Prejuízo da TAP dispara para quase 100 milhões no semestre com pressão do combustível
Em pleno processo de privatização, os prejuízos da TAP no primeiro semestre agravaram-se em 40%. Custos com aquisição de 'jet fuel' cresceram 18,7% devido à guerra no Médio Oriente.
- A TAP registou um prejuízo de 99,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, um agravamento de 40% em relação ao ano anterior.
- Os custos com combustível aumentaram quase 20% devido à guerra no Médio Oriente, superando o crescimento de 4% nas receitas e no número de passageiros.
- A companhia aérea está a preparar-se para a privatização, com a entrega de propostas vinculativas ao Governo, o que deverá redefinir a sua estrutura financeira.
A TAP reportou esta segunda-feira um prejuízo líquido de 99,2 milhões de euros no primeiro semestre, o que representa um agravamento de 40% face ao mesmo período do ano passado. A companhia aérea foi castigada por uma subida de quase um quinto nos custos com combustível devido à guerra no Médio Oriente, e que se sobrepôs a crescimentos de 4% nas receitas e no número de passageiros.
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O resultado compara assim com as perdas de 71 milhões de euros que a companhia aérea registou nos primeiros seis meses de 2025. Em maio deste ano, a TAP reportou um prejuízo de 40 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, antevendo já nessa altura que o impacto do conflito no Médio Oriente iria impulsionar os custos com com a aquisição de jet fuel.
A TAP transportou 8,2 milhões de passageiros entre janeiro e junho, mais 4,2% do que período homólogo de 2025, tendo operado 57,5 mil voos. As receitas de bilhetes cresceram 4,4%, para 1.829,2 milhões de euros, “refletindo a robustez da procura nos mercados estratégicos da TAP, com destaque para o desempenho da América do Sul e da Europa”, sublinhou a empresa, em comunicado. As receitas operacionais totais ascenderam a 2.039,8 milhões de euros, uma variação positiva de 4,3%.
A companhia aérea vincou que a evolução dos resultados foi, contudo, condicionada pelo forte aumento dos custos com combustível, que cresceram 18,7% no semestre. Neste contexto, o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) recorrente atingiu 181,9 milhões de euros e o EBIT recorrente situou-se em 83,7 milhões de euros negativos.
Como expectável, o forte aumento dos preços de combustível, nomeadamente do jet fuel, pressionou de forma relevante o desempenho da TAP no segundo trimestre
Citado em comunicado, Luís Rodrigues, CEO da TAP, salientou que, “como expectável, o forte aumento dos preços de combustível, nomeadamente do jet fuel, pressionou de forma relevante o desempenho da TAP no segundo trimestre”.
“De facto, este impacto fez-se sentir de imediato nos custos, enquanto as medidas de mitigação ao nível da receita tendem a materializar-se de forma mais gradual, uma vez que grande parte da receita do segundo trimestre já estava vendida aquando do aumento dos preços”, explicou.
Para o gestor, não obstante este enquadramento, “a TAP manteve um desempenho resiliente, com as receitas a crescerem no primeiro semestre, suportadas pelo aumento da capacidade e pela melhoria das receitas unitárias”.
Olhando para os próximos meses, a TAP referiu que a dinâmica das reservas mantém-se resiliente, suportando a evolução positiva das receitas unitárias. Alertou que, não obstante, o grupo continua a acompanhar a volatilidade dos preços do combustível, a evolução geopolítica e as condições macroeconómicas”, afirmando que “o impacto do aumento do preço do combustível deverá continuar a ser mitigado através de uma gestão ativa da receita e de uma execução disciplinada da política de hedging e dos custos, mantendo uma sólida posição de liquidez”.

CEO sublinha “novo capítulo” com privatização à porta
A TAP sublinhou que reforçou igualmente a sua posição financeira durante o semestre, concluindo com sucesso uma emissão de 350 milhões de euros em senior notes. No final de junho, a empresa apresentava uma posição de caixa e equivalentes de 1.222,1 milhões de euros, reforçando a sua liquidez e flexibilidade financeira.
