Cerca de 1.500 pessoas protestaram contra falta de água na Costa de Caparica
Multidão juntou-se num protesto contra a falta de água na Costa de Caparica. Exigiram soluções para o problema e pediram a demissão da presidente da Câmara de Almada.
Cerca de 1.500 pessoas juntaram-se na quarta-feira num protesto contra a falta de água na Costa de Caparica, exigindo soluções para o problema e pedindo a demissão da presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros. A população tinha inicialmente convocado um cordão humano, mas o protesto acabou por assumir a forma de um desfile entre o Centro Comercial O Pescador e a rotunda de acesso ao IC21, sob vigilância de um forte dispositivo da GNR.
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“Inês para a rua, Almada não e tua”, foi uma das muitas palavras de ordem dirigidas à presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros (PS), que os manifestantes responsabilizam pela falta de água no concelho do distrito de Setúbal. Para João Paulo, morador em Santo António da Caparica, a falta de água nas últimas semanas tem sido “insuportável”. “Quando as pessoas têm de acordar cedo para ir trabalhar e chegam à torneira sem uma gota de água, isto torna-se insuportável. É revelador da incompetência da governação da Câmara Municipal de Almada”, afirmou.
O morador acusou ainda o município de não ter aproveitado fundos europeus destinados à melhoria da rede de abastecimento. “A Câmara sabia que existiam meios da União Europeia para substituir e melhorar o sistema de distribuição de água e não o fez, por incúria ou incompetência”, sustentou. Questionado sobre o que espera após o protesto, João Paulo defendeu que Inês de Medeiros já não tem condições para continuar no cargo. “Que peça a demissão ou que o secretário-geral do Partido Socialista lhe tire a confiança política”, disse.

Márcia Tavares, residente há cerca de 30 anos na Costa de Caparica, admitiu que há situações pontuais de falta de água que são toleráveis, mas considera que a situação atual é inaceitável. “É uma vergonha. Tivemos dias seguidos sem água, com temperaturas de 30 e 40 graus, e ninguém dá uma explicação nem assume responsabilidades”, afirmou, assegurando que a falta de água se agravou nas últimas semanas.
“Há crianças, idosos e lares sem água. Só queremos uma solução. Não estamos a pedir nada de extraordinário, apenas água, que é um bem essencial”, afirmou. Márcia Tavares criticou ainda a gestão do abastecimento de água, defendendo que, caso as interrupções fossem inevitáveis, deveriam ser distribuídas de forma faseada pelas diferentes freguesias do concelho.
Para Ana Paula Gonçalves, residente na Costa de Caparica, é um drama sair do trabalho sem saber se vai ter água para tomar banho em casa. “Os canos estão degradados há muitos anos. Agora dizem que vão fazer furos, mas isso não resolve tudo. Se quisessem, pediam água a um concelho vizinho”, afirmou.
Já Maria Manuela, de 80 anos, residente desde sempre na Costa de Caparica, garante nunca ter vivido uma situação semelhante. “Nunca passei por isto. Antes, quando havia uma rotura, reparavam-na e ao fim de cinco ou seis horas já tínhamos água. Agora é demasiado”, afirmou.
A idosa contou ainda que permanece acordada durante a noite “à espera de ouvir o autoclismo encher” e lamentou as dificuldades provocadas pela falta de abastecimento.
Quando as pessoas têm de acordar cedo para ir trabalhar e chegam à torneira sem uma gota de água, isto torna-se insuportável.
Presente na manifestação, o deputado do Livre eleito por Setúbal, Paulo Muacho, disse estar na Costa de Caparica para manifestar “solidariedade com a população e exigir esclarecimentos” às entidades responsáveis. “Estas pessoas estão sem água há vários dias e precisam de uma resposta das entidades públicas. O problema tem de ser resolvido com urgência”, afirmou.
Paulo Muacho revelou ainda que o Livre já pediu audições parlamentares à presidente da Câmara Municipal de Almada, ao presidente dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e à Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), para apurar as causas das sucessivas falhas no abastecimento.
Também presente no protesto, o deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo manifestou solidariedade com a população afetada e considerou que a situação exige uma resposta rápida das entidades competentes.
O parlamentar defendeu ainda que é necessário apurar as causas das falhas no abastecimento, garantir transparência na informação prestada aos moradores e acelerar os investimentos necessários para assegurar que situações desta natureza não se repitam, sublinhando que o “acesso à água constitui um direito essencial”.
15 localidades estiveram sem água até às 6h
Quinze localidades do concelho de Almada estiveram sem água a partir das 22h00 de quarta-feira e até às 6h00 desta quinta-feira, no âmbito das medidas da Câmara Municipal para restabelecer reservas de água, anunciou a autarquia.
Numa nota conjunta divulgada na página oficial no Facebook da Câmara de Almada e dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada, é especificado que o “corte total do abastecimento de água” vai afetar Charneca da Caparica, Aroeira, Marisol, Fonte da Telha, Palhais, Lazarim, Botequim e Vila Nova da Caparica. Capuchos, Pilotos, Funchalinho, Vale Rosal, Vale Cavala, Quintinhas e Quinta de Santa Teresa são as outras localidades afetadas.
“O restabelecimento do abastecimento será efetuado de forma gradual, pelo que a reposição da água poderá chegar à torneira em momentos diferentes dentro das zonas afetadas”, indicou a autarquia do distrito de Setúbal.
Nos últimos dias, moradores de várias localidades do concelho têm relatado sucessivas falhas de água, com especial incidência na Costa da Caparica, tendo sido ativado, na segunda-feira, o plano de contingência dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) de Almada e criado um gabinete de crise. Esta quarta-feira, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês Medeiros (PS), decretou situação de alerta no município, na sequência das falhas no abastecimento de água no concelho.
“Enquanto vigorar a situação de alerta, serão implementadas restrições ao consumo de água que permitam preservar este recurso essencial para o abastecimento doméstico e para os serviços indispensáveis à população”, referiu a Câmara de Almada.
Entre as medidas, está o corte total do abastecimento em determinadas zonas do concelho, das 22h00 às 6h00, e a proibição de todas as utilizações de água da rede pública que não correspondam a usos domésticos ou essenciais, designadamente, a rega de jardins público e privados e de campos de golfe, a lavagem de viaturas, o enchimento de piscinas, a utilização de chuveiros e lava-pés nas zonas balneares, o funcionamento das fontes ornamentais, lagos artificiais e outros elementos de uso estético de água e a lavagem de pavimentos exteriores, logradouros, paredes e telhados.
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