FMI prevê barril do petróleo nos 89 dólares este ano
Fundo Monetário Internacional projeta que os preços da energia vão continuar acima dos níveis pré-guerra, apontando para um preço médio do petróleo de 89 dólares por barril.
Os preços da energia deverão manter-se acima dos níveis registados antes da guerra no Médio Oriente. É pelo menos esta a previsão do Fundo Monetário Internacional (FMI), que projeta um preço médio do barril do petróleo bruto de 89 dólares este ano, cerca de 32% acima do registado em 2025.
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O cenário consta da atualização das Previsões Económicas Mundiais (WEO na sigla em inglês) divulgado esta quarta-feira pela instituição. No documento, o FMI projeta um preço médio do petróleo bruto cerca de 9% acima do pressuposto considerado no cenário de referência do WEO de abril.
Dando nota de que os cessar-fogos e o memorando de entendimento entre o Irão e os Estados Unidos contribuíram ao longo das últimas semanas para uma descida das cotações face aos máximos registados em abril, o FMI assinala, contudo, que os preços da energia mantêm-se cerca de 25% acima dos níveis anteriores ao início da guerra.
Neste sentido, explica que a curva de futuros do petróleo apresenta-se em backwardation, isto é, os preços à vista são superiores aos preços dos contratos de futuros, até ao final de 2026, refletindo as perturbações na oferta e o aumento do risco geopolítico.
Ainda assim, a curva de futuros aponta para um preço médio do petróleo de 78 dólares por barril, abaixo dos 82 dólares por barril considerados no cenário de referência do WEO de abril e bastante inferior aos 100 dólares por barril previstos no cenário adverso desse mesmo relatório.
O aumento relativamente moderado dos preços mundiais do petróleo explica-se pelo facto de parte da redução dos fluxos de crude através do Estreito de Ormuz ter sido compensada pela utilização das reservas existentes, limitando assim a necessidade de um ajustamento mais acentuado do consumo e da produção através dos preços.
“O aumento relativamente moderado dos preços mundiais do petróleo explica-se pelo facto de parte da redução dos fluxos de crude através do Estreito de Ormuz ter sido compensada pela utilização das reservas existentes, limitando assim a necessidade de um ajustamento mais acentuado do consumo e da produção através dos preços“, aponta o FMI.
Contudo, esta visão global esconde diferenças significativas entre países. Embora o mercado petrolífero seja amplamente integrado à escala mundial e os preços acompanhem geralmente referências internacionais como o Brent, o Dubai e o West Texas Intermediate (WTI), os países pagam frequentemente preços distintos pelas suas importações.
Para as suas projeções, os técnicos do FMI partem do pressuposto de que a reabertura do Estreito de Ormuz terá início em meados de julho, com um regresso gradual das condições à situação existente antes da guerra até março de 2027, apontando assim para os 89 dólares por barril.
No que toca ao preço do gás natural, medido pelos contratos de futuros do mercado holandês Title Transfer Facility (TTF), a instituição liderada por Kristalina Georgieva aponta para os 15 dólares, cerca de 5% acima do previsto em abril. Em termos anuais, estas projeções correspondem a um aumento de 32% no preço do petróleo bruto e de 22% no preço do gás natural este ano quando comparado com o ano passado.
O FMI prevê ainda que os preços dos fertilizantes aumentem 26%, com consequências para os preços dos alimentos. Quer como consequência dos custos dos fertilizantes, da energia e de transporte, os preços dos alimentos deverão subir 8%, nas contas da instituição, que ressalva, contudo, que os preços efetivamente pagos pelas matérias-primas poderão variar entre países, afastando-se das referências utilizadas nos mercados internacionais.
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