O semestre ficou ainda marcado pela conclusão do Plano de Reestruturação e pelo lançamento do novo Plano Estratégico 2026-2035, que orientará o desenvolvimento da companhia na próxima década. O plano aposta no crescimento das rotas de longo curso, na diferenciação através do produto, na expansão de fontes de receita complementares e na transformação digital impulsionada pelo Programa Horizon, vincou a TAP.
“Concluído o Plano de Reestruturação, reconhecido pela Comissão Europeia, a TAP inicia agora um novo capítulo” sublinhou Luís Rodrigues. “Definimos um Plano Estratégico para a próxima década, orientado para a criação de valor sustentável, cuja execução é acelerada pelo Programa Horizon, o nosso programa de aceleração digital, inovação e melhoria contínua. Continuaremos a executar este plano com disciplina, mantendo o foco na qualidade da receita, na resiliência operacional e no crescimento sustentável”.
Os resultados semestrais da TAP são conhecidos numa altura em que a Parpública se prepara para entregar ao Governo, nesta terça-feira, o relatório com a descrição e a apreciação das proposta vinculativas entregues a 29 de julho pelos grupos Air France – KLM e Lufthansa para a compra de 44,9% da empresa, noticiou o ECO na passada semana.
Este será mais um passo no processo da privatização de até 49,99% da TAP, pois o documento servirá para o Executivo liderado por Luís Montenegro analisar as ofertas e decidir quem fica com quase metade da companhia aérea nacional.

Segundo trimestre com prejuízo de 59,3 milhões
A TAP informou ainda que no segundo trimestre, o resultado líquido foi um prejuízo de 59,3 milhões de euros , ou seja, uma diminuição de 96,8 milhões, face ao período homólogo, quando registou um lucro de 37,5 milhões de euros. A diferença reflete, sobretudo, “a deterioração dos resultados operacionais decorrente do aumento dos custos com combustível”.
Este efeito foi parcialmente atenuado pelo contributo positivo das diferenças de câmbio e por um efeito fiscal positivo no período, adiantou a companhia aérea.
As receitas operacionais mantiveram‑se praticamente estáveis face ao segundo trimestre de 2025, totalizando 1.125,3 milhões, suportadas pelas receitas de passagens, que se mantiveram estáveis em 1.018,9 milhões, num contexto de capacidade estável, e de um ligeiro aumento do PRASK (receita de passageiros por assentos-quilómetro oferecidos), que se situou em 7,30 cêntimos (+0,3%) face ao segundo trimestre de 2025, incluindo o impacto negativo do calendário antecipado da Páscoa em 2026.
A capacidade (medida em ASK) manteve‑se praticamente estável, refletindo uma alocação disciplinada e centrada nos mercados core, num contexto de aumento significativo do preço de mercado do jet fuel, assegurando simultaneamente a preservação dos seus slots estratégicos, vincou a TAP.
A evolução das receitas unitárias foi suportada pela performance positiva da Europa (+2%) e de África (+3%), e penalizada pela América do Norte (‑7%), “refletindo sobretudo o aumento de capacidade neste mercado, em linha com a estratégia de investimento da TAP na região, bem como uma pressão nas tarifas da classe Económica”.
No conjunto da rede, as receitas da classe Executiva registaram uma evolução positiva, suportadas pelo aumento do PRASK, o que não foi suficiente para compensar o desempenho da classe Económica. A Economy Prime, nova cabina lançada em junho que reforça a oferta premium da TAP, registou uma boa performance inicial, ainda com impacto reduzido no trimestre.
“A capacidade de otimização da receita ao longo do trimestre foi adicionalmente limitada pelo facto de grande parte da receita já se encontrar vendida quando se iniciou a subida dos preços do combustível”, adiantou a companhia. Ainda assim, em junho, o PRASK total da rede registou uma evolução positiva, impulsionado pela América do Sul e pela estabilização da América do Norte.
As receitas do negócio de Manutenção totalizaram 44,6 milhões no segundo trimestre, uma diminuição de 15,1 milhões (‑25,2%) face ao período homólogo, refletindo sobretudo a menor atividade da oficina de motores, na sequência do cancelamento não esperado de um programa de manutenção por parte de um cliente, por motivos alheios à TAP.
As receitas de Carga e Correio aumentaram 1,8 milhões (+4,3%), totalizando EUR 44,2 milhões.
(Notícia atualizada às 07h35 com mais informação)
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