Warsh avisa que Fed terá “trabalho a fazer” se inflação persistir. Investidores reforçam aposta na subida dos juros
O presidente do banco central norte-americano diz que progressos para travar a inflação têm sido "modestos". Mercado já vê quase 50% de probabilidade de o custo do dólar subir em setembro.
- A Reserva Federal dos Estados Unidos poderá aumentar as taxas de juro se a inflação subjacente não voltar à meta de 2%, sinalizou Kevin Warsh.
- Os investidores aumentaram para 46% as probabilidades de uma subida de 25 pontos base nas taxas na próxima reunião da Fed, refletindo a preocupação com a inflação.
- Warsh destacou que os progressos na redução da inflação têm sido modestos, com o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal a 3,7% em julho, o que exige atenção contínua.
A Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos terá “trabalho a fazer” se os decisores de política monetária não estiverem confiantes de que a inflação subjacente está a regressar à meta de 2%, afirmou na sexta-feira o chair Kevin Warsh, dando um raro sinal aos investidores sobre a possibilidade de o banco central ter de subir as taxas de juro para travar a inflação.
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“Eis o meu standard: temos de estar confiantes de que a inflação subjacente está a avançar para o nosso objetivo, de forma clara e a um ritmo suficiente”, disse, num discurso no Jackson Hole Symposium, no estado do Wyoming. “Caso contrário, temos trabalho a fazer.”
Warsh, que foi nomeado por Donald Trump em janeiro e assumiu o cargo em maio, explicou que “é essa a nossa função… o nosso mandato… e a nossa responsabilidade”.
Os investidores reagiram de imediato, fazendo subir para 46% as probabilidades de um aumento das taxas de juro de 25 pontos base na reunião da Fed de 15 e 16 de setembro, face aos cerca de 35% registados na quinta-feira, segundo dados da CME Fedwatch. A Fed ainda não mexeu nas Federal Funds Rates este ano, com o custo do dólar a manter-se no intervalo 3,50%-3,75%.
A yield dos títulos do Tesouro a dois anos – a maturidade mais sensível às taxas de juro da Fed – subiu 6,6 pontos base, para 4,29%, o nível mais elevado em cerca de um mês, enquanto as bolsas ampliaram ligeiramente os ganhos.
Para Oliver Pursche, senior vice-presidente na Wealthspire Investor a conclusão inicial é que Warsh está, até certo ponto, a dar ao mercado o que este quer. “Reconhece que a inflação é uma questão recorrente, mas mantém a sua posição de não se adiantar demasiado ao prever o que a Reserva Federal poderá ou não fazer no futuro”, disse, citado pela Reuters, admitindo que “é o melhor que se poderia esperar dele e mercado está a refletir isso”.

“Números mais preocupantes”
O presidente da Fed não abordou diretamente as recentes — e surpreendentes — intervenções no mercado por parte do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, mas afirmou que o banco central “precisa de sinais claros do mercado, tão não-filtrados quanto possível”.
Warsh foi mais direto em relação à inflação, sublinhando que os progressos registados nos últimos dois anos têm sido modestos, com o Índice de Preços das Despesas de Consumo Pessoal (PCE) — o indicador preferido da Fed —, a ficar nos 3,7% numa base anual em julho. “Os dados recentes não me indicam que as tendências subjacentes tenham melhorado significativamente”, lamentou.
“No que diz respeito à vertente do emprego do duplo mandato da Reserva Federal, o nosso país está a ter um bom desempenho, mas no que diz respeito à vertente da estabilidade de preços do nosso mandato os números são mais preocupantes”, avisou, apontando também para os dados Índice de Preços no Consumidor, que também se encontram elevados.
“Nenhum destes indicadores é perfeito, mas todos apontam para uma realidade semelhante: a inflação está acima da nossa meta de 2%. Por isso, o foco principal da Fed neste momento deve centrar-se nos preços“, vincou.
(Notícia atualizada às 16h11 com mais citações, comentário e gráfico)
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