Lucro do Banco Montepio desce 17% para 58,4 milhões com efeitos não-recorrentes a sobreporem-se à “resiliência” na margem
Comparação desfavorável com período homólogo pesou nas contas. Nova administração salientou "resiliência" da margem financeira numa altura de normalização dos juros.
- O lucro líquido do Banco Montepio caiu 17,3% no primeiro semestre de 2026, totalizando 58,4 milhões de euros, devido a efeitos não recorrentes do ano anterior.
- A margem financeira aumentou 2,7% para 171,6 milhões de euros, refletindo o crescimento da atividade comercial e a melhoria na carteira de títulos.
- Os custos operacionais subiram para 146,4 milhões de euros, mas a gestão eficiente permitiu manter um rácio de capital sólido de 16,1%.
O lucro líquido do Banco Montepio desceu 17,3%, em termos homólogos, para 58,4 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, com uma comparação desfavorável com o período homólogo — quando beneficiou de efeitos não-recorrente — a sobrepor-se a ligeiras subidas no produto e na margem financeira, anunciou esta quarta-feira a instituição agora liderada por José Azevedo Pereira.
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“O resultado líquido consolidado ascendeu a 58,4 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026, comparando com 70,7 milhões registados no período homólogo de 2025”, informou o banco. “Importa, contudo, salientar que o resultado de 2025 beneficiou de um conjunto de efeitos não recorrentes, designadamente da reversão extraordinária de imparidades de crédito no montante de oito milhões de euros bem como de impactos fiscais positivos registados nesse período”, lê-se no comunicado.
Os resultados são os primeiros a serem apresentados pela nova administração, que iniciou funções em maio e com José Azevedo Pereira — ex-diretor da Autoridade Tributária e antigo CEO do Eurobic — como presidente executivo.
Excluindo os efeitos extraordinários, “o desempenho operacional e recorrente do Banco Montepio manteve uma trajetória positiva, suportada pelo crescimento da atividade comercial, pela evolução positiva do produto bancário e pela manutenção de elevados níveis de qualidade dos ativos”, acrescenta a mesma nota.
Neste contexto, o resultado operacional antes de imparidades ascendeu a 88 milhões, evidenciando um crescimento de 5,1 milhões (+6,1%) face aos 83 milhões no período homólogo, “refletindo o reforço da capacidade de geração recorrente de resultados”.
A margem financeira — ou seja, a diferença entre o que o banco cobra em juros aos clientes pelos empréstimos e os que paga nos depósitos — atingiu 171,6 milhões nos primeiros seis meses de 2026, comparando com 167,2 milhões no período homólogo (+2,7%).
“Esta evolução reflete o crescimento da atividade comercial e a melhoria do contributo da carteira de títulos, que beneficiou do reforço das aplicações em dívida pública, permitindo mais do que compensar o impacto da redução das taxas de juro de referência sobre os juros do crédito a clientes e o menor contributo líquido das aplicações e tomadas de fundos no mercado”, referiu o banco.
“A resiliência da margem financeira evidencia a capacidade do Banco Montepio para sustentar a geração recorrente de proveitos num contexto de normalização das taxas de juro“, salientou.
As comissões líquidas totalizaram 69,1 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2026, comparando com 65,8 milhões relevados no período homólogo de 2025, o que representa um acréscimo de 5,1%, suportado sobretudo pelo crescimento das comissões associadas à mediação de seguros, aos serviços de pagamento e às operações de mercado.
Os resultados de operações financeiras ascenderam a 2,9 milhões nos primeiros seis meses de 2026, comparando com -5,7 milhões registados no período homólogo de 2025. Esta evolução traduz uma melhoria de 8,7 milhões, adiantou o Montepio, sustentada sobretudo pelo desempenho mais favorável da carteira de títulos, com destaque para os resultados obtidos em dívida pública estrangeira, outros instrumentos de dívida e unidades de participação, bem como pela evolução positiva dos resultados de reavaliação cambial e dos instrumentos derivados líquidos do justo valor de ativos e passivos financeiros.
Os ‘outros resultados’ registaram um valor de -10,5 milhões comparando com -1,8 milhões no período homólogo, refletindo sobretudo, a redução dos resultados com a alienação de outros ativos e a diminuição dos outros proveitos de exploração, influenciada pela contabilização, em junho de 2025, do proveito associado ao deferimento da devolução do Adicional de Solidariedade do Setor Bancário, explicou o banco.
No primeiro semestre os custos operacionais ascenderam a 146,4 milhões, face a 143 milhões no período homólogo, refletindo uma evolução controlada dos custos num contexto de crescimento da atividade.
Em 30 de junho de 2026 o rácio de Fundos Próprios Principais de nível 1 (CET1) fixou-se em 16,1%, e os rácios Tier 1 e Capital Total situaram-se em 16,1% e 19,0%. “A evolução dos rácios de capital evidencia a capacidade do Banco Montepio para conciliar crescimento, rendibilidade e disciplina de capital, através da geração recorrente de resultados e de uma gestão ativa dos riscos e dos recursos do balanço”, concluiu o banco agora liderado por Azevedo Pereira.
(Notícia atualizada com mais informação)
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Lucro do Banco Montepio desce 17% para 58,4 milhões com efeitos não-recorrentes a sobreporem-se à “resiliência” na margem
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