Fenprof pede demissão do ministro da Educação devido à polémica dos exames

  • Lusa
  • 8 Julho 2026

"O ministro, perante o que tem acontecido, não tem condições para exercer a função de ministro da Educação", afirma a Fenprof acerca da polémica em torno da correção dos exames.

A Fenprof acusou esta quarta-feira o Ministério da Educação de amadorismo no processo de classificação dos exames nacionais e exigiu soluções rápidas, defendendo que o ministro da Educação não tem condições para continuar no cargo. “O ministro, perante o que tem acontecido, (…) não tem condições para exercer a função de ministro da Educação”, disse um dos secretários gerais da Federação Nacional de Professores, Francisco Gonçalves.

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Em conferência de imprensa, no Porto, para marcar o lançamento de um abaixo-assinado contra as “graves deficiências verificadas no processo de classificação dos exames nacionais e suas consequências”, a Fenprof criticou a decisão do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) de alterar o processo de classificação dos exames, passando-o a formato digital com sistemas informáticos que têm apresentado problemas desde o início.

“Não somos nós que dizemos. Especialistas na área dizem que foi um processo feito com amadorismo e sem um plano de contingência. E os resultados estão à vista. E atenção: vamos ter, de certeza, o pedido de reapreciação de milhares de provas. Falamos aqui no dilatar de prazos, a 17 de julho ou 20 de julho, o processo não estará concluído”, acrescentou o também secretário-geral da Fenprof José Feliciano Costa.

Insistindo que Fernando Alexandre tem de assumir as responsabilidades políticas, a Fenprof alertou que a questão atual não está “só na pessoa, mas nas opções políticas”. “Tem de haver aí um recuo, tem de haver mudanças. O problema aqui não é a questão da mudança do ministro. O ministro pode sair. Se as políticas continuarem, ficamos todos na mesma”, disse José Feliciano Costa.

Pela primeira vez este ano, as provas dos 11.º e 12.º anos, que continuam a ser realizadas em papel, estão a ser corrigidas em formato digital, um processo que implica que sejam digitalizadas e só depois distribuídas pelos professores para serem avaliadas.

No entanto, nas últimas semanas, professores classificadores relataram atrasos na disponibilização das provas, erros na digitalização das folhas de resposta e problemas técnicos na plataforma de distribuição e classificação.

Na semana passada, o Governo anunciou o adiamento da divulgação dos resultados e da segunda fase dos exames nacionais devido aos problemas técnicos que, na segunda-feira, o ministro da Educação disse estarem resolvidos.

Mais de 5.700 pessoas já subscreveram uma petição em que pedem a anulação dos exames nacionais, sem prejuízo dos alunos, devido aos problemas no processo de correção, argumentando que as sucessivas falhas técnicas comprometem a validade das provas.

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