Rendibilidade das empresas sobe para 9,5% no primeiro trimestre
Resultados mais robustos, financiamentos mais baratos e maior autonomia financeira marcam o início de 2026 para as empresas nacionais, segundo dados oficiais do Banco de Portugal.
- A rendibilidade das empresas nacionais atingiu 9,5% no primeiro trimestre de 2026, aproximando-se do máximo histórico de 9,7% registado em 2023.
- O aumento da rendibilidade foi mais significativo nos setores do comércio e das sedes sociais, refletindo um crescimento do EBITDA e mais-valias na alienação de participações.
- Os indicadores mostram uma melhoria na rendibilidade, autonomia financeira e custo do financiamento, sinalizando uma menor pressão financeira sobre as empresas.
A rendibilidade das empresas portuguesas atingiu 9,5% no primeiro trimestre de 2026, um valor que se aproxima do máximo histórico de 9,7%, registado no terceiro trimestre de 2023. Os dados constam da nota de informação estatística sobre as estatísticas das empresas da central de balanços, divulgada esta segunda-feira pelo Banco de Portugal.
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O indicador, medido pela relação entre os resultados antes de amortizações, depreciações, juros e impostos (EBITDA) e o total do ativo, subiu 0,4 pontos percentuais (pp) em relação ao período homólogo, mantendo-se “num nível historicamente elevado”, destacam os técnicos do banco central.
O crescimento da rendibilidade foi mais expressivo nos setores do comércio e das sedes sociais, com subidas de 0,9 pp e 0,7 pp, respetivamente. No comércio, o Banco de Portugal atribui a evolução a um aumento do EBITDA justificado por “um crescimento do volume de negócios superior ao dos gastos”.
Nas sedes sociais, o efeito resultou da geração de mais-valias associadas à alienação de participações de capital, refere o banco central. Já a rendibilidade das empresas públicas fixou-se em 7%, um acréscimo de 0,7 pp face ao ano anterior.

Os dados do Banco de Portugal revelam ainda que o ativo das empresas foi financiado em 45,7% por capitais próprios, um valor superior em 0,4 pp ao registado no mesmo período de 2025.
Segundo o Banco de Portugal, este aumento decorreu “da incorporação dos resultados do ano corrente nos capitais próprios das empresas”. Na análise por classe de dimensão, a autonomia financeira das pequenas e médias empresas subiu de 45,6% para 46,3%, enquanto nas grandes empresas recuou de 41,1% para 41%.
Além disso, o custo dos financiamentos obtidos pelas empresas continuou a diminuir, fixando-se em 4,3%, contra 4,8% no primeiro trimestre de 2025. Esta redução reflete a tendência de descida das taxas de juro iniciada em meados de 2024, transversal a todos os setores de atividade e classes de dimensão.
Em paralelo, a cobertura dos gastos de financiamento, que quantifica quantas vezes o EBITDA gerado supera esses gastos, subiu de 7 para 8,2 vezes, um sinal, segundo o Banco de Portugal, de “menor pressão financeira” sobre as empresas.
No conjunto, os indicadores da central de balanços relativos ao primeiro trimestre de 2026 traduzem uma melhoria simultânea da rendibilidade, da autonomia financeira e do custo do financiamento das empresas nacionais. A próxima atualização destas estatísticas está agendada para o dia 8 de outubro de 2026.
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