governante adiantou ainda que o tema das interligações estará nas agendas das próximas cimeiras bilaterais Portugal-França e Espanha-França, cujas datas ainda não são conhecidas, dando continuidade à discussão “ao mais alto nível”.
“Portugal e Espanha pediram à Comissão Europeia uma especial atenção da União, não só da Comissão, mas do Parlamento e dos próprios colegas do Conselho Europeu“, afirmou Maria da Graça Carvalho.
Segundo a ministra, o pedido surge no momento em que está em discussão “o próximo quadro comunitário de apoio, o próximo orçamento para a União Europeia”, no qual Portugal e Espanha defendem uma prioridade reforçada para a energia.
Maria da Graça Carvalho disse ter defendido “uma grande prioridade da área de energia em geral e, em especial, às redes elétricas e interconexões, nomeadamente a interconexão entre França, Espanha e Portugal“.
A ministra afirmou ainda ter chamado a atenção do comissário europeu para a Energia e Habitação, Dan Jørgensen, para a situação específica da Península Ibérica, que classificou como uma “ilha” do ponto de vista energético.
Maria da Graça Carvalho recordou que a questão foi mencionada “numa cimeira da Figueira da Foz”, quando Durão Barroso era primeiro-ministro. “Continuamos com uma interligação entre a França e a Península Ibérica de 3,1%”, afirmou, defendendo que Portugal tem gerido o sistema elétrico nacional “com as dificuldades de uma ilha”.
Nesse sentido, defendeu que essa situação justifica apoio europeu adicional para Portugal e Espanha, à semelhança do que acontece com países e territórios insulares.
Questionada sobre os exemplos que tinha em mente, a ministra referiu Irlanda, Malta e Chipre, bem como regiões ultraperiféricas, onde existem derrogações associadas à gestão de sistemas elétricos em contexto insular. “Os problemas que há em gerir um sistema elétrico numa ilha são diferentes do que num mercado interno mais alargado“, afirmou.
A governante disse ainda que Portugal pediu à Comissão Europeia “especial atenção no financiamento do armazenamento”, das “flexibilidades” e do “reforço da rede elétrica”. Questionada sobre a abertura do comissário europeu aos argumentos de Portugal e Espanha, respondeu: “Pareceu-me sensível”.
A ministra acrescentou que Dan Jørgensen manifestou disponibilidade para defender um orçamento europeu mais ambicioso para a energia, embora tenha lembrado que essa decisão não depende apenas dele. Sobre a interligação com França, reconheceu que é “uma ligação que é cara” e que tem “alguns impactos ambientais”, mas defendeu que os projetos são possíveis quando existe acompanhamento político e diálogo com as populações.
A ministra deu como exemplo a ligação Minho-Galiza, inaugurada na semana passada, que disse ter sido concluída em “um ano e onze meses”, depois de negociações com autarquias, compensações e alterações de traçado. “Não é fácil fazer uma linha de interligação como nós fizemos. Mas isto mostrou que é possível fazer”, concluiu. “Estamos à espera há muito tempo e esperamos que agora seja mais rápido”, concluiu, referindo-se às interligações com França.
Ligação elétrica entre Portugal e Marrocos está “em cima da mesa”
“Uma das questões que está em cima da mesa é a viabilidade de uma ligação elétrica a Marrocos, como a Espanha tem”, afirmou a governante, em declarações aos jornalistas em Paris, após a reunião ministerial sobre o programa de interligações energéticas para o Sudoeste da Europa, dedicada às ligações energéticas entre Portugal, Espanha e França.
Maria da Graça Carvalho disse que irá receber “dentro de dias” a ministra da Energia de Marrocos em Lisboa, encontro em que será analisada a possibilidade de Portugal vir a ter uma ligação elétrica àquele país.
“Temos que fazer aqui uma análise de custo-benefício, mas é isso que queremos fazer, exatamente para ver as vantagens de estarmos também ligados a Marrocos”, afirmou. A possibilidade de uma ligação elétrica entre Portugal e Marrocos já tinha sido colocada em 2016, quando os dois países lançaram o concurso para o estudo de viabilidade técnico-financeira de uma interligação por cabo submarino.
Na altura, durante o primeiro Governo socialista de António Costa, o então ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e o ministro da Energia, Minas, Água e Ambiente de Marrocos, Abdelkader Amara, assinaram uma declaração de princípios na área da eletricidade e do gás natural, numa cerimónia em Lisboa em que esteve também presente o então secretário de Estado da Energia, Jorge Seguro Sanches.
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