Le Pen anuncia candidatura às presidenciais francesas de 2027
Antiga líder da Frente Nacional foi condenada a três anos de prisão, dois com pena suspensa e um com pulseira eletrónica. Le Pen vai recorrer da sentença e entrar na corrida ao Eliseu.
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, anunciou esta terça-feira que será candidata às eleições presidenciais do país em 2027, apesar da condenação por utilização indevida de fundos da União Europeia, da qual vai recorrer da sentença.
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“Como tenho a possibilidade de recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça [Cour de Cassation], o que não acontecia necessariamente noutros cenários. Como esse recurso suspende os efeitos da decisão do Tribunal de Recurso, farei campanha sem pulseira eletrónica“, afirmou a líder do Rassemblement National (RN), em entrevista à estação televisiva TF1.
As declarações ocorrem depois de sentença que confirmou a sua condenação ter sido conhecida durante a manhã desta terça-feira e que determinou três anos de prisão, dois deles com pena suspensa e um com pulseira eletrónica. O tribunal de recurso francês reduziu, contudo, o período durante o qual fica impedida de exercer cargos públicos, permitindo desta forma que se candidate ao Eliseu.
Le Pen garantiu à estação televisiva que não vai “mudar de ideias”, negando “qualquer dúvida” de que fará campanha sem pulseira eletrónica, uma vez que, explicou, vai recorrer da sentença para o mais alto tribunal francês. “Considero que duas instâncias judiciais podem cometer o mesmo erro“, defendeu, explicando que o objetivo passa por “esgotar todas as vias de recurso” ao dispor para se defender.
Como tenho a possibilidade de recorrer para o Supremo Tribunal de Justiça [Cour de Cassation], o que não acontecia necessariamente noutros cenários, e como esse recurso suspende os efeitos da decisão do Tribunal de Recurso, farei campanha sem pulseira eletrónica.
A decisão do tribunal de recurso determina que Le Pen fica impedida de exercer cargos públicos durante 45 meses, dos quais 30 meses têm execução suspensa. No entanto, na prática, isto significa que poderá candidatar-se às eleições presidenciais de abril do próximo ano, uma vez que já cumpriu a maior parte dos 15 meses de inelegibilidade efetiva, contados desde a decisão proferida no ano passado.
A líder do grupo parlamentar do RN prometeu ainda que Jordan Bardella será primeiro-ministro caso seja eleita nas presidenciais. “Esta dupla tem uma verdadeira solidez. É muito forte nas suas convicções e na experiência de trabalharmos juntos há vários anos”, disse.
O atual presidente do RN desde 2022 e eurodeputado lidera as sondagens a menos de um ano das eleições francesas e era dado como certo na corrida ao Eliseu caso Le Pen não avançasse na candidatura. “Jordan Bardella e eu vamos iniciar muito em breve esta campanha presidencial”, afirmou a líder da extrema-direita.
Em março de 2025, a antiga líder da Frente Nacional foi condenada por desvio de fundos públicos europeus, na qualidade de deputada ao Parlamento Europeu, e de cumplicidade em desvio enquanto presidente do partido, e proibida, com efeitos imediatos, de exercer cargos públicos durante cinco anos.
(Notícia atualizada às 19h45)
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