Seguradora moçambicana Emose atribui a tumultos pós-eleições a subida de 55% de sinistros

  • Lusa
  • 4 Agosto 2026

Os conflitos pós eleitorais, levaram a seguradora estatal Emose, a aumentos de 1400% na sinistralidade nos ramos de Incêndio e Elementos da Natureza.

A seguradora estatal moçambicana Emose atribui à crise pós-eleitoral e aos fenómenos climáticos parte do agravamento dos sinistros em 2025, de 55,3% num ano, para 16,8 milhões de euros, segundo relatório e contas da empresa.

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De acordo com o documento, a que a Lusa teve hoje acesso, os encargos com sinistros cresceram de 800,7 milhões de meticais (10,8 milhões de euros) em 2024 para 1.243,5 milhões de meticais (16,8 milhões de euros) no ano passado.

“O comportamento dos sinistros em 2025 foi influenciado, sobretudo, pelo efeito da crise pós-eleitoral e dos fenómenos climáticos”, refere a administração da Empresa Moçambicana de Seguros (Emose), que subiu ao terceiro lugar das seguradoras em Moçambique, em 2025, em quota de mercado.

A evolução dos sinistros levou o rácio de sinistralidade a subir de 31,7% para 38,9% no ano passado, enquanto o resultado técnico da seguradora passou de um saldo positivo de 114,5 milhões de meticais (1,6 milhões de euros) em 2024 para um resultado negativo de 67,8 milhões de meticais (918 mil euros) em 2025.

Moçambique realizou eleições gerais em 9 de outubro de 2024, seguindo-se cinco meses de contestação ao processo eleitoral, com manifestações, paralisações, destruição e saque de empresas e infraestruturas públicas e confrontos com a polícia que provocaram mais de 400 mortos.

Segundo as contas da Emose, os maiores agravamentos registaram-se nos ramos de Incêndio e Elementos da Natureza, cuja sinistralidade aumentou mais de 1.400%, bem como nos ramos de Transportes e Responsabilidade Civil Geral.

A administração considera que o exercício decorreu num “contexto extremamente complexo da economia moçambicana”, mas sustenta que a empresa demonstrou uma “notável capacidade de adaptação e resiliência” e manteve o foco na “eficiência operacional e na gestão rigorosa de riscos”.

O relatório refere igualmente que a economia nacional continuou condicionada pelos impactos das tensões pós-eleitorais, num ambiente marcado pelo aumento dos riscos fiscais, limitações na execução orçamental e elevado peso da dívida pública.

Apesar deste contexto, a seguradora aumentou em 42,8% a emissão de prémios, para 3.456 milhões de meticais (46,8 milhões de euros), reforçando a sua quota de mercado de 10% para 13%.

A Emose tem um capital social de 295 milhões de meticais (quatro milhões de euros), distribuído entre o Estado moçambicano (39%), o Instituto de Gestão das Participações do Estado (Igepe) (31%), a GETCOOP (20%) e outros acionistas (10%).

Constituída em 1977, a EMOSE opera nos ramos Vida e Não Vida e integra o grupo das maiores seguradoras do mercado moçambicano, tendo alcançado em 2025 a terceira maior quota do setor.

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