RTP prevê prejuízo de mais de 11 milhões de euros em 2026, resultado de novas 157 saídas voluntárias
A RTP espera recuperar para números positivos em 2027. A pesar nas contas está a concretização de um novo Plano de Saídas Voluntárias, com uma adesão prevista de 157 trabalhadores.
- A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) prevê um prejuízo de 11,35 milhões de euros para 2026, agravando-se em relação a estimativas anteriores de 2,95 milhões negativos.
- O novo Plano de Saídas Voluntárias implicará a saída de 157 trabalhadores e um desembolso de 12 milhões de euros em indemnizações, visando resultados positivos em 2027.
- A RTP planeia um investimento de 40 milhões de euros até 2028 para modernizar a sua operação, enfrentando riscos de obsolescência técnica e incertezas geopolíticas.
A Rádio e Televisão de Portugal (RTP) estima fechar o ano de 2026 com um prejuízo de 11,35 milhões de euros, de acordo com o Segundo Aditamento ao Plano Anual de Atividades e Orçamento (PAO) consultado pelo +M. O valor representa um agravamento face aos 2,95 milhões negativos projetados em novembro. No documento lê-se que o PAO ainda aguarda aprovação da tutela.
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O principal motor deste desvio, de acordo com a empresa, é a execução de um novo Plano de Saídas Voluntárias (PSV). Com a adesão prevista de 157 trabalhadores em outubro, a empresa vai desembolsar 12 milhões de euros em indemnizações. Contudo, com este processo, a RTP espera atingir resultados positivos já em 2027 — 889 mil euros — e manter-se em terreno positivo em 2028 — 185,7 mil euros. A empresa estimava, em novembro, atingir os 8,04 milhões de prejuízos em 2027 e os 9,75 milhões de prejuízos em 2028.
“A concretização das saídas previstas produzirá efeitos orçamentais no exercício corrente e nos exercícios subsequentes, gerando poupanças estruturais na rubrica de gastos com pessoal que contribuirão para a melhoria sustentada da posição financeira da RTP e para o cumprimento das metas definidas no PAO 2026″, explica a empresa, no documento.
O prejuízo acumulado da RTP entre 2026 e 2028 fixar-se-á em 10,28 milhões de euros — uma melhoria face aos 20,74 milhões de euros de prejuízo que a empresa previa em novembro.
Receitas comerciais revistas em alta
No plano dos rendimentos, o volume de negócios deverá crescer, partindo dos 236,9 milhões de euros em 2025 para os 239,6 milhões em 2026. Em 2027, prevê-se uma manutenção nos 239,5 milhões de euros antes de a receita escalar em 2028 para o valor de 243,3 milhões de euros.
Estes valores foram impulsionados, em relação às previsões de novembro, por uma revisão em alta das receitas comerciais devido à dinâmica do mercado e à cobertura de grandes competições desportivas. A previsão para 2026 cresce 1,3 milhões de euros à boleia do Mundial de Futebol, enquanto as estimativas para 2028 sobem em cerca de 0,9 milhões de euros devido ao Euro 2028.
Em contraste, com a Contribuição para o Audiovisual (CAV) a não ser atualizada à taxa de inflação, a RTP prevê um crescimento do valor arrecadado derivado de um aumento do número de subscritores. Em 2026 está previsto arrecadar 198,4 milhões, com o valor crescer para os 200,4 milhões em 2027 e 201,9 milhões em 2028.
O Impacto do Plano de Saídas Voluntárias
Com o novo plano de saídas, os gastos com pessoal deverão atingir os 114,6 milhões de euros em 2026. “Excluindo este efeito não recorrente, os restantes gastos com pessoal registam uma redução de cerca de 4 milhões de euros, resultante das saídas ocorridas no âmbito do PSV de 2025″, justifica a RTP.
Para o biénio seguinte, o encaixe destas saídas fará os custos recuarem para os 101,5 milhões em 2027 — menos oito milhões que nas previsões de novembro –, subindo ligeiramente para os 104,1 milhões em 2028. A redução dos gastos devido ao plano de saídas será “parcialmente compensada por admissões e evolução salarial”.
