Sword Health vai comprar aplicação de saúde mental Headspace por mais de 170 milhões
Unicórnio português liderado por Virgílio Bento volta às aquisições apenas sete meses após desembolsar mais de 280 milhões pela concorrente alemã Kaia Health.
O unicórnio português Sword Health vai voltar às compras. A tecnológica especializada em software para cuidados de saúde está a planear adquirir a empresa de saúde mental Headspace por entre 200 milhões e 300 milhões de dólares (cerca de 172 a 257 milhões de euros), avançou o portal de notícias norte-americano Axios.
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A Headspace, com sede em São Francisco, disponibiliza serviços online de terapia, coaching, bem-estar e assistência ao trabalhador, dando emprego a mais de 500 pessoas. No entanto, o preço que o unicórnio nacional deverá pagar representa uma queda significativa na avaliação da Headspace, que em 2021 foi de cerca de três mil milhões de dólares (2,6 mil milhões de euros), quando se fundiu com a Ginger Health.
Fontes contactadas pela Axios informam que os serviços clínicos prestados por ambas não serão reduzidos no âmbito da aquisição, mas “a empresa resultante da fusão prevê que possa haver reduções no pessoal administrativo em funções duplicadas entre as duas organizações”.
A data prevista de conclusão da transação é 14 de setembro, de acordo com a notificação dada às autoridades de saúde de Massachusetts pela dona da Headspace, a OrangeDot, conforme consta na plataforma de M&A especializada Healthcare Dealflow. O ECO contactou a Sword Health, que respondeu apenas que “de momento” não tem “comentários a partilhar” sobre este assunto.
Este é um alvo apetecível para a portuense Sword Health, que considera a saúde mental essencial no plano para uma possível entrada em bolsa em 2028. Aliás, a tecnológica conhecida pela fisioterapia digital opera o “Mind”, que combina inteligência artificial (IA) com um dispositivo wearable que deteta sinais de depressão e ansiedade, com apoio de profissionais clínicos.
Fundada em 2010 por Richard Pierson e Andy Puddicombe, a Headspace ficou conhecida por criar uma aplicação de meditação e mindfulness, mas foi alargando o portefólio de serviços e crescendo através de parcerias e com um foco claro na qualidade da voz e do som – por exemplo, lançou um serviço de subscrição conjunta com o Spotify, em 2016, e durante a pandemia nomeou o cantor John Legend como seu “diretor de música”.
Mais tarde, juntou-se ao leque de benefícios dos clientes pagos da Revolut. Ou seja, teve um percurso semelhante ao da futura dona, cuja operação começou pela musculoesquelética, consolidou-se com acordos (neste caso, seguradoras) e diversificou-se em termos de solução e expansão geográfica.
Som relaxante passou a ‘stress’
A Headspace tem uma ampla oferta de funcionalidades e mecanismos para diferentes objetivos de saúde mental, entre os quais dormir melhor, controlar a ansiedade ou praticar meditação. Para tal, o utilizador pode, consoante o seu intuito ou necessidade, escolher entre guias práticos de como iniciar meditação, playlists de histórias ou músicas para adormecer, cursos de respiração, entre outros.
Todavia, a Headspace sofreu algumas reformas nos últimos anos. Em 2023, o jornal Los Angeles Times noticiou que uma ronda de despedimentos de 33 terapeutas causou preocupações entre os pacientes, que perderam por completo o contacto com os profissionais de saúde. Isto porque, logo após o lay-off, os psicólogos foram desligados da plataforma, sem aviso prévio, e não conseguiam informar os pacientes de que haviam perdido os seus empregos e não lhes poderiam continuar a prestar apoio.
Pouco depois, no final de 2024, o também unicórnio anunciou que iria pôr fim à sua equipa de terapeutas e eliminar 13% da sua força de trabalho no ano seguinte, argumentando que os despedimentos eram necessários para “reestruturar” a empresa e “regressar às raízes, impulsionando inovações tanto em tecnologia como em modelos de serviço que transformem os sistemas existentes”, como noticiou a Behavioral Health Business.
Foi precisamente a esta publicação que o próprio Virgílio Bento admitiu: “Quero fazer o IPO quando tivermos a solução ideal para a saúde mental.”
O negócio vem a público apenas sete meses após o cofundador e CEO da Sword Health, Virgílio Bento, ter anunciado a compra da concorrente alemã Kaia Health por 285 milhões de dólares (aproximadamente 237 milhões de euros) para reforçar a sua presença nos Estados Unidos e obter via verde para o mercado germânico, onde os tratamentos através da startup na qual investiu podem ter prescrição médica, dando acesso a um mercado potencial de mais de 70 milhões. E menos de dois anos a seguir à britânica Surgery Hero, uma espécie de clínica digital para a preparação para intervenções cirúrgicas.
Se for concluído, o novo acordo – desta vez transatlântico – catapulta a Sword Health para o ranking das maiores transações na área da saúde digital e mental, que tem estado em consolidação, como se observou com a aquisição da plataforma de terapia Alma pela Spring Health, no passado mês de maio, como detalha a Dealroom.
Notícia atualizada às 19h07 com resposta oficial da Sword Health
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