Portugal financia-se em 700 milhões a dez anos com juros mais baixos
Na operação de financiamento que realizou esta manhã, IGCP garantiu mais de 1,2 mil milhões de euros em títulos a longo prazo. Custos baixaram ligeiramente em relação ao leilão anterior.
Portugal foi esta quarta-feira aos mercados de dívida para se financiar em 1.262 milhões de euros em títulos de longo prazo. Na maturidade a dez anos, os juros baixaram ligeiramente em relação ao leilão anterior, refletindo um alívio do risco nas últimas semanas por conta dos recentes desenvolvimentos no conflito no Irão.
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Na operação de financiamento conduzida pelo IGCP, os investidores financiaram o Tesouro português em 703 milhões de euros através de Obrigações do Tesouro a vencerem em junho de 2036, com uma taxa de juro de 3,439%, ligeiramente abaixo dos 3,452% que Portugal pagou num leilão semelhante realizado em maio.
Portugal financiou-se ainda em 559 milhões de euros com obrigações a 16 anos (um prazo pouco habitual para o IGCP) e pagou uma taxa de juro de 3,838%.
Em ambos os leilões, a procura mais do que duplicou o montante emitido, o que ajudou a conter os custos deste financiamento, num contexto particularmente desafiante perante a incerteza em relação ao conflito no Médio Oriente e que levou a um aumento do risco nos mercados nos últimos meses. Nas semanas mais recentes houve um alívio na sequência do acordo de cessar-fogo entre Washington e Teerão. Ainda assim, Portugal está a pagar mais hoje do que antes do conflito.
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“As taxas longas continuam a incorporar um nível mais elevado de incerteza quanto à evolução da inflação, ao impacto dos preços da energia e à trajetória futura da política monetária dos principais bancos centrais. Apesar de o BCE já ter iniciado um novo ciclo de subida de taxas, o mercado continua a procurar avaliar até que ponto as pressões inflacionistas poderão persistir e condicionar as decisões futuras de política monetária”, comenta Filipe Silva, diretor de investimentos do Banco Carregosa.
“A instabilidade geopolítica tem contribuído para um aumento da volatilidade nos mercados de dívida, levando os investidores a exigir uma compensação adicional para deter obrigações com maturidades mais longas”, salienta ainda.
Está assim cumprido o leilão de obrigações que o IGCP tinha planeado para este trimestre, antes das férias de verão — ainda que o montante emitido esta quarta-feira tenha ficado no intervalo inferior do que estava indicado inicialmente, entre os 1.250 milhões e os 1.500 milhões de euros.
A agência que gere a dívida pública já tinha completado mais de 2/3 do programa de financiamento da República para este ano ao longo. Ao todo prevê emissões de obrigações na ordem dos 24 mil milhões de euros para 2026.
No final do primeiro trimestre, Portugal tinha uma dívida pública que correspondia a 91% do total da riqueza produzida (PIB). O Governo espera que o rácio desça para 87,8% no final deste ano.
(Notícia atualizada às 11h39 com comentário de Filipe Silva do Banco Carregosa)
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