EUA lançam novos ataques no Irão, que promete “resposta militar” ao bloqueio naval

  • Lusa e ECO
  • 1 Setembro 2026

Ouvidas várias explosões no sul do Irão, nomeadamente nas proximidades da cidade portuária de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, junto ao estreito de Ormuz.

As forças norte-americanas anunciaram ter lançado novos ataques contra alvos da Guarda Revolucionária iraniana, em resposta a ações de Teerão contra navios no estreito de Ormuz e alvos militares dos Estados Unidos na região.

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“Hoje, (…) as forças norte-americanas começaram a atacar alvos da Guarda Revolucionária Islâmica [IRGC] no Irão”, informaram as Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA) numa breve mensagem divulgada na rede social X.

Segundo o comando militar norte-americano, a operação constitui uma resposta “aos recentes ataques da IRGC contra navios mercantes no estreito de Ormuz e contra militares norte-americanos destacados na região”.

A televisão estatal iraniana noticiou entretanto que foram ouvidas várias explosões no sul do Irão, nomeadamente nas proximidades da cidade portuária de Bandar Abbas e da ilha de Qeshm, junto ao estreito de Ormuz.

Esta via marítima é estratégica para o comércio internacional de petróleo e gás, mas o tráfego diminuiu significativamente desde o início da guerra no Médio Oriente, em 28 de fevereiro.

Os novos bombardeamentos ocorrem dois dias depois de Washington ter realizado os primeiros ataques contra território iraniano em cerca de um mês, atingindo plataformas de lançamento na ilha de Larak, também situada no estreito de Ormuz.

Segundo as forças norte-americanas, os equipamentos atingidos estavam a ser preparados para lançar mísseis carregados com minas marítimas no estreito.

O Irão respondeu à operação com ataques de mísseis e drones contra alvos norte-americanos na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos, apesar de o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, ter afirmado que Teerão não pretende prolongar a guerra.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu responder às represálias iranianas, afirmando que Washington atacaria Teerão “em força”, embora tenha dado indicações de que não pretende, para já, retomar uma operação militar em grande escala contra o país.

Paralelamente à pressão militar, o Governo norte-americano anunciou uma nova campanha de sanções destinada a enfraquecer economicamente o Irão e a aumentar os custos para países e empresas que mantenham relações comerciais com Teerão.

Teerão usará “resposta militar” se EUA aumentarem bloqueio naval

Entretanto, o presidente do parlamento e líder dos representantes do Irão nas conversações indiretas de paz com os Estado Unidos ameaçou hoje com “uma resposta militar” se as forças norte-americanas intensificarem o bloqueio naval aos portos iranianos.

“Se intensificarem o bloqueio, daremos, sem dúvida, uma resposta militar”, declarou Mohammad Bagher Ghalibaf num vídeo divulgado pelos meios de comunicação iranianos, no qual apelou aos iranianos para que usem contenção no consumo de combustível.

O dirigente iraniano e antigo membro da Guarda Revolucionária observou que um bloqueio naval é considerado uma ação militar ao abrigo do Direito Internacional.

Estas declarações surgem em plena operação “Pária Económico”, anunciada na semana passada pelos Estados Unidos como forma de isolar a República Islâmica através de sanções secundárias a empresas e indivíduos que desenvolvam relações comerciais com Teerão.

Esta “guerra económica” junta-se ao bloqueio naval que os Estados Unidos reataram após o colapso do memorando de entendimento assinado em junho com o Irão, que por sua vez voltou a colocar o tráfego marítimo no estreito de Ormuz sob ameaça.

“Se a intenção do inimigo é impedir-nos de exportar petróleo do Golfo Pérsico, então ninguém poderá exportar petróleo”, afirmou o presidente do parlamento iraniano.

Ao mesmo tempo, instou os seus concidadãos a “poupar gasolina” como forma de enfrentar a escassez enfrentada pela população.

“Se consumirmos com moderação, conseguiremos gerir a quantidade de gasolina que produzimos”, acrescentou o presidente do parlamento, frisando que o Irão é um dos maiores produtores de petróleo do mundo.

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