Juros do BCE vão subir menos do que o mercado espera, vaticina Blackrock
A maior gestora de ativos do mundo considera que os mercados estão a exagerar nas apostas de subidas de juros e vê margem para o BCE ser menos agressivo do que muitos investidores antecipam.
- A Blackrock alerta que os mercados estão a exagerar nas expectativas de subidas de juros pelo Banco Central Europeu, considerando-as excessivamente otimistas.
- A gestora destaca que a economia europeia enfrenta pressões inflacionistas devido a custos energéticos elevados, mas os fundamentos estruturais não justificam um ciclo de aperto monetário tão agressivo.
- Embora mantenha uma visão positiva sobre a dívida empresarial europeia, a Blackrock adverte que os diferenciais de crédito apertados podem limitar as oportunidades e aumentar os riscos para os investidores.
A Blackrock considera que os mercados estão a exagerar nas apostas de subidas de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE), mesmo depois de um novo choque energético ter afastado a inflação da meta de 2% na região.
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No outlook para a segunda metade de 2026, a maior gestora de ativos do mundo escreve que, “embora o BCE pareça menos disposto a ignorar o recente choque energético, à medida que a inflação se afasta da meta de 2%, as expectativas do mercado quanto a subidas de juros parecem excessivamente hawkish“, acrescentando que “os mercados estão a fixar preços que implicam taxas de política monetária restritivas de cerca de 3% durante vários anos”, algo que os analistas consideram “exagerado”.
Esta avaliação surge num contexto em que a economia europeia enfrenta pressões inflacionistas renovadas, associadas a custos energéticos mais elevados, mas onde a Blackrock acredita que os fundamentos estruturais do continente não justificam um ciclo de aperto monetário tão agressivo como o refletido nos preços de mercado.
A Blackrock revela estar “sobreponderada em obrigações de curto e médio prazo da área do euro”, refletindo a expectativa de que os juros de longo prazo na Europa terão menos espaço para subir de forma sustentada do que os seus equivalentes americanos.
A gestora norte-americana de Larry Fink sustenta que “o perfil de crescimento mais fraco da Europa e o enquadramento orçamental mais limitado deverão conter a pressão em alta sobre os prémios de prazo, em comparação com os EUA”, uma diferença que decorre diretamente do ritmo mais lento de expansão económica na área do euro face à economia norte-americana.
É precisamente esta divergência macroeconómica entre as duas margens do Atlântico que sustenta a preferência da Blackrock por dívida da área do euro em detrimento de obrigações norte-americanas.
A gestora afirma que continua “a favorecer a duração da área do euro face aos EUA, com particular preferência pela parte curta e intermédia da curva”, sublinhando mesmo estar “sobreponderada em obrigações de curto e médio prazo da área do euro”, uma opção que reflete a expectativa de que os juros de longo prazo na Europa terão menos espaço para subir de forma sustentada do que os seus equivalentes americanos.
Do lado do crédito, a gestora mantém uma preferência clara pela dívida empresarial europeia, sustentada por fundamentos sólidos do tecido empresarial do continente.
Segundo a Blackrock, esta convicção assenta em “balanços saudáveis do setor empresarial, taxas de incumprimento contidas e a procura contínua das famílias por rendimento durável”, sendo que a preferência se estende ainda à dívida de maior risco: a casa diz favorecer “dívida de alto rendimento com melhor notação, tanto nos EUA como na Europa, face à dívida com grau de investimento”, ampliando assim o universo de oportunidades para quem procura rendimento acima da dívida soberana tradicional.
Esta visão positiva não é isenta de reservas. A Blackrock reconhece que “os diferenciais de crédito apertados deixam pouca margem para erro caso os fluxos de caixa enfraqueçam, as janelas de refinanciamento se estreitem ou a liquidez se esgote”, um aviso que serve de contraponto ao otimismo generalizado sobre o crédito europeu e que reforça a necessidade de seleção criteriosa por parte de quem investe nesta classe de ativos.
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