Certificados do Estado superam 50 mil milhões de euros pela primeira vez

Novos Certificados do Tesouro praticamente estancaram saídas enquanto famílias mantêm um forte apetite pelos Certificados de Aforro. E já confiam mais de 50 mil milhões em poupanças ao Estado.

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  • A aposta nos certificados ultrapassou os 50 mil milhões de euros em julho, refletindo a popularidade dos Certificados de Aforro junto das famílias.
  • Os Certificados de Aforro captaram 767,7 milhões de euros em julho, o montante mais elevado em três anos, impulsionado pela subida da Euribor.
  • As famílias aumentaram o seu peso no financiamento do Estado, representando 15% da dívida direta, um crescimento significativo em comparação com 10% há uma década.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A aposta nos certificados do Estado superou pela primeira vez os 50 mil milhões de euros em julho, refletindo a popularidade dos Certificados de Aforro. Já a nova série dos Certificados do Tesouro conseguiu praticamente estancar as saídas que se verificam há quase cinco anos.

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Isto significa que as famílias nunca confiaram tantas poupanças ao Estado, numa altura em que a subida da Euribor torna mais atrativo investir nos Certificados de Aforro, enquanto o concorrente mais direto, os depósitos bancários, mantêm-se com uma taxa de juro muito baixa.

Em julho, os Certificados de Aforro captaram 767,7 milhões de euros em termos líquidos de resgates. Foi o montante mais elevado em mais de três anos.

Os portugueses continuam especialmente atraídos pela taxa de juro destes certificados, que em julho avançou para 2,356%, impulsionada pelo aumento da Euribor a três meses, e que resulta do impacto da guerra no Irão nos preços da energia e nos preços em geral e da necessidade de o Banco Central Europeu (BCE) subir os juros diretores – já subiu em junho e vai voltar a subir no início de setembro.

Por outro lado, o Governo também anunciou em abril um aumento dos limites de subscrição destes títulos de 100 mil euros para 250 mil para a Série F (atualmente disponível para subscrição) e dos 350 mil para 500 mil em acumulado de Série E (anterior) e F. Fator que também estará incentivar a procura.

No final de julho, estavam aplicados 43,85 mil milhões de euros nos Certificados de Aforro, o valor mais alto de sempre.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

Novos Certificados do Tesouro quase estancam saídas

Em relação aos Certificados do Tesouro, o Governo lançou uma nova série no início de julho com condições mais favoráveis e, embora ainda tenha registado mais resgates e vencimentos do que novas aplicações, verificando-se um fluxo negativo de 27,77 milhões, praticamente se estagnaram as saídas – até então saíam cerca de 200 milhões por mês, em média, este ano.

Em todo o caso, manteve a tendência de saída de dinheiro destes certificados pelo 57.º mês consecutivo. Em julho já só estavam aqui aplicados 6,53 mil milhões de euros – chegou a ter perto de 18 mil milhões em 2021.

Foi para contrariar esta tendência que o Ministério das Finanças reformulou o produto, substituindo os Certificados do Tesouro Poupança Valor, a 7 anos e com a remuneração associada ao PIB a partir do segundo ano, pela novíssima Série 5, com o prazo de 10 anos e uma taxa média bruta de 2,71% (1,8% em termos líquidos).

Famílias reforçam peso no financiamento do Estado

Tudo somado, entre Certificados de Aforro e Certificados do Tesouro, os portugueses tinham 50,38 mil milhões de euros em poupanças junto do Estado, reforçando o seu estatuto de grande credor da República.

Segundo o IGCP, em junho, o retalho representava 15% do total da dívida direta do Estado – há 10 anos as famílias tinham um peso de apenas 10% no financiamento da República.

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