Harvard ponderou trazer MBA para portuguesa Nova SBE face a ‘aperto’ de Trump
A portuguesa Nova SBE, a suíça IMD, a britânica London Businss School e a canadiana University of Toronto foram os parceiros potenciais contactados por Harvard, face a aperto nos vistos nos EUA.
Numa altura em que a administração de Donald Trump ameaçava travar a atribuição de vistos a alunos internacionais, a Harvad Business School ponderou trazer o seu MBA para a Europa e o Canadá, tendo promovido conversações com “potenciais parceiros”. Segundo avança esta quinta-feira o Financial Times, a portuguesa Nova SBE foi uma das escolas consideradas. Ao ECO, o dean dessa escola, Pedro Oliveira, confirma que esta hipótese foi discutida há cerca de um ano, mas garante que já não há conversas a decorrer nesse sentido.
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O primeiro semestre do último ano ficou marcado por momentos de tensão, no que diz respeito à capacidade das universidades norte-americanas (em particular, Harvard) acolherem estudantes estrangeiros, incluindo portugueses.
Em maio, por exemplo, a administração de Donald Trump revogou a capacidade da Universidade de Harvard matricular estudantes estrangeiros e tentou forçar os atuais estudantes internacionais dessa instituição a serem transferidos para outras escolas.
Harvard considerou ilegal esta decisão, que ameaçava milhares de estudantes e, segundo avança esta quinta-feira o Financial Times, a Harvard Business School começou, então, a explorar a hipótese de lecionar o seu MBA na Europa e no Canadá.
Nesse sentido, promoveu conversações com vários potenciais parceiros, nomeadamente com a portuguesa Nova School of Business and Economics (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa), a suíça IMD, a britânica London Businss School e a canadiana University of Toronto, enumera o FT, que cita fontes próximas da negociação.
Confrontada, a própria Harvard Business School confirma ao jornal que discutiu, há cerca de um ano, o estabelecimento de uma operação estrangeira, “face à situação incerta quanto aos vistos”. Mas adianta que, “felizmente”, a situação mudou e, portanto, a hipótese deixou de ser explorada.
Em declarações ao ECO, o dean da Nova SBE também confirma que o assunto foi discutido, esclarecendo que o que estava em cima da mesa era o MBA da HBS ser lecionado num polo europeu, e não a criação de um programa conjunto. Pedro Oliveira assegura, contudo, que essas conversações já não decorrem.
O Financial Times escreve, porém, que no início deste mês Mariano-Florentino Cuéllar, membro da administração de Harvard, indicou que esta universidade, de modo global, estava a pensar explorar a possibilidade de ter algumas operações no estrangeiro.
O ECO insistiu neste ponto com Pedro Oliveira, mas o dean garante que não decorrem neste momento conservações sobre o MBA. “Temos muitas outras coisas a acontecer com Harvard em paralelo”, salientou o mesmo, referindo-se a laços já existentes.
Conforme já tinha explicado em entrevista ao ECO o dean da Nova SBE, esta escola de negócios portuguesa já tem uma parceria com Harvard, no âmbito do instituto Digital Data Design. O responsável adiantou, já na altura, que há um grande interesse das universidades americanas em fazerem parcerias em Portugal, face ao cenário de volatilidade vivido nos Estados Unidos.
Esta quinta-feira, Pedro Oliveira assinalou também que o interesse dos norte-americanos pela educação portuguesa tem aumentado. Realçou, por exemplo, que o número de candidatos dessa nacional aos mestrados da Nova SBE subiu 18% este ano, havendo também muito interesse por parte de docentes norte-americanos.
Formação nas embaixadas pode impactar agendamentos

A incerteza em torno dos vistos para estudantes estrangeiros pode ter diminuído, mas as migrações continuam a ser um tema quente nos Estados Unidos.
Ainda esta quarta-feira, a agência Reuters avançava que a administração de Donald Trump tinha suspendido temporariamente os agendamentos de vistos nas embaixadas e consulados dos Estados Unidos em todo o mundo, deixando milhares de candidatos à imigração à espera de novas datas para entrevistas.
Em declarações ao ECO, um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos indicou que a administração está a “proteger o povo americano ao manter os mais elevados padrões de análise e verificação dos requerentes de vistos”.
“Uma América mais próspera implica garantir que os requerentes de visto têm pouca probabilidade de se tornarem num encargo público ou dependentes dos benefícios públicos reservados para os cidadãos americanos que deles precisem“, sublinhou a mesma fonte.
O Departamento de Estado adiantou ao ECO que, desde o início do ano, está a atualizar as orientações e a formação de modo a garantir que todos os trabalhadores dos consulados estão devidamente equipados para avaliar cada pedido de visto “de forma abrangente e consistente”.
“No início de agosto, lançámos uma iniciativa de formação global em todas as nossas embaixadas e consulados em todo o mundo. Para permitir a realizar de formação aprofundada, os agendamentos dos vistos serão ajustados“, acrescentou a mesma fonte, não confirmando, nem rejeitando a suspensão noticiada pela Reuters.
“Sempre que houver alterações aos agendamentos das entrevistas para obtenção de visto, as embaixadas e os consulados comunicarão diretamente essas alterações aos requerentes de visto“, assegurou ainda o Departamento de Estado norte-americano.
(Notícia atualizada às 16h05)
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