Portugal tem dinheiro para investir mas falta “capital inteligente”, defende CEO da Bright Pixel

  • Lusa
  • 7 Julho 2026

João Günther Amaral considera que Portugal não tem falta de capital para investir em startups, mas sim de "capital inteligente" capaz de ajudar as empresas a crescer e a ganhar escala internacional.

Portugal tem capital disponível para investir em ‘startups’, mas falta capital suficientemente inteligente para apoiar o crescimento das empresas, defendeu o presidente executivo (CEO) da Bright Pixel, João Günther Amaral, em entrevista à Lusa. “Eu não diria que há falta de capital para investir em Portugal, há capital para investir em Portugal”, afirmou Amaral, referindo-se aos fundos SIFIDE (Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial) e ao dinheiro injetado pelo Estado.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

O presidente executivo disse duvidar de que esse capital seja “o capital mais inteligente que possa haver”. “É que o capital que existe tem que ser um capital suficientemente inteligente para ajudar as empresas a crescer e a ganhar a tração necessária“, acrescentou.

De acordo com o CEO, é preciso “encontrar tração em mercados internacionais”, considerando que “o mercado português é um mercado pequeníssimo”. “Eu se montar uma empresa para ser bem sucedida em Portugal, essa empresa vai necessariamente ser sempre uma empresa pequena”, disse o responsável.

“Se eu apenas puser dinheiro e não puser mais nada na empresa em que investi, estou a competir com outros apenas por colocar dinheiro”, acrescentou. Para o CEO, o capital inteligente vai mais além que capital tradicional, não se foca apenas em dinheiro, mas traz uma série de outras mais-valias adicionais que ajudam o negócio a crescer.

“O capital inteligente é eu ter acesso a ‘advisors’ (conselheiros), ter dentro da minha própria equipa gente que pode ajudar as empresas a crescer, a desenvolver-se de forma diferente (…) que me possam validar o conceito, ajudar a co-desenhar a solução, que possam inclusivamente ser parceiros comerciais das soluções que as empresas desenvolvem e por aí fora”, afirmou.

“Portanto, é tudo aquilo que eu puder acrescentar ao simples ato de pôr capital numa empresa”, acrescentou. Sobre o conceito de parceiro de’ design’ (design partner, em inglês), Amaral crê “que não cativa muito o ter um cliente, mas ter aquilo a que se chama um ‘design partner'”.

“O parceiro com quem eu vou desenhar a solução para a primeira implementação, ou para a segunda, ou para a terceira, ou para melhorar a minha solução, isso é algo muito interessante”, disse. “O aumento do valor do capital vem por aí”, resumiu.

João Günther Amaral reforçou o facto de não existir uma escassez de capital no mercado, afirmando ainda que o fundo compete para poder investir nas empresas. Não é chegar a qualquer empresa que se identifica como sendo boa e dizer: eu tenho aqui capital, portanto vou poder entrar no vosso capital”, disse o presidente executivo.

Segundo o CEO, “há muitas empresas muito boas que conseguem muito mais capital do que aquilo que necessitam”, pelo que a Bright Pixel tem de se destacar pelo capital inteligente.

“Isto parece contranatura, isto parece estranho termos que convencer alguém a querer o nosso dinheiro, mas em muitos mercados, neste momento, o termo não é existir capital”, disse o responsável.

“Eu acho que o potencial deste país é enorme”

Portugal precisa de criar uma comunidade semelhante à existente na Bay Area de São Francisco onde os empreendedores se cruzam diariamente, disse o CEO da Bright Pixel. “Eu acho que o potencial deste país é enorme e tem tido uma capacidade de atração de talento ímpar”, afirmou Amaral.

O CEO, descreveu o ambiente na Bay Area como uma comunidade onde os empreendedores se cruzam diariamente e tomam cafés ou partilham refeições. “Uma pessoa vai a São Francisco e vai à Bay Area e há uma comunidade enorme de gente que se conhece e de gente que se cruza quando vai à natação, quando vai ao ginásio, quando vai ao café, quando toma o pequeno-almoço, quando deixa os filhos na escola”, disse João Günther Amaral, acrescentando que ali “encontra-se gente de todas as empresas, de todas as áreas e convivem no dia-a-dia uns com os outros”.

Portugal, para o responsável da Bright Pixel, ainda se encontra na fase de criar espaços para forçar estes encontros com pessoas de diferentes áreas de negócio, com o intuito de estimular o empreendedorismo.

“Nós ainda estamos na fase onde temos de criar as ‘startups’ de Portugal, as fábricas de unicórnios, os UPTEC’s (Parque de Ciência e Tecnologia da Universidade do Porto), todas essas comunidades para que esta gente se encontre”, disse. O CEO referiu, todavia, que Portugal agrega uma grande quantidade de empreendedores de todo o mundo, cujas suas empresas são controladas a partir de Portugal.

“Portugal neste momento tem cá dentro uma quantidade de ‘founders’ (fundadores), de fundadores de ‘startups’ a nível mundial, sejam americanos, sejam da América do Sul, sejam europeus, gente que se mudou para cá e que vive em Portugal e opera as suas equipas e as suas empresas a partir daqui”, disse. “É impressionante a quantidade de gente que cá está”, acrescentou.

O presidente executivo afirmou ainda crer que a comunidade de investidores e fundadores de empresas de criptoativos em Portugal é uma das maiores do mundo. “A comunidade de cripto em Lisboa (…) é a maior a nível mundial, ou das maiores a nível mundial”, revelou o CEO apesar de admitir não conhecer de perto esta realidade. “Acho que há talento, as nossas universidades são excelentes e na minha perspetiva existe uma oportunidade muito grande em Portugal”, afirmou João Amaral.

“Há uma disrupção que está em curso neste momento”, disse o CEO, referindo-se ao impacto da inteligência artificial nos jovens recém-licenciados “à procura de primeiro emprego”, que considerou serem “o alvo mais afetado inicialmente pelas capacidades que hoje a inteligência artificial entrega”.

“São jovens altamente qualificados a ficarem em Portugal, a tornarem-se empreendedores e a criarem as suas empresas e tornando também Portugal num sítio que possa ser muito mais ativo na disrupção tecnológica que está a acontecer a nível mundial”, acrescentou.

A Bright Pixel investe a partir da conta de exploração da Sonae e recorre à estrutura da empresa para apoiar as empresas do seu portefólio.

A Bright Pixel é a sociedade de capital de risco (venture capital, em inglês) da Sonae, criada há dez anos e financiada exclusivamente pela mesma, que é o único parceiro limitado (‘limited partner’, em inglês) do fundo. Recentemente a Bright Pixel vendeu uma das empresas do seu portfólio, a Ona, à OpenAI, dona do ChatGPT, o valor da operação não foi revelado. A Ona é uma empresa norte-americana que permite que os agentes de inteligência artificial funcionem através de um ambiente integrado de desenvolvimento.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Portugal tem dinheiro para investir mas falta “capital inteligente”, defende CEO da Bright Pixel

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião