Produção de vinho vai aumentar 12% na próxima vindima. Douro ‘destrona’ Lisboa

Das 14 regiões vitivinícolas portuguesas, só os Açores devem diminuir a produção de vinho na campanha 2026/2027. Verdes fecham o pódio à frente do Alentejo. Confira as variações por região.

A produção de vinho na próxima vindima deve aumentar 12% em relação à campanha anterior, atingindo um volume de 6,7 milhões de hectolitros, de acordo com as estimativas do Instituto da Vinha e do Vinho (IVV). A verificar-se esta previsão, o setor registará, ainda assim, um volume 4% abaixo da média das últimas cinco campanhas.

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Das 14 regiões vitivinícolas portuguesas, só os Açores é que deverão registar uma diminuição (-20%) da produção de vinho na campanha 2026/2027, em consequência da pressão de doenças fúngicas, ao passo que Beira Interior e Távora-Varosa ficarão em linha com o ano passado, em que Portugal terminou como o quinto maior produtor europeu e 11.º a nível mundial.

Por outro lado, as maiores recuperações em termos percentuais, num acréscimo de volume superior a meio milhão de hectolitros, vão ser registadas nas regiões do Douro (+25%), Alentejo (+15%), Península de Setúbal (+15%) e Trás-os-Montes (+15%), de acordo com os dados globais compilados pelo IVV.

O instituto liderado por Francisco Toscano Rico, que substituiu Bernardo Gouvêa em outubro do ano passado, assinala que “é expectável um aumento geral da produção graças à combinação de condições climáticas favoráveis, que promoveram um bom desenvolvimento vegetativo, e à baixa pressão de doenças, permitindo que as vinhas expressem o seu potencial produtivo”.

Variação da produção de vinho por região

Fonte: IVV | Unidade: milhares de hectolitros

Numa vindima em que vai transformar um total de 76 mil pipas de mosto em vinho do Porto, mais mil do que no ano anterior, o Douro prepara-se para recuperar o estatuto de maior produtor de vinho em Portugal, com quase 1,4 milhões de hectolitros. Apesar de danos localizados provocados por granizo e do condicionamento associado ao calor extremo, “o estado fitossanitário mantém-se favorável, perspetivando-se uma colheita de boa a muito boa qualidade”.

A mais antiga região demarcada do mundo vai assim destronar Lisboa, cuja produção deve subir ‘apenas’ 7%, para 1,24 milhões de hectolitros. O IVV descreve na mesma nota ao mercado que a entrada em plena produção de algumas vinhas contribuiu para compensar as quebras em “algumas vinhas parcialmente fustigadas pelas depressões de inverno e de episódios localizados de míldio e escaldão”.

A fechar o pódio e à frente do Alentejo surgem os Verdes, onde a produção deve aumentar na ordem dos 6% e alcançar 1,07 milhões de hectolitros. A região liderada por Dora Simões, em que “as reservas hídricas e a evolução climática permitiram uma boa evolução vegetativa da vinha e uma maturação tendencialmente antecipada”, é mesmo a única das grandes regiões em que o volume previsto ficará acima da média das últimas cinco campanhas.

Em 2025, as exportações nacionais alcançaram 953,5 milhões de euros, o que equivaleu a uma descida de 1,1% em termos homólogos após o crescimento superior a 4% no ano anterior. A pressão veio sobretudo da perda de vendas para os Estados Unidos (-14%), que são o segundo maior mercado para os vinhos portugueses, devido às tarifas impostas por Donald Trump e à retração no consumo.

Em valor, os melhores compradores para os vinhos nacionais são os franceses, os americanos, os brasileiros e os britânicos. Em volume, os produtores portugueses até enviaram mais 1,08% de vinho para o estrangeiro durante o ano passado, num total de 340,6 milhões de litros, mas o preço médio diminuiu 2,15% para 2,80 euros por litro.

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