Jaime de La Rica Oraá: “O salário é um componente importante, mas (…) a aprendizagem é mais”

  • ECO
  • 31 Agosto 2026

Formado em gestão de empresas, Jaime de La Rica Oraá sempre teve o sonho de estar à frente de uma multinacional. Hoje é BEO da Nespresso Portugal e partilha os detalhes do seu percurso.

Jaime de La Rica Oraá, Business Executive Officer, é o 93º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Nasceu em Espanha, mas sempre teve o sonho de conhecer mais mundo e gerir uma multinacional. Tirou o curso de gestão e administração de empresas e começou logo a trabalhar no marketing da Unilever, onde foi fazendo o seu percurso até chegar à Nespresso e se tornar o principal responsável da marca em Portugal.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

“Eu tinha um desejo de trabalhar em grandes empresas e em grandes marcas de consumo. Estudei gestão e administração de empresas e fui selecionado pela Unilever para trabalhar em Madrid. Saí de Bilbao, da minha zona de conforto, e fui para uma cidade nova fazer algo completamente diferente e sozinho”, começou por dizer.

Mas as mudanças não ficaram por aqui. De acordo com Jaime de La Rica Oraá, “nestas marcas multinacionais, se tiveres mobilidade e vontade de sair fora da tua área de conforto, mais possibilidades de desenvolvimento tens” e, por essa mesma razão, decidiu aceitar uma proposta para ficar um ano em Barcelona, ainda pela Unilever: “Eu fui para Barcelona para viver a experiência de conhecer a cidade e de continuar a minha carreira de marketing, mas encontrei lá o amor da minha vida e isso mudou tudo. Acabei por ficar a viver em Barcelona e foram 12 anos magníficos. Tive três filhos lá com a minha mulher”.

Da Unilever fez o “salto” para a Nespresso e, novamente, isso exigiu estar disponível para voltar a fazer malas e mudar-se, desta vez para outro país – a Suíça. Aqui, apesar de ter notado uma maior diferença cultural, continuou a sentir-se em casa e explica a principal razão para isso acontecer: “No final, o teu lar é onde está a tua família. Por isso, quando eu estou em Barcelona, Bilbao ou Suíça, eu sinto-me na minha casa. E agora também, em Lisboa”.

“Eu já tinha amigos na Nespresso Portugal porque, quando eu estava na Suíça, já tinha responsabilidades europeias e Portugal estava dentro delas. Por isso, eu já conhecia a equipa, a cultura, e era um dos destinos que eu queria ter“, disse, explicando o motivo pelo qual aceitou sair da Suíça e vir para Lisboa, onde passou a ser Business Executive Officer da Nespresso Portugal.

Fazendo uma retrospetiva de todos os seus cargos, Jaime de La Rica Oraá considera que, em todos eles, já manifestava a sua tendência para estar em posições de liderança: “Em Espanha, eu tinha a posição de liderança da equipa de marketing. Depois, na Suíça, era líder de marketing da Europa, e agora sou líder da Nespresso Portugal. Eu acho que a liderança é um bocadinho a formação de toda a vida, até porque eu sempre tive esta sensação de gostar de liderar e de fazer com uma equipa tenha ambições maiores“.

“A Nespresso tem mais de 20 anos em Portugal e este é um país que ama café. Por isso, quando eu cheguei comecei a olhar para qual seria o meu posicionamento aqui. E percebi que, depois da minha estadia em Portugal, quero que as equipas estejam melhores do que antes, ao nível de desenvolvimento pessoal, de conhecimento e de alegria, até porque a minha crença é que, no final, são as pessoas que fazem acontecer tudo. Depois, outro objetivo é deixar a marca Nespresso melhor do que estava antes. E aqui entra trabalhar a comunicação, os planos de marketing e os lançamentos de produto. É uma mistura de consolidação e fidelidade dos clientes atuais e a captação de novos. Nenhuma marca pode sobreviver sem este equilíbrio“, continuou.

Já no que diz respeito à sua posição dentro da marca, o BEO não tem dúvidas de que, para se ser diretor geral de uma empresa, é preciso “estar fora” para saber retirar o melhor do que se vê e empoderar as suas equipas: “É muito importante deixar as equipas fazerem o seu trabalho. Empoderá-las é mostrar que eu sou o responsável, mas que lhes estou a dar o poder. Eu acredito que, no caminho da aprendizagem, é super importante ter a liberdade para errar e acertar. Isto é uma das chaves, em geral”.

Neste caminho tem também observado que as novas gerações “têm um componente de maior flexibilidade”. “Em geral, são pessoas muito trabalhadoras. Obviamente, valorizam a vida pessoal, como nós também valorizávamos, mas o que valorizam mesmo é o desenvolvimento futuro. Aliás, quando estou a entrevistar uma pessoa nova, as perguntas giram sempre em torno do próximo passo, qual o desenvolvimento que vão ter, qual a aprendizagem, se estamos a usar IA…“, contou.

Além disso, considera que a preocupação com a vida pessoal dos funcionários também tem um peso importante na relação com a empresa: “Onde queres trabalhar? Num sítio onde te respeitam, onde consideram que és uma pessoa, um pai, um amigo, ou num sítio onde só há performance? A verdade é que reter um novo talento está muito vinculado à cultura. O salário é um componente importante, mas, quando estás a falar com pessoas, sobretudo as mais novas, a aprendizagem é mais“.

Para o futuro, o BEO da Nespresso Portugal garante: “Eu quero continuar aqui. O que é super excitante na Nespresso em Portugal é que temos desafios todos os anos, muito vinculados à inovação, e também posso estar perto dos consumidores”. “Uma coisa muito boa destas aventuras é não saber o que vai acontecer. Porque pode correr bem ou mal, mas sempre vais ter uma aprendizagem“, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Jaime de La Rica Oraá: “O salário é um componente importante, mas (…) a aprendizagem é mais”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião