Bruxelas financia-se em 11 mil milhões em sétima emissão de dívida sindicada do ano
Com mais uma emissão de 11 mil milhões destinada a recuperar a economia e a apoiar a Ucrânia, o saldo de dívida da União Europeia sobe para mais de 827 mil milhões de euros.
A Comissão Europeia voltou esta terça-feira aos mercados de dívida, captando 11 mil milhões de euros numa nova emissão de obrigações da União Europeia na sétima operação sindicada deste ano, por forma a reforçar a almofada de financiamento para prioridades como o apoio à Ucrânia, a defesa europeia e o programa de recuperação NextGenerationEU.
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A operação consolida a curva de dívida da União e dá continuidade a uma estratégia de financiamento que, na segunda metade do ano, prevê levantar cerca de 80 mil milhões de euros junto dos investidores internacionais.
Os fundos obtidos através das emissões da União Europeia são utilizados para apoiar as prioridades políticas da União Europeia, incluindo o apoio a uma Europa mais forte, mais competitiva e resiliente, o apoio à Ucrânia e investimentos cruciais na defesa europeia.
Nesta transação, a Comissão Europeia revela que colocou uma nova obrigação a cinco anos, no montante de 6 mil milhões de euros, com maturidade a 13 de outubro de 2031, e reabriu uma linha a 20 anos, acrescentando 5 mil milhões de euros ao título que vence a 12 de outubro de 2046, explicando que ambas foram “cotadas contra pontos de referência na curva de obrigações da União Europeia”, tirando partido da liquidez acumulada deste emissor supranacional.
- A nova linha a cinco anos foi emitida com uma taxa de cupão de 2,875% e uma yield de 2,947%, traduzido num preço de 99,662% do valor nominal, com um spread de 10 pontos base face à obrigação da União Europeia que vence em outubro de 2030. Segundo a Comissão Europeia, este diferencial corresponde “a um spread de 11,9 pontos base sobre a taxa mid-swap, 26 pontos base acima da obrigação alemã (Bund) com vencimento em abril de 2031 e 9,8 pontos base abaixo da obrigação francesa (‘OAT’) com vencimento em maio de 2031”, numa emissão que recebeu ordens superiores a 83 mil milhões de euros, o que representa uma procura cerca de 13,8 vezes superior à oferta.
- Já a linha a 20 anos, com uma taxa de cupão de 4%, foi colocada no mercado com uma yield de 4,018% e o preço fixou‑se em 99,759% do valor nominal. O preço desta emissão traduz-se num spread de 6 pontos base sobre a obrigação da União Europeia que vence em outubro de 2045, “o que equivale a um diferencial médio de 76,7 pontos base” acima da taxa mid-swap e 55,5 pontos base sobre o Bund de agosto de 2046.” E também nesta operação a procura foi robusta, com um livro de ordens superior a 94 mil milhões de euros, ou cerca de 18,8 vezes a oferta disponível.
Bruxelas revela ainda que “os fundos obtidos através das emissões da União Europeia são utilizados para apoiar as prioridades políticas da União Europeia, incluindo o apoio a uma Europa mais forte, mais competitiva e resiliente, o apoio à Ucrânia e investimentos cruciais na defesa europeia”.

Em paralelo, a Comissão Europeia recorda que, desde janeiro de 2023, a União Europeia passou a financiar os diferentes programas “emitindo obrigações com uma única marca, as EU‑Bonds, em vez de obrigações específicas por programa”, complementadas por EU‑Bills de curto prazo e por obrigações verdes destinadas a financiar a componente ambiental do plano de recuperação.
Com esta operação, “o total de dívida em circulação da União Europeia situa‑se em cerca de 827,16 mil milhões de euros, dos quais 41,5 mil milhões de euros sob a forma de EU‑Bills e 84,2 mil milhões de euros sob a forma de obrigações verdes NextGenerationEU”.
A Comissão Europeia, que combina emissões por leilão com operações sindicadas para garantir flexibilidade e eficiência de custos, lembra ainda que todo o endividamento é garantido pelo orçamento da União Europeia, sendo as contribuições dos Estados‑membros “uma obrigação jurídica incondicional ao abrigo dos Tratados da União Europeia”, uma salvaguarda que ajuda a sustentar o apetite dos investidores por estes títulos numa fase em que a União reforça a sua presença nos mercados globais de capitais.
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