Indeciso entre dois cursos? Pela primeira vez, há licenciaturas duplas no ensino público

Primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior termina esta quinta-feira, 6 de agosto. Pela primeira vez, há licenciaturas duplas disponíveis também no ensino público.

ECO Fast
  • A Universidade do Minho introduziu licenciaturas duplas no ensino superior público, oferecendo novas oportunidades aos estudantes para melhorarem a sua empregabilidade.
  • Estes cursos combinam áreas como Economia e Gestão, e Física e Química, e têm uma duração de quatro a cinco anos, exigindo maior dedicação dos alunos.
  • Com quase 55 mil candidaturas já registadas, o interesse dos jovens por estas novas licenciaturas é elevado, apesar das dúvidas sobre as propinas.
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Pela primeira vez, estão disponíveis licenciaturas duplas também no ensino superior público em Portugal, à semelhança do que já acontecia no privado. Os primeiros cursos dois em um estão abertos na Universidade do Minho, cuja vice-reitora para a Educação, Cristina Dias, explica ao ECO que esta é uma “variante mais exigente“, mas que pode abrir mais portas no mercado de trabalho aos jovens.

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“Já vínhamos falando em ter uma oferta inovadora, que respondesse às pretensões dos estudantes. Estava a ser trabalhada por várias unidades orgânicas. Resolvemos avançar agora“, sublinha a responsável, numa altura em que a primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior se aproxima do fim (acaba esta quinta-feira, 6 de agosto).

As licenciaturas em causa combinam Economia e Gestão, Gestão e Negócios Internacionais, Economia e Negócios Internacionais, Física e Química, e Matemática e Física.

De acordo com Cristina Dias, os estudantes serão integrados nas turmas das licenciaturas tradicionais, mas foi feito um esforço, no desenho dos planos de estudo, para compatibilizar horários e avaliações e evitar redundâncias. Esse trabalho foi, segundo a responsável, um dos maiores desafios na preparação destes cursos.

E, ao contrário das licenciaturas comuns, estes novos cursos duram entre quatro (no caso das primeiras três combinações referidas) a cinco anos, daí que a vice-reitora entenda que são mais exigentes.

A mais-valia? O jovem fica com um mercado de trabalho com as portas abertas numa dupla vertente.

Cristina Dias

vice-reitora para a Educação e Organização Académica da Universidade do Minho

No final, cada estudante vai obter dois diplomas de licenciatura reconhecidos a nível nacional e europeu, à semelhança do que já é possível no ensino superior privado em Portugal ou, por exemplo, no ensino superior público espanhol.

Cristina Dias destaca ainda que com estas novas licenciaturas os jovens ficam com “um mercado de trabalho com as portas abertas numa dupla vertente“, reforçando, assim, a sua empregabilidade potencial. Além disso, estes cursos foram pensados para os alunos que não têm ainda uma “ideia definida do futuro”.

Questionada sobre a adesão esperada, a responsável esclarece que, durante a primavera, a Universidade do Minho promoveu sessões de esclarecimento sobre esta nova oferta formativa e o interesse por parte dos jovens “foi bastante”, levantando dúvidas, nomeadamente, no que diz respeito às propinas associadas a estes cursos. Ao ECO, a vice-reitora explica que o valor anual é idêntico ao exigido para as licenciaturas tradicionais, mas, neste caso, há mais anos de pagamento.

As primeiras vagas destes novos cursos estão disponíveis no concurso nacional de acesso ao ensino superior em curso, cuja primeira fase está agora a terminar. A vice-reitora admite que poderão ficar preenchidas logo nesta leva, sendo que, desta vez, só estão disponíveis 20 lugares em Economia e Gestão, e dez lugares em cada uma das restantes opções.

Cristina Dias avança também que esta nova oferta formativa não implicou o reforço do pessoal docente, uma vez que as vagas em questão foram “retiradas” do total disponíveis nas licenciaturas tradicionais respetivas e que os alunos serão integrados, como já referido, nas turmas desses cursos.

Quase 55 mil já se candidataram ao ensino superior

O ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, durante a Reunião da Comissão Permanente para debater os problemas com os exames nacionais e todo o processo em curso, na Assembleia da República em Lisboa, 3 de agosto de 2026.TIAGO PETINGA/LUSA

Quase 55 mil estudantes já se candidataram ao ensino superior, nesta primeira fase do concurso nacional de acesso, de acordo com os dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). No período homólogo de 2025, tinham dado entrada menos de 50 mil candidaturas, o que significa que, apesar dos constrangimentos nos exames nacionais, a adesão ao ensino superior não reduziu.

De resto, no debate parlamentar que decorreu esta semana, o ministro da Educação, Fernando Alexandre, indicou que prevê que o total de candidaturas deste ano ultrapasse “largamente” o valor registado em 2025, e garantiu, novamente, que nenhum jovem será prejudicado pelas dificuldades na classificação eletrónica dos exames.

Este ano, pela primeira vez, os exames nacionais foram avaliados de forma digital, tendo o processo registado várias falhas técnicas, nomeadamente folhas de continuação em falta, leitura de QRCodes que resultou na associação incorreta de folhas a provas, erros na parametrização com impacto no cálculo da classificação e mecanismos insuficientes de comunicação com os professores classificadores.

Estas falhas resultaram em provas sem notas ou com notas erradas, além de terem obrigado ao adiamento por alguns dias da divulgação das classificações e do arranque da 2.ª fase de exames nacionais.

Segundo o ministro, perante este cenário, a prioridade foi “identificar os problemas e corrigi-los rapidamente”. Com as alterações já feitas ao sistema, a segunda fase dos exames nacionais decorreu, assim, “sem ruído”, nas palavras de Fernando Alexandre, sendo que mais de 97% das respostas de cerca de 90 mil provas já estão, entretanto, classificadas.

A segunda fase de candidaturas arrancará a 24 de agosto. O Governo não vê, por enquanto, motivos para ajustar o calendário, apesar das referidas dificuldades.

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