Letónia pede sete mil milhões de euros à União Europeia para combater a Rússia
A verba equivaleria a quase metade dos 15,1 mil milhões de euros que Riga estima gastar em defesa durante os sete anos do próximo orçamento de longo prazo da União Europeia.
A Letónia quer receber sete mil milhões de euros da União Europeia (UE) no próximo orçamento plurianual para compensar os custos económicos e militares de enfrentar a Rússia, numa altura em que o país procura reforçar a defesa para responder às sucessivas incursões de Moscovo.
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O primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, defende que o dinheiro seja atribuído através do novo Fundo de Competitividade, previsto no orçamento comunitário para 2028-2034, e acumulado com os restantes fundos europeus destinados ao país. A verba equivaleria a quase metade dos 15,1 mil milhões de euros que Riga estima gastar em defesa durante os sete anos do próximo quadro financeiro.
Kulbergs argumenta que os países da linha da frente estão a suportar uma parte desproporcionada do esforço europeu para conter Moscovo. “Estamos a levar o nosso défice orçamental ao máximo e dessa dívida estamos a pagar a defesa de toda a Europa“, afirmou o primeiro-ministro, citado pelo Politico.
A exigência surge num momento particularmente sensível para a Letónia. O país aumentou significativamente a despesa militar ao mesmo tempo que viu cair as relações comerciais com Moscovo. A aproximação das eleições de 3 de outubro está também a alimentar o debate interno sobre o custo económico da política de confronto com a Rússia, segundo o mesmo jornal.
Bruxelas propôs aumentar o financiamento europeu da defesa no próximo orçamento, incluindo 125,2 mil milhões de euros para segurança, defesa e espaço, dentro do Fundo de Competitividade. Contudo, o montante deverá financiar projetos em todo bloco europeu e não corresponde a uma verba de sete mil milhões já reservada para a Letónia.
O chefe do Governo letão acrescenta que uma parte significativa da despesa militar acaba por beneficiar economias da Europa Ocidental, através da compra de armamento a empresas da Alemanha, França, Espanha, Suécia e Países Baixos. “Nós impulsionamos as economias deles”, defende.
A Letónia tem registado um aumento das ameaças provenientes da Rússia e dos incidentes associados à guerra na região do Báltico. Na madrugada de sexta-feira passada, um drone que entrou no espaço aéreo letão foi abatido por caças da missão de Policiamento Aéreo do Báltico da NATO, na região de Balvi. As autoridades enviaram militares e polícias para procurar os destroços e impuseram temporariamente restrições ao espaço aéreo e marítimo.
Os Estados bálticos, que fazem fronteira com a Rússia, têm registado um número crescente de intrusões e quedas de drones nos seus territórios. Em julho, a Roménia abateu um drone que invadiu o seu espaço aéreo, representando a primeira vez que o país atingiu um drone desde o início da invasão russa na Ucrânia.
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