Vista Alegre fecha o semestre com lucros a crescer quase 19%

Lina Santos,

Os primeiros seis meses do ano foram marcados por um aumento na rentabilidade do grupo e, em março, uma venda recorde da Bordallo Pinheiro para a Turquia.

Reportagem Fábrica Vista Alegre em Ílhavo - 29NOV24
Fábrica Vista Alegre em ÍlhavoHugo Amaral/ECO

A Vista Alegre fechou o 1.º semestre de 2026 a crescer 18,9% face ao mesmo período em 2025, com um resultado líquido de 4,3 milhões de euros este ano, informou num comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

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A empresa portuguesa destaca o crescimento da rentabilidade, “alcançado apesar do aumento significativo do custo do gás, fortemente pressionado pelo conflito no Médio Oriente”. Face a dezembro de 2025, reportam um redução de 6,4 milhões de euros da dívida líquida e melhoria do rácio dívida líquida/EBITDA para 2,1x.

O volume de negócios situa-se nos 71,3 milhões de euros, um aumento de 1,6% face ao primeiro semestre de 2025, “com crescimento nos três principais segmentos de atividade”.

A empresa destaca ainda o “reforço da trajetória de crescimento futuro, suportada por uma carteira comercial sólida, novos projetos com marcas internacionais de referência e pela implementação do projeto Ria III S, que representa um investimento de cerca de 40 milhões de euros em nova unidade industrial”.

As contas mostram uma redução de 2,5% no custo das mercadorias vendidas e matérias consumidas e uma descida de 1,4% nos gastos com pessoal. Em sentido contrário, os fornecimentos e serviços externos aumentaram 12,5%, para cerca de 13 milhões de euros.

“Os resultados do primeiro semestre mostram uma Vista Alegre mais rentável, financeiramente mais sólida e cada vez mais internacional”, afirma o CEO do grupo, Fernando Daniel Nunes. “Estes resultados são particularmente relevantes porque refletem a execução de uma estratégia assente em três prioridades: valorização das nossas marcas e do posicionamento premium; aceleração da expansão internacional; e disciplina operacional e financeira”, acrescenta.

“Olhamos para o futuro com confiança e com uma orientação clara: continuar a aumentar o peso internacional das nossas marcas, privilegiar crescimento de maior valor acrescentado e reforçar a eficiência das operações. A combinação entre um património de marca único, capacidade industrial, design e inovação constitui a base para uma Vista Alegre cada vez mais global, competitiva e preparada para criar valor de forma sustentável”, considera.

Dos primeiros seis meses do ano, a Vista Alegre destaca os seus projetos com a Bialetti e a Cartier, assim como o desenvolvimento de “novas oportunidades” para clientes como Martell e Bellagio. “A carteira de encomendas nos segmentos de faiança e grés mantém-se robusta, destacando-se ainda o reforço da parceria com a IKEA“, diz o comunicado. Na apresentação de resultados de 2025, a empresa revelou que tinha renovado o contrato com a multinacional sueca por mais sete anos, prolongando o atual acordo com a Rita Stone.

Com a revalidação deste contrato com a IKEA para o fornecimento de louça de mesa em grés, o grupo investirá cerca de 40 milhões de euros na construção de uma segunda unidade fabril na Zona Industrial da Mota, em Ílhavo, prevendo a criação de mais uma centena de novos postos de trabalho na região.

A empresa destaca ainda as novas coleções Vista Alegre e Bordallo Pinheiro, lançadas este ano, estabelecendo novas colaborações com artistas, designers e instituições de referência.

“A Bordallo Pinheiro manteve uma dinâmica comercial particularmente forte, alcançando em março um recorde histórico mensal de vendas, que incluiu a maior transação de sempre da marca na Turquia”, diz o comunicado.

Por áreas de negócio, “três das quatro áreas de atividade registaram crescimento”:

  • A Faiança destacou-se com um aumento de 8,1%, seguida do Grés, com 3,5%, e da Porcelana e Complementares, com 0,7%.
  • O segmento de Cristal e Vidro recuou 14,1%, “ainda influenciado pela contração do mercado internacional das bebidas premium, condicionando parcialmente o ritmo de crescimento consolidado”.

“O desenvolvimento de novos projetos com clientes internacionais de referência deverá contribuir para uma evolução mais favorável deste segmento nos próximos períodos”, sublinham.

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