Portugal lidera a lista da Forbes dos grandes refúgios climáticos da Europa, com os Açores, a Madeira e Sintra

  • Servimedia
  • 30 Julho 2026

Os três destinos portugueses representam 30% da seleção feita pela Forbes Espanha. Além de um microclima privilegiado, compartilham propriedades inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Portugal é o país com maior representação na lista dos dez grandes refúgios climáticos naturais da Europa, elaborada pela Forbes Espanha, colocando os Açores, a Madeira e Sintra entre os destinos europeus que melhor preservam um verão ameno contra o avanço das ondas de calor.

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O relatório, publicado sob o título “Dez refúgios climáticos da Europa: o novo luxo do século XXI”, analisa como as alterações climáticas estão a começar a modificar as preferências turísticas e residenciais no continente e argumenta que o conforto climático está a emergir como um novo fator de atratividade para determinados territórios.

Portugal representa três dos dez destinos selecionados (30%), a maior representação por país no ranking, à frente da França, que também contribui com três locais, enquanto Espanha, Itália, Alemanha e Reino Unido têm um representante cada.

A análise destaca que 60% dos destinos incluídos na seleção estão localizados na costa atlântica europeia, onde a combinação de oceano, montanhas e grandes áreas florestais cria microclimas capazes de amenizar as temperaturas de verão, mesmo durante as ondas de calor mais intensas.

Entre os destinos portugueses selecionados, os Açores destacam-se pela extraordinária estabilidade do seu clima oceânico. Localizado no coração do Atlântico, o arquipélago beneficia de uma pequena amplitude térmica ao longo do ano, elevada humidade e uma paisagem vulcânica que o posicionou como um dos principais destinos europeus para o turismo sustentável, a natureza e o bem-estar.

A Madeira também figura entre os grandes refúgios climáticos da Europa, graças à influência dos ventos alísios, do Oceano Atlântico e do seu relevo vulcânico, que mantêm temperaturas amenas durante todo o ano. Estas condições permitiram a preservação da Laurissilva, uma das florestas subtropicais mais antigas e bem preservadas do planeta, considerada um dos grandes tesouros naturais da Europa.

O terceiro destino português é Sintra, provavelmente o caso mais singular da Europa continental por combinar um microclima excecional com um património histórico e paisagístico extraordinário. Localizada a apenas 20 minutos do Aeroporto Internacional Humberto Delgado de Lisboa, a cerca de 30 minutos do centro da capital portuguesa e a apenas 15 minutos de Cascais, Estoril e de algumas das praias mais famosas da costa atlântica, Sintra mantém temperaturas de verão geralmente vários graus mais baixas do que as registadas em Lisboa, graças à interação entre o Oceano Atlântico, a Serra de Sintra e uma floresta extraordinária.

Outro fator diferenciador é que os Açores, a Madeira e Sintra abrigam propriedades inscritas na Lista do Património Mundial da UNESCO, reforçando seu apelo internacional tanto pela sua riqueza natural quanto cultural.

Nos Açores, o centro histórico de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, foi inscrito como Património Mundial em 1983 pelo seu papel estratégico durante a expansão marítima portuguesa, enquanto a Paisagem da Viticultura na ilha do Pico foi reconhecida em 2004 pela sua adaptação única à paisagem vulcânica.

Na Madeira, a floresta Laurissilva foi declarada Património Mundial em 1999 por ser uma das florestas subtropicais mais antigas e bem preservadas do mundo. Sintra, por sua vez, foi inscrita em 1995 como Paisagem Cultural Património Mundial, tornando-se a primeira paisagem cultural reconhecida pela UNESCO na Europa, graças à integração excecional da natureza, da arquitetura romântica e do património histórico, com locais emblemáticos como o Palácio da Pena, o Castelo dos Mouros e a Quinta da Regaleira.

Segundo a Forbes Espanha, o crescente interesse por esse tipo de destino reflete uma tendência que vai além do turismo. A expansão do trabalho remoto, o envelhecimento da população europeia e uma maior preocupação com a saúde e a qualidade de vida estão levando um número cada vez maior de compradores internacionais e famílias que buscam segundas residências a valorizar o conforto climático como um novo atributo residencial.

A publicação conclui que, num cenário marcado pelo aumento das temperaturas e por ondas de calor mais frequentes, os territórios capazes de oferecer noites frescas, vegetação abundante e temperaturas moderadas durante o verão poderão reforçar progressivamente o seu apelo turístico e imobiliário, tornando o clima um dos ativos naturais mais valiosos da Europa.

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