Mota-Engil fecha contrato de 1,8 mil milhões de dólares para ferrovia na RD Congo
Mota-Engil fechou um contrato para reabilitar e operar uma linha ferroviária na RD Congo, num projeto que poderá contar com até mil milhões de dólares em financiamento dos EUA.
A Mota-Engil fechou esta quarta-feira um contrato de concessão de 30 anos com a República Democrática do Congo para reabilitar e operar uma linha ferroviária do Corredor do Lobito, cujo investimento deverá atingir os 1,8 mil milhões de dólares ao longo de todo o período, segundo comunicou ao mercado.
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O contrato prevê a reabilitação e gestão do troço congolês do Corredor do Lobito, num projeto concebido como uma parceria público-privada (PPP) e que constitui uma infraestrutura estratégica para aumentar as exportações de minerais críticos para os mercados ocidentais.
A linha ferroviária, com cerca de mil quilómetros, atravessa importantes zonas mineiras do país, incluindo Kolwezi, Tenke e Lubumbashi.
“Esta concessão irá permitir a conexão entre a fronteira da Zâmbia (Sakania) e a fronteira de Angola (Dilolo), assegurando assim a ligação ferroviária de todas as minas na região de Lualaba e Haut-Katanga, no Congo, ao porto do Lobito, em Angola, e aos mercados internacionais”, salienta a construtora em comunicado.
A Mota-Engil África será assim responsável, durante três décadas, pela “pela exploração, gestão e manutenção da infraestrutura ferroviária para transporte de mercadorias, minerais, líquidos e gases no corredor que integra a Concessão Ferroviária do Corredor do Lobito (em Angola) e, subsequentemente, do porto de Lobito a Sakania, na província de Haut-Katanga no sul da República Democrática do Congo“.
O projeto na República Democrática do Congo poderá beneficiar de apoio financeiro dos Estados Unidos. Em dezembro, a US International Development Finance Corporation (DFC) anunciou ter assinado uma carta de interesse com a Mota-Engil para um financiamento de até mil milhões de dólares destinado a apoiar a reparação e operação da linha ferroviária congolesa.
O interesse de Washington no projeto está relacionado com a importância estratégica dos recursos minerais do país africano. A República Democrática do Congo é o segundo maior produtor mundial de cobre e o maior produtor de cobalto, dois minerais considerados críticos para várias indústrias, incluindo a produção de baterias.
A administração de Donald Trump tem procurado reforçar o acesso norte-americano a minerais críticos e reduzir a dependência dos EUA em relação à China. Em dezembro, Washington e Kinshasa concluíram uma parceria que prevê, entre outros pontos, acesso preferencial de investidores norte-americanos a alguns depósitos de minerais congoleses.
A Bloomberg lembra que a Mota-Engil já integra um consórcio que opera uma linha ferroviária de ligação na vizinha Angola, que se estende até à costa do Oceano Atlântico, permitindo a ligação ao corredor do Lobito.
Atualmente, empresas chinesas como a CMOC Group e a Zijin Mining têm uma posição dominante na produção de cobre e cobalto da República Democrática do Congo.
O Corredor do Lobito é visto como uma alternativa estratégica às rotas controladas ou influenciadas pela China para escoar os minerais produzidos no centro de África. Existe também um projeto para ligar a Zâmbia, segundo maior produtor de cobre de África, ao corredor ferroviário que termina no porto do Lobito.
Em paralelo, empresas chinesas estão a avançar com um investimento de 1,4 mil milhões de dólares na modernização de uma ferrovia que permite transportar minerais da Zâmbia até ao porto de Dar es Salaam, na Tanzânia, no oceano Índico.
A Mota-Engil anunciou na terça-feira um aumento da sua carteira de encomendas em cerca de 685 milhões de euros, na sequência da extensão de um contrato na Nigéria e da adjudicação de um novo negócio no Peru.
(Notícia atualizada às 17h08 com comunicado da Mota-Engil na CMVM)
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