Seguradores querem base de dados para identificar quem comete fraudes no setor

Depois de terem sido detetadas fraudes de milhões de euros no comboio de tempestades, a associação que representa o setor pede uma base de dados com dados sobre as entidades que cometem fraude.

A Associação Portuguesa de Seguradores (APS) defende a criação de uma base de dados, semelhante à central de responsabilidades de crédito do Banco de Portugal para identificar quem comete fraude nos seguros, disponibilizando estes dados ao setor.

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Questionado sobre as tentativas de fraude nos pedidos de indemnização ligados aos danos causados pelo comboio de tempestades, José Galamba de Oliveira disse, em tom de ironia, que há “muita criatividade deste nosso povo”. “Temos de ter uma capacidade de, pelo menos, identificar estas situações e deveríamos — e nós defendermos na APS — ter capacidade de criar em Portugal uma base de dados de entidades ou de causadores de fraude“, defendeu no Fórum Nacional de Seguros, organizado pelo ECOSeguros na Alfândega do Porto.

“Como existe uma base de dados de risco no Banco de Portugal, para quem entra em default na área do crédito, deveríamos ter uma base de dados também de potencial de risco”, reforçou. “Temos de voltar a trazer este tema para a mesa por uma questão de coerência do sistema. No final do dia vão ser pagos por todos”, insiste.

Ainda sobre o comboio de tempestades, o presidente da APS lamentou que continue a existir um grande número de negócios e famílias sem seguro, alertando para a necessidade de alterar esta realidade.

Para o responsável, “a ideia de um Estado benfeitor”, que vai “assumir ou ajudar sempre que alguém tem um infortúnio”, não ajuda a esta mudança de mentalidade. “Temos é de sensibilizar a população que tem que tomar conta do seu património. Se tem património, tem também a possibilidade de tomar conta do seu património e não estar à espera de uma terceira entidade para fazer com ele”, argumenta.

Sobre a resposta do setor aos sinistros, José Galamba de Oliveira admitiu que se pode fazer melhor, mas “não há nenhuma organização preparada para este pico de sinistros”. Fazendo um ponto de situação, Galamba de Oliveira explica que, à data de 15 de junho, 85% das participações relativas a habitações estavam encerradas.

O presidente da APS explicou ainda que apesar de as habitações dizerem respeito a 80% a 85% dos sinistros, enquanto a parte dos negócios representa 10%, em termos de volume, a divisão é pela metade. No que diz respeito aos sinistros de empresas, o presidente da APS admite que 60% ainda não estão concluídos, referindo que se tratam de sinistros grandes e complexos.

José Galamba de Oliveira, Presidente da Associação de Portuguesa de Seguradores (APS), no Fórum Nacional de Seguros 2026Pedro Granadeiro/ECO

Menor crescimento nos seguros de saúde, mais no ramo vida

José Galamba de Oliveira assumiu ainda que o “ano está a correr bem” para o setor, com um crescimento dos prémios muito em linha com o ano passado, no qual o ramo não vida está a crescer quase 10%.

“A grande novidade é que ritmo de crescimento dos seguros de saúde é menor que em 2025 e que em 2024, com um crescimento de 8% a 9%”, explicou. “Há renovações todos os anos, mas o número de novos beneficiários não está a crescer tanto”. Já o ramo automóvel surge a crescer acima de 10%.

O ramo vida, acrescenta, está crescer acima valores ano passado. Uma subida explicada pelos seguros vida risco, que crescem mais de 10%, um efeito associado ao crédito à habitação. “É por aí que vem crescimento deste seguro”.

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