Empresas alemãs alertam para ameaça crescente de ciberataques ligados a Estados
Quase 40% das empresas alemãs que sofreram ciberataques atribuem pelo menos um incidente a serviços de informações estrangeiros. China e Rússia são apontados, por estudo, como os principais suspeitos.
As empresas alemãs estão cada vez mais a associar ciberataques a serviços de informações estrangeiros, com 37% das organizações vítimas de ataques a atribuírem pelo menos um incidente dos últimos 12 meses a um Estado. A percentagem subiu face aos 28% registados no ano passado e é mais de cinco vezes superior aos 7% em 2023, revela um estudo com mais de mil empresas da associação digital Bitkom, citado pela Reuters.
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A China e a Rússia são apontadas como as principais origens suspeitas destes ataques. Entre as empresas afetadas, 52% atribuíram pelo menos um ataque à China e 49% à Rússia. O Irão surge com uma presença menor, mas crescente, com 9% das empresas a identificarem pelo menos um ataque com origem iraniana. Os três países negam realizar ciberataques no estrangeiro.

O aumento da atividade atribuída a serviços de informações acontece numa altura em que as autoridades alemãs têm alertado para uma subida das ameaças cibernéticas e híbridas contra o país.
Ainda assim, o crime organizado continua a ser a principal origem dos ataques, afetando 62% das empresas inquiridas. Para Ralf Wintergerst, presidente da Bitkom – que representa mais de 2.200 empresas da economia digital e apoia iniciativas para fortalecer a cibersegurança –, a fronteira entre grupos criminosos e serviços de informações estatais está cada vez mais diluída.
“As agências de inteligência recorrem a estruturas criminosas; por outro lado, os criminosos têm liberdade de ação desde que escolham os seus alvos de acordo com as diretrizes políticas”, afirmou, citado pela agência noticiosa.
O impacto económico destas ameaças também está a aumentar. A Bitkom estima que o roubo de dados, a espionagem industrial e a sabotagem provoquem prejuízos anuais de pelo menos 211 mil milhões de euros à economia alemã.

IA muda natureza dos ciberataques
O estudo identifica ainda uma mudança nos métodos utilizados pelos atacantes, com recurso crescente a inteligência artificial (IA). Enquanto técnicas tradicionais, como o ransomware, estão a perder peso, ataques apoiados por Inteligência Artificial (IA), incluindo chamadas automatizadas e deepfakes, estão a provocar danos maiores.

Oito em cada dez empresas esperam que os criminosos aumentem a utilização de IA. “A inteligência artificial está a mudar fundamentalmente a natureza dos ataques”, vincou o presidente da associação digital que realizou o estudo.
Ao mesmo tempo, diminuiu a confiança das empresas na sua preparação para responder a ciberataques. A percentagem das entidades que se consideram muito bem preparadas caiu de 50% para 43% num ano.
Apesar disso, também baixou a proporção de empresas que consideram que um ciberataque bem-sucedido poderia ameaçar a sua sobrevivência: passou de 59% para 45%.
Os gastos em cibersegurança mantiveram-se estáveis, representando em média 18% dos orçamentos de tecnologias de informação das empresas. O estudo da Bitkom contou com mais de mil empresas.
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