Neuraspace levanta 15,6 milhões de euros para reforçar vigilância espacial europeia

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 5 Agosto 2026

A portuguesa levantou 15,6 milhões de euros para acelerar soluções de vigilância e gestão de tráfego espacial com inteligência artificial, numa altura em que a segurança em órbita ganha relevância.

A portuguesa Neuraspace levantou 15,6 milhões de euros para acelerar o desenvolvimento das suas soluções de Vigilância Espacial (Space Domain Awareness, SDA) e Gestão de Tráfego Espacial (Space Traffic Management, STM), reforçando simultaneamente a aposta em aplicações de defesa e na autonomia tecnológica europeia num momento em que a segurança em órbita assume crescente relevância estratégica.

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“Este investimento assinala o início da próxima fase de crescimento da Neuraspace. Estamos a reforçar as capacidades soberanas da Europa em Vigilância Espacial, ao mesmo tempo que disponibilizamos os serviços operacionais baseados em inteligência artificial de que a próxima geração de missões comerciais, institucionais e de defesa irá necessitar”, refere Chiara Manfletti, CEO da Neuraspace, citada em comunicado.

O financiamento inclui 9,6 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e seis milhões de euros de investimento privado, numa ronda liderada pela Lince Capital, Explorer Investments e Armilar Venture Partners.

Os recursos vão permitir à empresa reforçar a plataforma de inteligência artificial (IA), expandir a rede própria de sensores óticos e acelerar o desenvolvimento da Neuraspace DEF, uma oferta de uso dual direcionada para entidades governamentais e de defesa que pretende fornecer serviços de vigilância espacial resilientes.

Estamos a reforçar as capacidades soberanas da Europa em Vigilância Espacial, ao mesmo tempo que disponibilizamos os serviços operacionais baseados em inteligência artificial de que a próxima geração de missões comerciais, institucionais e de defesa irá necessitar.

Chiara Manfletti

CEO da Neuraspace

“A Neuraspace afirmou-se como uma das mais promissoras empresas europeias de tecnologia espacial, combinando excelência técnica com uma crescente tração comercial num mercado de importância estratégica cada vez maior. Acreditamos que está bem posicionada para se tornar uma referência europeia em soluções de Vigilância Espacial e Gestão de Tráfego Espacial baseadas em inteligência artificial”, indica Vasco Pereira Coutinho, CEO da Lince Capital, na mesma nota de imprensa.

Defesa ganha peso na estratégia

Fundada em 2020, a Neuraspace registou um crescimento superior a 350% das receitas no último ano e monitoriza atualmente mais de 600 satélites de clientes comerciais e institucionais, entre os quais a Agência Espacial Europeia (ESA), Spire Global, NanoAvionics, GEOSAT, Sidus Space e U-Space.

A presença da empresa no setor da defesa também tem vindo a crescer. Além de contratos com a Força Aérea Portuguesa e com a NATO — foi uma das startups nacionais a ser selecionada para o acelerador NATO DIANA —, a Neuraspace foi recentemente selecionada como parceiro principal por um ministério da Defesa europeu, consolidando a posição como fornecedor de serviços espaciais para aplicações civis e militares, refere a empresa.

Chiara Manfletti, CEO da Neuraspace.

O investimento surge numa altura em que o espaço tornou-se uma infraestrutura crítica para governos, forças armadas e operadores privados. O aumento do número de satélites em órbita e a crescente dependência destas infraestruturas por governos, forças armadas e operadores privados têm reforçado a necessidade de sistemas permanentes de vigilância espacial.

Além do risco crescente de colisões, os operadores enfrentam atualmente ataques cibernéticos, interferências de radiofrequência, bloqueio e falsificação de sinais GNSS (jamming e spoofing), bem como “atividades antiespaciais” que exigem monitorização contínua e capacidade de resposta rápida.

Quando a Neuraspace foi fundada, a nossa missão era tornar o espaço mais seguro. Essa missão evoluiu acompanhando a realidade operacional. Hoje, proteger satélites significa lidar tanto com riscos acidentais como com ameaças intencionais. Segurança operacional e proteção já não são desafios separados. São duas faces do mesmo problema operacional.

Chiara Manfletti

CEO da Neuraspace

Para responder a estes desafios, a plataforma da Neuraspace combina dados provenientes de sensores comerciais e soberanos com determinação orbital de elevada precisão, avaliação de risco baseada em IA e apoio autónomo à decisão.

Segundo a empresa portuguesa, esta arquitetura permite que operadores comerciais, organismos governamentais e organizações de defesa detetem, avaliem e respondam com maior rapidez tanto a incidentes operacionais de rotina como a ameaças emergentes, contribuindo simultaneamente para reduzir a dependência europeia de capacidades externas de vigilância espacial e reforçar a soberania tecnológica do continente.

“A nossa missão evoluiu acompanhando a realidade operacional. Hoje, proteger satélites significa lidar tanto com riscos acidentais como com ameaças intencionais. Segurança operacional e proteção já não são desafios separados. São duas faces do mesmo problema operacional”, acrescenta Chiara Manfletti.

Com esta ronda de financiamento, a Neuraspace pretende consolidar a posição como uma das principais empresas europeias na área da vigilância espacial e acelerar o desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial destinadas a proteger satélites e infraestruturas críticas, num setor que assume um peso crescente para a segurança e defesa europeias.

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