Irão e Omã concordam em partilhar as receitas do Estreito de Ormuz
Entre os acordos alcançados pelo Irão e Omã está a participação de ambos nas receitas do Estreito de Ormuz, assim como a criação de um corredor marítimo temporário que inclui desminagem na via.
A Guarda Revolucionária do Irão anunciou esta quarta-feira que foram alcançados “alguns acordos” com Omã sobre segurança no estreito de Ormuz, incluindo a partilha das receitas do tráfego marítimo, mas as negociações ainda vão prosseguir.
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“Durante as negociações com Omã, foram firmados alguns acordos relativos à participação de cada país nas águas do estreito e à participação do Irão e de Omã nas receitas”, indicou o porta-voz da Guarda Revolucionária, acusando Washington de “obstruir os trabalhos” das negociações dos dois países do Golfo, que se prolongam há várias semanas.
As declarações de Hossein Mohebi surgem um dia depois de os ministros dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, e do Irão, Abbas Araghchi, se reunirem em Teerão.
Após o encontro, o chefe da diplomacia de Mascate afirmou que espera o anúncio “em breve” da criação de um corredor marítimo temporário no estreito de Ormuz, que inclui operações de desminagem na via navegável e sob ameaça militar de Teerão desde o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, contra a República Islâmica.
Segundo um comunicado divulgado na terça-feira pela diplomacia de Mascate, as negociações vão prosseguir para estabelecer uma rota marítima permanente e definir “a gestão futura do estreito”, bem como um mecanismo para “prestar os serviços de navegação e segurança necessários”.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, também confirmou na noite de terça-feira, à televisão estatal, avanços nas negociações com Omã sobre uma nova estrutura para gerir o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que excluiria as embarcações militares.
“Se o entendimento se tornar vinculativo, nenhuma embarcação militar terá permissão para passar pelo estreito de Ormuz“, disse.
Gharibabadi salientou que a rota proposta é temporária e que os dois países deverão negociar de seguida, num prazo de 30 a 60 dias, um esquema permanente.
O tráfego marítimo comercial para o golfo Pérsico a partir do golfo de Omã passaria inteiramente por águas iranianas, enquanto a rota de saída atravessaria partes das águas dos dois países, precisou.
Ao final da tarde, o barril de Brent para entrega em outubro valoriza 0,64% para 89,15 dólares e o contrato de crude WTI que expira a 22 de setembro soma 0,91% para 83,12 dólares, depois de terem estado a cair durante a manhã.
Os Estados unidos já avisaram Omã que se opõem a partes do acordo em desenvolvimento, incluindo a gestão conjunta da rota de saída da passagem marítima, por onde transitavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, que fez disparar os preços dos bens petrolíferos.
Anteriormente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha afirmado que Ormuz estava sob controlo norte-americano e desminado, uma alegação negada por Teerão, e ameaçou Omã com bombardeamentos caso o sultanato se colocasse “no caminho” de um acordo dos Estados Unidos sobre o estreito.
Na segunda-feira, o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, apresentou a operação “Pária Económico” contra a República Islâmica, que visa sancionar qualquer pessoa ou entidade que com ela mantenha relações comerciais.
Em reação, as autoridades de Teerão consideraram que a guerra económica anunciada por Washington está “destinada ao fracasso”, e afirmaram que não vão mudar o rumo da República Islâmica.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses já expirou.
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