A nível de efetivos, o ano corrente contará com uma redução de 97 trabalhadores face ao número de 2025, terminando o ano com 1.667 trabalhadores. Este saldo resulta da saída de 181 trabalhadores — 157 no âmbito do PSV e 24 “por outras causas” — compensada por 54 entradas por substituição de saídas previstas (algumas das quais verificadas em 2025) e por 30 integrações por via judicial.
Prevê-se uma descida para 1.646 funcionários em 2027, decorrente de 90 saídas — 80 pré-reformas no final do ano — compensadas por 49 substituições — das quais 39 no primeiro trimestre que correspondem a 25% das saídas do PSV de 2026 — e 20 entradas por via judicial. Entre 2027 e 2028, estima-se um aumento líquido de 10 trabalhadores, para 1.656, resultante de 10 saídas compensadas por 10 substituições e 10 entradas via judicial.
“A eventual integração de trabalhadores em número superior ao previsto, decorrente de decisões judiciais e atualmente associados a contratos de prestação de serviços, poderá traduzir-se num acréscimo dos gastos com pessoal, enquanto uma evolução da taxa de inflação acima do previsto, num contexto geopolítico incerto, poderá exercer pressão adicional sobre os gastos operacionais”, alerta a RTP.
Investimentos e novo plano
No capítulo dos investimentos, a estação pública prevê aplicar 19,7 milhões de euros em 2026, 12,2 milhões em 2027 e 8,1 milhões em 2028, perfazendo um teto de 40 milhões de euros para o triénio. Somando o investimento executado em 2025, o valor do quadriénio ascende a 52,2 milhões de euros.
A administração justifica o montante com a necessidade urgente de combater a obsolescência técnica de sistemas de produção, emissão e distribuição que já não têm suporte de fabricantes ou peças de substituição, colocando a RTP “perante riscos reais de falhas que podem comprometer a continuidade do serviço público”.
Por outro lado, o plano passa por levar a que a RTP se adapte a novos modelos de produção e operação, “através da adoção de modelos de produção remota, produção na cloud, edição e trabalho colaborativo em tempo real, e integração de soluções de inteligência artificial”, justifica a empresa.
Os investimentos vão ser financiados pelos capitais próprios e pelo subsídio de 20 milhões de euros inscritos no Orçamento de Estado destinados à reorganização e modernização da RTP.
Já no capítulo dos capitais próprios, a RTP projeta resultados positivos em 2026 depois de um património líquido negativo em 2024 e 2025, resultado da atribuição do subsídio de 20 milhões, a que acresce um aumento de capital de 11,99 milhões de euros previstos para 2026. Esse aumento é “destinado a compensar o subfinanciamento do serviço público até 2003, conforme sancionado pela Direção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia nas decisões de 2006 e 2011”, explica a RTP.
Ao mesmo tempo, a empresa está a desenhar um “Plano de Reestruturação e Transformação da RTP”. O objetivo passa por “assegurar as condições organizacionais, operacionais, tecnológicas, financeiras e humanas necessárias ao cumprimento sustentável da missão de Serviço Público de Media no médio e longo prazo”.
“O Plano de Saídas Voluntárias previsto para 2026 constituirá uma das medidas estruturantes deste processo, mas só será eficaz em articulação com outras medidas, designadamente a simplificação e desburocratização de processos, reorganização funcional, reforço da polivalência, modernização tecnológica, racionalização de custos e adequação do nível de atividade aos recursos disponíveis”, aponta a empresa.
Em parecer, o Conselho Fiscal considerou que o aditamento desenha uma trajetória “mais equilibrada com vista a uma trajetória que não comprometa a sustentabilidade financeira da RTP”. Contudo, alerta que o PAO é exigente e não anula “os riscos associados ao atual contexto de incerteza geopolítica e o respetivo potencial impacto no mercado dos media e custo de fatores produtivos”.
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