Império de Trump dispara 71% fora dos EUA com negócios das ‘Arábias’

Quase dois terços das receitas externas de Trump já chegam do Médio Oriente, onde os grandes promotores pagam milhões para colar o nome do Presidente a novos projetos imobiliários de luxo e não só.

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  • O regresso de Donald Trump à Casa Branca em 2025 coincide com um aumento significativo nas suas receitas de licenciamento imobiliário internacional, que atingem 51 milhões de euros.
  • A maior parte deste crescimento provém do Médio Oriente, que são gerados por negócios como a saudita Dar Al Arkan, refletindo o apetite dos investidores árabes pela marca Trump.
  • A intersecção entre os interesses privados de Trump e suas funções públicas levanta preocupações sobre a "Cláusula de Emolumentos" da Constituição dos EUA, criando um cenário de potenciais conflitos de interesse.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

O regresso de Donald Trump à Casa Branca coincidiu com uma explosão sem precedentes nos seus negócios privados no estrangeiro. Em 2025, no seu primeiro ano de volta ao cargo, o Presidente dos EUA declarou 59,5 milhões de dólares (cerca de 51 milhões de euros) em receitas de licenciamento imobiliário internacional, um salto de 71% face a 2024 e um valor quase dez vezes superior ao registado em 2023.

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Estes dados, revelados por uma investigação da CNBC às declarações financeiras de Trump, expõem uma mudança radical face à promessa do seu primeiro mandato de travar a fundo e não realizar novos negócios além-fronteiras.

Esta escalada dos lucros não se distribuiu de forma homogénea pelo globo, encontrando o seu principal motor de crescimento no Médio Oriente, com quase dois terços destas receitas a terem origem em projetos no Golfo Pérsico, com particular destaque para os 25,8 milhões de dólares gerados através de negócios com a saudita Dar Al Arkan e as suas subsidiárias.

Analistas e organismos de transparência alertam que a marca Trump oferece agora um ativo que nenhum outro selo de luxo consegue igualar: a perceção de um acesso direto à cúpula do poder em Washington.

A este montante somam-se ainda 11,3 milhões de dólares ligados à promotora Damac, sediada no Dubai, confirmando o forte apetite dos grandes investidores árabes por pagarem um prémio financeiro para associarem a marca Trump aos seus arranha-céus, campos de golfe e resorts de luxo.

O modelo de negócio da Trump Organization assenta no princípio de os parceiros locais assumirem os custos e o risco da construção, enquanto a empresa do Presidente norte-americano cobra comissões avultadas apenas pela cedência do nome e, em alguns casos, pela gestão dos espaços.

Contudo, analistas e organismos de transparência alertam que a marca oferece agora um ativo que nenhum outro selo de luxo consegue igualar: a perceção de um acesso direto à cúpula do poder em Washington.

Embora a investigação não tenha encontrado provas de um tratamento de favor explícito, a linha que separa a diplomacia de Estado dos interesses privados tornou-se perigosamente ténue. A relação com a promotora Damac ilustra na perfeição o risco desta sobreposição de interesses.

Ao mesmo tempo que a empresa do Dubai canalizava milhões em taxas de licenciamento para Trump, o seu fundador, Hussain Sajwani, anunciava ao lado do Presidente um megainvestimento de 20 mil milhões de dólares em centros de dados nos EUA.

Apenas seis meses depois, Trump assinou uma ordem executiva para acelerar o licenciamento federal precisamente desse tipo de infraestruturas tecnológicas, abrindo caminho para a rápida expansão da empresa árabe no mercado norte-americano.

Esta colisão inédita entre a riqueza privada do Chefe de Estado e o seu poder público estende-se ainda a projetos no Catar e em Omã, onde as parcerias imobiliárias assentam em terrenos, financiamentos ou empresas controladas pelos próprios governos.

Para vários especialistas jurídicos, o facto de nações estrangeiras injetarem milhões nos bolsos do Presidente –na mesma altura em que procuram fechar acordos diplomáticos, comerciais e de defesa com a sua Administração — reaviva dúvidas sobre uma eventual violação da “Cláusula de Emolumentos” da Constituição dos EUA.

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