Ormuz continua fechado. O que separa EUA e Irão de um acordo?
Ormuz continua no centro da escalada entre EUA e Irão, com Teerão a condicionar a reabertura da via estratégica ao levantamento de sanções e do bloqueio naval, enquanto Trump endurece exigências.
As exigências dos Estados Unidos ao Irão para alcançar um acordo de paz voltaram a endurecer. Depois de Teerão ter condicionado a reabertura do Estreito de Ormuz ao levantamento de sanções, ao fim do bloqueio naval e ao pagamento de compensações pelos ataques norte-americanos, Donald Trump respondeu ao exigir que o regime iraniano indemnize vítimas de conflitos, ataques e protestos, numa escalada que pode dificultar ainda mais as negociações.
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“Vamos pedir dinheiro pelos danos que causaram durante um período de 50 anos. Portanto, se houver indemnizações a serem pagas, acho que o Irão deveria pagá-las“, afirmou o presidente dos EUA, citado pela Reuters.
O líder republicano vincou que essas compensações deverão abranger tanto mortes de manifestantes iranianos como de militares norte-americanos destacados na região.
Donald Trump defendeu ainda que Teerão deveria compensar as famílias dos 17 marinheiros norte-americanos mortos no ataque ao navio USS Cole, em 2000, no Iémen — um atentado atribuído à Al-Qaeda, e não ao Irão. Numa publicação na sua rede social Truth Social, Trump escreveu também que o regime iraniano “deveria ser responsabilizado pelos danos e mortes causados às populações do Líbano, Síria, Iémen e Gaza”.

Teerão mantém condições para reabrir Ormuz
As declarações surgem numa altura em que o Irão insiste que a reabertura do Estreito de Ormuz continua dependente do cumprimento de várias condições por Washington, incluindo o levantamento das sanções económicas, o fim do bloqueio naval norte-americano no Golfo, a retirada das forças militares americanas da região, a libertação de ativos iranianos congelados e o pagamento de compensações pelos danos provocados em território iraniano.
Teerão confirmou que as negociações com Omã para definir novas rotas marítimas através do estreito estão numa fase avançada. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, afirmou que já existe um entendimento sobre as coordenadas geográficas de uma rota de navegação através do Estreito.
Ao mesmo tempo, o grupo de rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, lançou uma nova vaga de ataques contra a cidade portuária Mocha, no Iémen, atingindo infraestruturas civis e militares. “Quatro membros das forças armadas e três civis foram mortos, e outros 30 ficaram feridos”, segundo o Exército iemenita, num comunicado, citado pela agência noticiosa Reuters.
O esvanecer do otimismo sobre um acordo entre os EUA e o Irão para reabrir o Estreito de Ormuz levou os preços do petróleo a subir mais de 2% esta terça-feira, atingindo máximos de mais de uma semana e com o do barril de Brent a tocar momentaneamente nos 90 dólares.
Dados compilados pela Reuters revelaram que o tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu para seis navios na segunda-feira, em comparação com uma média de 10 dias de cerca de 11 navios. Numa nota divulgada na segunda-feira, os analistas do Barclays afirmaram que, na semana que terminou a 7 de agosto, as exportações líquidas de petróleo bruto e produtos refinados através do Estreito de Ormuz atingiram uma média de 3 milhões de barris por dia (bpd), uma descida em relação aos 4,4 milhões de bpd da semana anterior.
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