FAO alerta para nova subida dos preços dos alimentos

  • Joana Abrantes Gomes
  • 5 Agosto 2026

"Prevejo que os preços das matérias-primas comecem a subir mais a partir de agora... e que os preços dos alimentos comecem a subir até ao final do ano”, diz o economista-chefe da FAO.

O mundo está à beira de mais um aumento dos preços dos alimentos, uma vez que as guerras no Irão e na Ucrânia, juntamente com o fenómeno climático El Niño, criam uma “tempestade perfeita” de subida dos custos e diminuição dos rendimentos das colheitas, adverte o economista-chefe da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

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O aumento da inflação global em 2022, na sequência da invasão russa da Ucrânia, teve nos preços dos alimentos um dos seus principais motores. Porém, ao longo deste ano, têm-se mantido relativamente moderados, chegando mesmo a atenuar, em alguns locais, o aumento causado pelos elevados custos da energia.

Este período de acalmia será, contudo, temporário, tendo em conta que os preços mais elevados do petróleo, juntamente com a perda de fertilizantes da região do Golfo, a escassez de gasóleo em algumas partes do mundo e as condições meteorológicas extremas, estão a repercutir-se nos custos e irão refletir-se nos preços ao consumidor, mesmo que com algum atraso.

Prevejo que os preços das matérias-primas comecem a subir mais a partir de agora… e que os preços dos alimentos comecem a subir até ao final do ano. No próximo ano, sem dúvida que subirão ainda mais”, afirmou Maximo Torero, numa entrevista à Reuters. “O tempo de transmissão do preço das matérias-primas para o preço final dos alimentos é de cerca de três a seis meses”, acrescentou.

Embora alguns preços das matérias-primas, como o trigo, o milho e o arroz, tenham aumentado nos últimos meses, a maioria ainda reflete colheitas relativamente boas, em vez de prováveis dificuldades em 2027.

O encerramento do “Estreito de Ormuz é um problema que afeta todos os fatores de produção das matérias-primas agrícolas e dos sistemas agrícolas. O petróleo Brent, porque é utilizado para bombagem, embalagem, processamento e transporte. E o gás natural, porque é utilizado na produção de fertilizantes”, explicou o economista-chefe da FAO.

Entretanto, os danos provocados pela Ucrânia às infraestruturas de petróleo e gás da Rússia restringem o mercado de exportação de gasóleo e gás natural, ambos fatores de produção essenciais na produção alimentar.

Uma vez que os preços das matérias-primas são globais, isto causa dificuldades em todo o mundo, mesmo que os países mais ricos disponham de mais recursos financeiros para aliviar o impacto sobre os produtores.

“Ouve-se falar disto na Europa, nos EUA, no Brasil e na Ásia”, disse ainda Torero, apontando que “as margens reduzidas estão a exercer pressão sobre as decisões relativas às plantações“.

Por outro lado, o fenómeno meteorológico El Niño deste ano deverá ser especialmente intenso, alterando significativamente os padrões de precipitação, o que vai provavelmente afetar os preços das matérias-primas e poderá levar dezenas de milhões de pessoas a uma situação de insegurança alimentar aguda.

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