Supremo dá nova nega a Berardo e confirma extinção da fundação

Joe Berardo reclamou do acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de maio, mas juízes do mesmo tribunal indeferiram reclamação, mantendo decisão que confirma extinção da fundação.

Joe Berardo levou uma nova nega da Justiça. Em maio, o Supremo Tribunal Administrativo (STA) já havia confirmado uma decisão que determinou a extinção da sua fundação. O empresário madeirense reclamou do acórdão, alegando a sua nulidade. Os juízes do mesmo tribunal rejeitaram a reclamação, deixando os bancos mais perto das obras de arte. Mas já houve recurso para o Constitucional.

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Em causa está uma decisão da Presidência do Conselho de Ministros de há quatro anos, ainda no Governo de António Costa, e que ditou a extinção da Fundação José Berardo.

Esta fundação controlava a Associação Coleção Berardo, a dona da maioria das obras de arte do empresário madeirense e que os bancos – Caixa Geral de Depósitos (CGD), BCP e Novobanco – há muito tentam executar por conta de dívidas de quase mil milhões de euros.

Várias decisões e recursos depois, o caso chegou ao STA, que foi chamado a decidir um recurso de Joe Berardo contra uma decisão desfavorável do Tribunal Central Administrativo do Sul. Em maio deste ano, os juízes do STA rejeitaram o recurso e confirmaram a extinção da fundação.

Inconformada, a instituição reclamou, alegando que várias questões levantadas não tinham sido apreciadas, desde a incompetência da ministra da Presidência para extinguir a fundação até à ausência de audiência prévio à extinção, e também que havia uma contradição entre os fundamentos e a decisão.

O STA rejeitou ambos os argumentos apresentados pela fundação e manteve o acórdão que havia confirmado a legalidade do ato administrativo de extinção da fundação e das providências associadas ao processo de liquidação.

Acordam os juízes da secção do contencioso administrativo do Supremo Tribunal Administrativo, reunidos em conferência, em indeferir a presente reclamação”, lê-se no acórdão datado de 2 de julho e assinado pelos mesmos três juízes que assinaram a decisão de maio.

O que se segue? “Foi apresentado um recurso no Tribunal Constitucional e já foi admitido”, adianta a assessoria de comunicação. Serão os juízes do Palácio de Ratton a decidir o futuro da fundação.

Entre outros pontos, o STA tinha concluído que “a competência para a extinção das fundações privadas determina-se pela competência para o seu reconhecimento, sendo a titularidade — e o exercício — de ambas incindível”, ou seja, os juízes entenderam que não seria necessário que o despacho de delegação de competências incluísse qualquer referência à competência para extinguir fundações.

Também concluiu que a instituição deixou de prosseguir os fins de interesse social para os quais foi criada e passou a funcionar como “um veículo de investimentos financeiros associado ao seu fundador”.

Este é mais um capítulo na longa disputa entre os bancos e Joe Berardo e várias empresas do seu universo. Na ação principal, intentada em 2019, CGD, BCP e Novobanco tentam executar a valiosa coleção de arte do empresário madeirense como forma de recuperarem cerca de mil milhões que emprestaram nas últimas duas décadas.

Em 2022, Berardo contra-atacou e processou os três bancos, reclamando 900 milhões de euros: 800 milhões por perdas causadas à Fundação José Berardo e ainda uma indemnização de 100 milhões por danos morais.

Pelo meio, os bancos têm tentado executar outros ativos do empresário madeirense, como o Monte Palace na Madeira. A notícia mais recente diz respeito à penhora de quase 15 mil euros em reembolsos do IRS a Joe Berardo por parte da Caixa.

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