Aterosclerose silenciosa já afeta um em cada 13 jovens entre os 18 e os 29 anos

  • Servimedia
  • 31 Agosto 2026

Um estudo internacional liderado pelo CNIC deteta placas arteriais em 57% dos adultos sem diagnóstico de doença cardiovascular.

A aterosclerose, o processo responsável pela maioria dos ataques cardíacos e AVC, já está presente em um em cada 13 jovens aparentemente saudáveis, entre os 18 e os 29 anos, segundo os primeiros resultados do estudo internacional React, liderado pelo Centro Nacional de Investigação Cardiovascular (CNIC) e pelo Rigshospitalet em Copenhaga.

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A investigação, apresentada no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC 2026) e publicada simultaneamente no ‘The New England Journal of Medicine’, analisou 16.808 pessoas entre os 18 e os 70 anos sem historial de doenças cardiovasculares. Os resultados mostraram que 57,1% já apresentavam placas de aterosclerose numa artéria, apesar de não terem desenvolvido sintomas nem terem sido previamente diagnosticadas.

De acordo com as informações fornecidas este sábado pelo CNIC, a prevalência “aumenta progressivamente com a idade até afetar nove em cada dez pessoas entre os 60 e os 70 anos”. Além disso, os investigadores detetaram diferenças significativas entre homens e mulheres: os homens desenvolvem a doença entre cinco e dez anos antes, enquanto nas mulheres a progressão acelera significativamente entre os 40 e os 60 anos, coincidindo com a transição para a menopausa.

O diretor científico do CNIC e cardiologista do Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz, Borja Ibáñez, sublinhou que o estudo confirma que a doença cardiovascular começa “muito antes do surgimento dos primeiros sintomas” e defendeu uma mudança de paradigma na prevenção. “Agora podemos ir mais longe e detetar diretamente a doença antes que cause um ataque cardíaco ou AVC”, afirmou.

SCANNERS PORTÁTEIS DE ULTRASSONS

Uma das descobertas mais relevantes é que a maioria das pessoas com aterosclerose nas artérias coronárias também apresenta placas nas artérias carótidas ou femurais. Este facto abre a porta a estratégias de deteção mais simples, utilizando ultrassons, uma técnica rápida, acessível e não invasiva.

Os autores consideraram que as máquinas portáteis de ultrassom “poderiam tornar-se uma ferramenta comum para a identificação precoce de pessoas com aterosclerose silenciosa, mesmo décadas antes de sofrerem um evento cardiovascular.” Segundo Ibáñez, estes dispositivos, que podem ser usados por diferentes profissionais de saúde, “poderão ser incorporados no rastreio rotineiro de doenças cardiovasculares no futuro”.

O estudo conclui ainda que as escalas de risco cardiovascular atualmente utilizadas identificam apenas uma parte das pessoas que já têm aterosclerose subclínica, o que “reforça o interesse em estratégias baseadas em técnicas de imagiologia para orientar com mais precisão as medidas de prevenção e tratamento.”

A segunda fase do projeto React, agendada entre 2027 e 2032, irá avaliar através de um grande ensaio clínico se uma estratégia preventiva orientada por técnicas de imagiologia pode reduzir de forma mais eficaz a ocorrência de enfartes, AVC e outros eventos cardiovasculares do que o modelo atual, baseado exclusivamente em fatores de risco.

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