Exclusivo Martifer encaixa 20 milhões com obras no aeroporto da Portela

Empresa dos irmãos Martins e da construtora Mota-Engil vai trabalhar neste projeto com a Blocotelha, que ficará responsável pela estrutura e cobertura, e com a Facal, a cargo das fachadas.

A Martifer vai encaixar 20 milhões de euros com o contrato que ganhou para realizar obras no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, sabe o ECO. A ANA – Aeroportos de Portugal adjudicou à empresa portuguesa, através da Martifer Metallic Constructions, uma empreitada que inclui trabalhos de estrutura metálica, cobertura e fachadas, no âmbito da ampliação do aeroporto da Portela.

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A intervenção adjudicada à principal empresa da holding Martifer abrange o apron sul, o pier sul e o pier central, o que significa a zona sul de estacionamento e assistência às aeronaves e as áreas sul e central de embarque do maior terminal.

A empreitada contempla cerca de 17.700 metros quadrados de fachadas, 3.924 toneladas de estrutura metálica e 45 mil metros quadrados de revestimento e será feita em consórcio com a Blocotelha, que ficará responsável pela estrutura e cobertura, e com a Facal, cuja especialidade serão as fachadas. Entre este trio, os 20 milhões dizem respeito apenas à Martifer.

“A intervenção integra uma operação estratégica de modernização do maior aeroporto português, promovida pela ANA – Aeroportos de Portugal, com o objetivo de aumentar a capacidade operacional, melhorar a experiência dos passageiros e reforçar a sustentabilidade das infraestruturas, através da redução do consumo de energia e água”, explicou a Martifer, no documento financeiro enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

A empresa liderada por Pedro Duarte, com sede em Oliveira de Frades, considera que, com este projeto, “reforça a sua participação em obras de elevada complexidade técnica e impacto nacional”.

A Martifer Metallic Constructions é a principal empresa do grupo Martifer e dedica-se à construção metálica, metalomecânica e de fachadas em alumínio e vidro. Além da adjudicação em Lisboa, cujo prazo de execução não é conhecido, esta subsidiária já realizou vários projetos aeroportuários internacionais, nomeadamente em Marselha, Genebra e Dublin, que rondam entre os 35 e os 45 milhões de euros.

Por sua vez, a parceira Facal, de Santo Tirso, foi fundada em 1982 e está, desde então, especializada na engenharia de fachadas, operando também em Paris. Facal tem registado um crescimento anual no volume de negócios, que em 2025 foi de 12,2 milhões de euros, à boleia da construção dos exteriores em França. Entre os projetos contam-se o centro comercial Beaugrenelle, junto à Torre Eiffel, ou a nova sede do Ministério da Defesa francês, na zona de Balard.

Já a cinquentenária Blocotelha, de Porto de Mós, emprega mais de 300 pessoas e fatura mais de 94,2 milhões de euros, de acordo com os dados depositados no registo comercial. A Blocotelha tem várias áreas de negócio além das estruturas metálicas, fabricando e comercializando também fachadas envidraçadas – e tem unidades de produção em Portugal e Marrocos, complementadas por escritórios em Espanha, Argélia, França e Reino Unido.

Estas obras de construção metálica e de fachadas no Aeroporto Humberto Delgado inserem-se num amplo projeto de expansão da infraestrutura. A ANA, detida a 100% pelo grupo francês Vinci, adjudicou ao consórcio composto pela Mota-Engil, Vinci, Alves Ribeiro e HCI Construções as obras de melhoria, no final de 2024, por 233 milhões de euros, no qual se inclui a ampliação do Terminal 1.

Grupo de Viseu perdeu 7,9 milhões com provisões

Nos primeiros seis meses deste ano, a Martifer teve prejuízos de 7,9 milhões de euros, o que representa uma queda em relação aos lucros de oito milhões registados no mesmo período de 2025, devido à constituição de provisões. O resultado líquido ficou penalizado com a constituição de encargos previstos no valor de 11 milhões de euros.

Em causa está o projeto “Arena de Glasgow”, que envolveu a constituição de provisão one-off, no montante aproximado de 10,4 milhões de euros, na sequência do acordo judicial alcançado pela Martifer UK Limited, no âmbito de uma ação comercial que correu no tribunal de Edimburgo, bem como o projeto “Arena da Amazónia”, que envolveu o reforço de provisão, em 600 mil euros, decorrente da atualização cambial de juros.

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