SpaceX quer entrar nas telecomunicações móveis. Ações das maiores operadoras caem
Objetivo da tecnológica é agregar a rede de satélites com infraestruturas terrestres para oferecer um serviço sem fios mais abrangente, que vai mais além do serviço para zonas sem cobertura móvel.
A SpaceX quer mesmo entrar no mercado das telecomunicações móveis dos Estados Unidos e está a prejudicar as ações das principais operadoras internacionais. A empresa norte-americana que detém os satélites Starlink e fabrica os foguetões Falcon 9 pretende construir um serviço móvel e tornar-se concorrente direta de marcas como Verizon, AT&T e T-Mobile.
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O anúncio foi feito esta terça-feira pela presidente da SpaceX, Gwynne Shotwell, durante a conferência de imprensa de apresentação de resultados. A mensagem da empresa com sede no Texas foi clara: o objetivo é agregar a rede de satélites com infraestruturas terrestres para oferecer um serviço sem fios mais abrangente, que vai mais além do serviço para zonas sem cobertura móvel.
Na primeira conferência de apresentação de contas desde o IPO em junho, a líder da SpaceX disse que a empresa planeia lançar os seus satélites Starlink Mobile de próxima geração em 2027 e começar a fornecer um serviço mais modernizado até ao final do próximo ano.
No ano passado, a SpaceX adquiriu 65 megahertz (MHz) de licenças de espectro sem fios da EchoStar, por um total de 19,6 mil milhões de dólares (cerca de 17 mil milhões de euros), através de dois acordos distintos, o que permitiu à Starlink ter o espectro necessário para expandir os seus serviços para a área móvel.
“O espectro que comprámos à EchoStar tem componentes terrestres, por isso pretendemos definitivamente expandir a nossa presença terrestre“, disse Gwynne Shotwell, na teleconferência, acrescentando que a tecnológica vai construir a infraestrutura necessária para tornar a Starlink “num verdadeiro serviço móvel” e espera conquistar “um bom número” de clientes das três maiores operadoras de telemóveis.
Operadoras caem até 2% em bolsa
Na bolsa, as ações dessas telecom estão esta quarta-feira a ser penalizadas com as novas ameaças de concorrência. No pre-market trading, os títulos da Verizon, AT&T e T-Mobile caíram entre 1% e 2,4%. Nas praças europeias, o grupo britânico Vodafone perde 1,78% para 114.825 euros e a portuguesa Nos aguenta no verde com uma ligeira subida de 0,04% para 4,83 euros.
Em declarações à agência Reuters, vários analistas consideraram que a ambição da SpaceX perante o mercado das telecomunicações exigiria anos e montantes significativos de investimento até à execução do plano de transformar a Starlink num negócio de internet sem fios de âmbito nacional. Por exemplo, só as três maiores operadoras dos Estados Unidos investiram centenas de milhares de milhões na aquisição de licenças de espectro, construção e modernização de redes nas últimas décadas.
Na perspetiva dos traders contactados, são iniciativas e verbas difíceis de igualar para a SpaceX. “A menos que a Starlink consiga um acordo de MVNO (Mobile Virtual Network Operator) com uma das operadoras, o que daria uma cobertura básica, é extremamente difícil imaginar um serviço direto ao consumidor da Starlink que possa ser competitivo com os serviços das operadoras nos próximos cinco anos”, referiu Craig Moffett, sócio e analista sénior da MoffettNathanson.
“Não faz sentido a SpaceX tentar replicar o que as empresas terrestres construíram ao longo de 30 anos com 1000 MHz de diferença, utilizando apenas 65 MHz”, afirmou David Barden, sócio da New Street Research e responsável pela investigação em telecom na América do Norte.
Segundo Matt Britzman, analista sénior da Hargreaves Lansdown, “uma aquisição parece ser o caminho mais rápido para a SpaceX, seja de um operador mais pequeno ou de ativos que tragam espectro, estações base e clientes”.
No segundo trimestre, a SpaceX teve prejuízos de 541 milhões de dólares (na ordem dos 470 milhões de euros), o que corresponde a uma redução de 46,2% nas perdas em termos homólogos.
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