Pentágono quer multiplicar por quatro compra de mísseis
O Pentágono está a acelerar a compra de mísseis de defesa depois de anos de aquisições limitadas e do forte consumo durante a guerra com o Irão. A prioridade agora é recompor stocks.
O Pentágono está a acelerar a reposição dos arsenais de defesa antimíssil dos Estados Unidos depois do forte consumo de munições durante a guerra com o Irão, com o Exército a preparar uma subida para 13.773 mísseis intercetores, mais de quatro vezes acima do objetivo de aquisição definido anteriormente.
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Os documentos orçamentais para 2027, analisados pela Fox News, revelam uma mudança significativa na escala das encomendas, numa altura em que Washington e Teerão divergem nas exigências para reabrir o Estreito de Ormuz. O objetivo de aquisição dos mísseis PAC-3 MSE, um dos principais intercetores utilizados pelas baterias Patriot, tinha sido aumentado de 3.376 para 13.773 unidades em abril de 2025.
A aceleração abrange também os sistemas THAAD, utilizados para intercetar mísseis balísticos a maiores altitudes e distâncias. O Exército norte-americano prevê adquirir 857 intercetores em 2027, dos quais 830 serão financiados através do Munitions Acceleration Council, um mecanismo criado para acelerar a produção de munições.
Apesar de Donald Trump defender que os EUA têm “muita munição”, a mudança coincide com uma crescente preocupação em Washington relativamente ao ritmo de consumo de mísseis no conflito com o Irão e na guerra entre Ucrânia e Rússia. Em julho, o Exército norte-americano avançou com um contrato de cerca de 51 mil milhões de euros para a Lockheed Martin produzir mísseis intercetores entre os anos fiscais de 2026 e 2032.
O problema é que aumentar as encomendas não significa repor rapidamente os arsenais. A capacidade de produção anual é estimada em cerca de 620 PAC-3 MSE e 96 THAAD, o que deixa um intervalo significativo entre os objetivos agora definidos pelo Pentágono e aquilo que a indústria consegue atualmente produzir.
Uma análise da Heritage Foundation estima que os EUA precisariam de 7.082 intercetores PAC-3 MSE e 1.394 THAAD para alcançar um nível mínimo de stock num conflito com a China, noticia o canal norte-americano. A mesma análise estima que, aos atuais ritmos de produção, a reposição dessas reservas poderia demorar entre cerca de nove e mais de 80 anos, dependendo do sistema.
“A escassez era totalmente previsível, e há décadas existem discussões sobre os números de aquisição de intercetores e munições. No fim das contas, foram feitas concessões orçamentárias, e aqueles que defendiam outros programas prevaleceram. O desafio será obter o financiamento necessário para transformar os acordos-quadro em produção efetiva“, disse Jim Fein, pesquisador da base industrial de defesa da Heritage Foundation, à Fox News.
O Pentágono tenta agora acelerar não apenas a compra dos mísseis, mas também a expansão da capacidade industrial necessária para os produzir. A estratégia inclui contratos e acordos com empresas de defesa para aumentar a produção de componentes como motores, sistemas de guiamento e sensores.
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