Matosinhos pede empréstimo de 40 milhões para construir 500 habitações de renda acessível

  • Lusa
  • 28 Agosto 2026

Luísa Salgueiro explica que está a adiantar a verba que cabe ao Governo, por considerar que Matosinhos não pode esperar, nem pode ficar refém do 'timing' do Executivo de Montenegro.

A presidente da Câmara Municipal de Matosinhos adiantou esta sexta-feira à Lusa que vai pedir um empréstimo de 40 milhões de euros para construir 500 habitações de renda acessível, sendo um dos empreendimentos exclusivamente para jovens até aos 35 anos.

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“Somos um município que, para além da capacidade de execução e de boas equipas, tem capacidade financeira. Portanto, nós vamos recorrer a um empréstimo, vamos à banca”, frisou Luísa Salgueiro, eleita pelo PS.

A autarca salientou que este pedido de empréstimo irá ser discutido na próxima reunião pública do executivo municipal, agendada para quarta-feira.

Nós não temos o problema da habitação de Matosinhos sanado e estamos numa fase decisiva em que ou aguardamos por medidas nacionais ou avançamos, e nós vamos avançar.

Luísa Salgueiro

Presidente da Câmara Municipal de Matosinhos

Depois de ter executado a 100% o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), entregando as mais de 500 casas construídas e reabilitadas neste domínio, Matosinhos quer “fazer mais” porque “precisa de mais”, assinalou.

“Nós não temos o problema da habitação de Matosinhos sanado e estamos numa fase decisiva em que ou aguardamos por medidas nacionais ou avançamos, e nós vamos avançar”, sublinhou a ex-presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP).

Ao pedir um empréstimo, o que a câmara está a fazer é adiantar a verba que cabe ao Governo porque Matosinhos não pode esperar, nem pode ficar refém do ‘timing’ do Governo PSD/CDS-PP, apontou.

A socialista esclareceu que, dos 40 milhões de euros, a autarquia irá reaver mais de 20 milhões de euros, valor correspondente aos 60% que são da responsabilidade do Governo e que, depois, serão canalizados para outros investimentos.

Luísa Salgueiro, presidente da Câmara Municipal de MatosinhosRicardo Castelo/ECO

Estas novas habitações, todas em terrenos municipais, não serão para renda apoiada, mas para renda acessível e dirigida à classe média, explicou. “As que construímos até agora foram para renda apoiada e, agora, queremos construir para renda acessível”, insistiu.

Um dos empreendimentos será exclusivamente destinado a jovens até aos 35 anos que têm, atualmente, dificuldade em autonomizar-se, indicou.

Luísa Salgueiro, que cumpre o seu último mandato, estimou que as habitações estejam prontas entre três a quatro anos.

Das 500 habitações, mais de 200 são da responsabilidade do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), reforçou.

Além de construir nova habitação, a autarquia vai ainda reabilitar, com este empréstimo, sete conjuntos habitacionais, num total de 1.173 habitações, que não foram incluídos no PRR, acrescentou.

À data de hoje, Matosinhos tem 6% de habitação pública, sendo a média nacional de 3%, com mais de 4.800 habitações e 10.500 pessoas, destacou.

Municípios têm sido “muito lesados” pela falta de decisão do Governo

A presidente da Câmara de Matosinhos considera que os municípios têm sido “muito lesados” pelo atraso e dificuldade de decisão do Governo PSD/CDS-PP, nomeadamente em matéria de habitação.

“O Governo está muito atrasado em muitas áreas naquilo que diz respeito à sua vida com os municípios”, apontou Luísa Salgueiro. A autarca, eleita pelo PS, lembrou que a responsabilidade de construir habitação é do Governo e não das câmaras municipais. “E houve tempo em que o Governo construiu, mas nas últimas décadas isso deixou de acontecer”, assinalou.

Mas, não é só nesta matéria que está atrasado, vincou Luísa Salgueiro, dando ainda como exemplo a transferência da gestão e das obras de requalificação das escolas para os municípios. Este processo está atrasado três anos porque já se deviam estar a fazer obras nas escolas e, até agora, ainda nem as candidaturas foram apreciadas, destacou.

“Em matéria de transferências para as escolas nem a comissão de acompanhamento da descentralização está a funcionar e, portanto, há um ‘déficit’ nas verbas que vêm para as escolas”, assinalou.

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