Em plena onda de calor, preços da eletricidade grossista estão num sobe e desce. Esta semana aquecem
Os preços da eletricidade grossista têm vindo a oscilar nas últimas três semanas. Esta semana, os futuros apontam para uma subida.
Os preços da eletricidade no mercado grossista, onde produtores vendem a eletricidade às comercializadoras e grandes industriais, têm oscilado nestas três semanas, as últimas duas marcadas por uma onda de calor que está a assolar o país. Ao longo desta semana, a previsão é de que os preços subam.
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O Governo português declarou “situação de alerta em todo o território continental” de Portugal, devido a uma onda de calor que está a assolar vários países da Europa. O alerta iniciou-se na meia-noite de quinta para sexta-feira, e termina às 23h59 de segunda-feira, 6 de julho. No sábado, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, indicou que possivelmente vai prolongar-se ao longo desta semana.
Apesar de o estado de alerta ter sido lançado na semana passada, na semana anterior, de 22 a 28 de junho, registaram-se preços mais elevados. Em média, nessa semana, os preços cifraram-se nos 87,37 euros por MWh, segundo a empresa especializada em mercados de energia AleaSoft. Registou-se ainda um pico de 112,42 euros por MWh a 23 de junho, o valor diário mais alto no mercado ibérico (Mibel) desde março de 2026, segundo o OMIE.
“Seguiu-se um vale”, ou seja, os preços desceram até um patamar inferior, relata Pedro Amaral Jorge, o presidente do OMIE e OMIP, as plataformas de negociação de eletricidade nos mercados à vista e a prazo na Península Ibérica. A semana de 29 de junho a 5 de julho fechou com uma média de preço de 63,20 euros por MWh, segundo os índices do OMIP, com o mercado a perder mais de metade do valor entre 30 de junho (95,35 euros por MWh) e 2 de julho (46,79 euros por MWh). As oscilações no preço, indica Pedro Amaral Jorge, relacionam-se comummente com a disponibilidade de renováveis para suprir o consumo existente, pelo que uma maior produção renovável para o nível de consumo poderá estar por detrás deste alívio nos preços.
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Esta semana, o mercado regressa às subidas: os futuros do OMIP marcam cerca de 100 euros por MWh e, a 6 de julho, o índice diário fixou 100,55 euros por MWh em Espanha e 112,87 euros por MWh em Portugal. “Para esta semana, de 5 a 11 de julho, os futuros marcam um preço claramente acima da semana passada”, frisa Pedro Amaral Jorge. Além disso, o produto de mercado que cobre esta semana, com entrega de 6 a 12 de julho, fechou a sessão de sexta-feira cerca de 14% acima da média realizada na semana de 22 a 28 de junho. “A expectativa subiu com a nova vaga de calor”, indica Pedro Amaral Jorge.
A 6 de julho, os contratos diários do resto da semana negociavam entre 107,73 euros por MWh, na terça-feira, e os 90,57 euros por MWh, correspondentes ao próximo sábado. Esta segunda-feira foi ainda visível alguma diferença entre os países vizinhos: fixou-se um preço de 100,55 euros por MWh em Espanha e 112,87 euros por MWh em Portugal. A diferença de 12,32 euros por MWh, explica o presidente do OMIP, reflete a saturação da interligação, com Portugal, no pico da sua onda de calor, a pagar um prémio sobre Espanha.
Para esta semana, de 5 a 11 de julho, os futuros marcam um preço claramente acima da semana passada. A expectativa subiu com a nova vaga de calor.
Os preços da eletricidade no mercado grossista, na semana da onda de calor, são pressionados pelo aumento da procura, “sobretudo pela climatização”, indica o líder do OMIP e OMIE. “Ao anoitecer, quando a produção solar desaparece, são os ciclos combinados a gás que fixam o preço, e o gás europeu mantém-se caro num contexto de tensão geopolítica no Médio Oriente”, detalha. Durante o dia, a produção solar tem vindo a bater recordes, dando azo a grandes contrastes. No domingo, 5 de julho, registaram-se preços ligeiramente negativos ao início da tarde, com a ajuda da produção solar; já na ausência de sol, no período da noite, registou-se um máximo diário de 160,32 euros por MWh, pelas 23 horas.
Além dos fatores já referidos, a contribuir para os preços recentes esteve uma fraca produção hídrica – o índice de produtibilidade em junho foi de 0,54, contra uma média histórica de 1, segundo a REN, “o que retirou flexibilidade barata ao sistema”.
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