Suécia compra quatro fragatas ao francês Naval Group por 4,3 mil milhões de euros

O contrato inclui intercetores capazes de abater mísseis balísticos, torpedos e mísseis de cruzeiro de longo alcance, com o primeiro navio previsto a ser entregue em 2030.

Mikael Granholm, diretor-geral da FMV (Administração Sueca de Material de Defesa), e Pierre Éric Pommellet, presidente e diretor executivo do Naval Group, assinaram o contrato para a aquisição de quatro fragatas de defesa e intervenção (FDI) para a Marinha Real Sueca, na presença de Emmanuel Macron, presidente francês, e de Ulf Kristersson, primeiro-ministro sueco.

A Suécia vai comprar quatro fragatas de última geração ao Naval Group por mais de quatro mil milhões de euros, num acordo que inclui armamento e formação, assinalando o maior investimento militar do país desde a década de 1980 e reforçando a capacidade de defesa do mais recente Estado-membro a integrar a NATO perante as crescentes ameaças russas na região nórdica do Velho Continente.

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O contrato foi assinado esta segunda-feira durante a visita de Emmanuel Macron, à Suécia, menos de quatro meses depois de Estocolmo ter demonstrado interesse em avançar com esta encomenda por mais de 3,5 mil milhões para reforçar a defesa no Mar Báltico.

A Suécia e a França assinaram hoje um acordo para a compra de quatro fragatas, com entrega a partir de 2030. Assinámos também um acordo-quadro sobre uma plataforma estratégica para a cooperação na área da defesa entre os nossos países. Os acordos reforçam a cooperação operacional na política de segurança sueco-francesa, bem como no domínio do material de defesa e do desenvolvimento industrial. O desenvolvimento da cooperação com a França reforça a segurança da Suécia”, escreveu o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, na rede social X.

O valor do negócio não foi revelado por nenhuma das partes, mas rondará os 4,3 mil milhões de euros segundo a imprensa internacional.

O executivo de Estocolmo defendeu ainda “uma cooperação mais estreita, inclusive na região do Mar Báltico e no Ártico, nas Forças Terrestres Avançadas da NATO na Finlândia, no apoio à Ucrânia e no combate às ameaças híbridas russas“.

As fragatas poderão transportar mísseis de defesa aérea capazes de intercetar mísseis balísticos, além de torpedos e mísseis de cruzeiro de longo alcance. A primeira fragata deverá ser entregue em 2030, segundo o construtor naval, que destaca a existência de uma linha de produção já operacional e de duas unidades modelo de Defesa e Intervenção Francesa (FDI) entregues às Marinhas francesa e grega.

A FDI é uma fragata de última geração com capacidades para diferentes tipos de guerra naval e a concebida para operar em ambientes exigentes como o Báltico e o Extremo Norte. Com capacidades abrangentes de defesa e intervenção, incluindo combate antiaéreo, deverá reforçar a integração militar entre os dois países e a participação francesa na defesa do flanco norte da NATO.

O presidente e diretor executivo do Naval Group assinalou o contrato como “um marco importante na cooperação” entre os dois países. “É uma honra colocar a nossa experiência ao serviço da soberania e da superioridade naval da Marinha Real Sueca, e gostaria de agradecer às autoridades suecas pela sua confiança. O Naval Group já está totalmente envolvido e empenhado na concretização deste importante projeto”, vincou Pierre Éric Pommellet, citado em comunicado.

O acordo não se limita à aquisição dos navios. O construtor de navios e submarinos militares – detido maioritariamente pelo Estado francês e em mais de 30% pela Thales – comprometeu-se a aprofundar a cooperação com a indústria sueca, através de uma parceria industrial de longo prazo que deverá incluir transferência de tecnologia e know-how para empresas do país.

O Naval Group foi um dos estaleiros que se posicionaram para fornecer as fragatas à Marinha portuguesa. Acabou por ‘perder a corrida’ para os italianos da Fincantieri, que fechou um contrato de cerca de 3,9 mil milhões de euros com Portugal.

Na sua proposta, o grupo francês comprometia-se a devolver 20% do montante investido à economia portuguesa e a investir na modernização do Arsenal do Alfeite, uma das âncoras definidas pelo ministro da Defesa nacional, Nuno Melo. Ainda previa criar um hub de indústria naval para prestar apoio à Marinha nacional

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