NATO pondera cancelar próxima cimeira na Albânia para evitar Trump

Evitar dar uma plataforma ao presidente dos EUA para criticar Aliança, num país que não tem investido em defesa ao ritmo pretendido pela NATO, estará a levar a Aliança a ponderar esta decisão.

A NATO está a considerar cancelar a próxima cimeira da Aliança Atlântica, prevista para o próximo ano na Albânia, em parte para reduzir as tensões com Donald Trump e evitar chamar a atenção para o facto de o país ser um dos que menos tem reforçado o seu investimento em defesa, noticia a Bloomberg, citando fontes familiarizadas com as conversações.

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“A cimeira será realizada na Albânia; se ocorrerá no próximo ano ou no seguinte, é algo que está sob discussão”, disse Giuseppe Cavo Dragone, oficial da Marinha Italiana que assumiu o cargo de Presidente do Comité Militar da NATO em janeiro de 2025, à Bloomberg TV.

O texto final da Cimeira, que os líderes irão assinar esta quarta-feira, não deverá incluir referência à próxima cimeira, afirma fonte familiarizada com o texto à Bloomberg.

O adiamento da cimeira da Aliança Atlântica estará a ser considerada em parte para reduzir as tensões com Trump que, mal aterrou em Ancara, referiu que só iria participar na cimeira da Aliança por se realizar na Turquia, liderada por Erdogan, com o qual mantém boas relações. A cimeira tem sido usada pelo Presidente norte-americano como plataforma de crítica à Aliança Atlântica, que já apelidou anteriormente de “tigre de papel”.

Críticas ao papel dos Aliados NATO no conflito com o Irão não faltaram, bem como ataques a Giorgia Meloni, primeira-ministra italiana, dando indicações de que equaciona retirar tropas da Europa e tendo recuperado o tema do controlo da Gronelândia, o que já gerou uma reação da Dinamarca.

O tema Irão também já levou o Presidente norte-americano a anunciar na Turquia o corte de relações comerciais com Espanha, que diz ser um “parceiro terrível” no âmbito da Aliança Atlântica. “A Espanha não concorda com nada, e não devemos dar-lhes apoio”, disse Trump, que falava ao lado do secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Ancara, que arrancou com um Fórum Industrial de Defesa, tem sido palco para diversos anúncios de contratos para compra de equipamento militar e assinatura de parcerias de cooperação industrial entre empresas de defesa dos países aliados dos dois lados do Atlântico. Uma estratégia para ‘apaziguar’, Trump que tem sido muito crítico sobre a desproporção do contributo dos EUA face aos Aliados.

A realização da futura cimeira na Albânia iria colocar sob os holofotes da atenção de Trump um dos países Aliados que tem sido mais lento no caminho para atingir o compromisso de atingir 5% do PIB em investimento em defesa, até 2035. Só recentemente o país atingiu os 2%.

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